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Crédito como política industrial: o BRDE aposta no Oeste e Sudoeste do PR

Em Cascavel, banco regional firma acordos para irrigar pequenas e médias empresas e reforçar cooperativismo

11/02/2026

No calor do Show Rural Coopavel 2026, vitrine do agronegócio paranaense, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) fez mais do que marcar presença institucional. Ao assinar dois convênios estratégicos — um com a Associação Comercial e Industrial de Cascavel (ACIC) e outro com a Cooperativa LAR — o banco reafirmou sua vocação histórica: usar crédito direcionado como instrumento de política regional.

A aposta é clara. Em vez de dispersar recursos, o BRDE busca canais organizados — associações empresariais e cooperativas — para ampliar o alcance do financiamento produtivo. O governador em exercício, Darci Piana, sintetizou a lógica ao defender a “facilitação no acesso ao crédito”, sobretudo para pequenas e médias empresas e produtores rurais. Num Estado onde o interior responde por fatia substancial do PIB agroindustrial, crédito é menos uma questão financeira e mais uma engrenagem de crescimento.

O acordo com a ACIC cria uma espécie de atalho institucional. Com mais de 3,5 mil empresas associadas, a entidade passa a funcionar como ponte entre o banco e o empresariado local. Empresas indicadas poderão acessar operações diretas do BRDE para financiamentos acima de R$ 800 mil. Para valores entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, haverá uma plataforma simplificada, exclusiva para operações chanceladas por parceiros institucionais.

O desenho não é trivial. Ao reduzir burocracia – inclusive com dispensa de tarifa de cadastro – e contar com a “curadoria” da associação, o banco mitiga riscos e acelera a análise de crédito. É um modelo que já foi testado em Londrina e Maringá e que agora se consolida no Oeste. Para o presidente do BRDE, Renê Garcia, trata-se de ampliar o alcance do crédito produtivo e reforçar o desenvolvimento regional.

O movimento ocorre num momento em que o Paraná acumula indicadores positivos: aumento das exportações para a União Europeia e abertura de novas empresas em ritmo acelerado. O desafio, como sempre, é sustentar a expansão sem estrangular o caixa das empresas num ambiente de juros estruturalmente elevados no Brasil.

Cooperativismo como multiplicador

Se a parceria com a ACIC mira o comércio e a indústria urbana, o convênio de R$ 15 milhões com a Cooperativa LAR reforça a musculatura do campo. Por meio da LAR Credi, o BRDE amplia a oferta de financiamento a agricultores e empresas integradas à cooperativa.

O cooperativismo paranaense é uma força econômica de primeira ordem. Ao longo de 65 anos, o próprio BRDE ajudou a financiá-lo. A fala do presidente da LAR, Irineo da Costa Rodrigues, ao reconhecer o papel histórico do banco, revela uma simbiose antiga: crédito público regional alimenta cadeias produtivas organizadas, que por sua vez reduzem inadimplência e ampliam impacto econômico.

Na prática, o convênio funciona como alavanca. O banco aporta recursos; a cooperativa distribui, acompanha e internaliza o risco junto aos cooperados. O resultado esperado é aumento de produtividade, modernização tecnológica e maior capacidade de agregação de valor – elementos essenciais para manter competitividade internacional.

Incentivo fiscal como complemento

Além das linhas de crédito, o BRDE entregou certificados de incentivo fiscal a três instituições do Oeste, contemplando projetos nas áreas de saúde, esporte e cultura. Ao todo, cerca de R$ 384 mil foram destinados por meio de mecanismos federais como o Pronon e as leis de incentivo ao esporte e à cultura. No Estado, o banco já soma R$ 2,83 milhões distribuídos a 67 projetos nesta modalidade em 2026 – o maior volume já registrado.

Embora modestos em comparação aos volumes de crédito produtivo, esses recursos cumprem função reputacional e social. Bancos de desenvolvimento, afinal, operam na interseção entre retorno econômico e impacto público.

A razão de existir

Fundado para fomentar o desenvolvimento do Sul do Brasil, o BRDE chega aos 65 anos reafirmando sua missão original. “É obrigação do BRDE oferecer recursos com juros diferentes das taxas dos bancos comerciais”, afirmou o diretor administrativo Heraldo Neves. Em tempos de consolidação bancária e concentração de crédito nos grandes centros, bancos regionais de desenvolvimento tornam-se instrumentos estratégicos de descentralização.

O teste virá na execução. Facilitar crédito é promissor; garantir que ele se traduza em investimento produtivo sustentável é o verdadeiro desafio. No Oeste e Sudoeste do Paraná, regiões acostumadas a transformar cooperativismo em escala global, a combinação de organização empresarial e financiamento direcionado pode oferecer um raro exemplo de política pública que conversa com a realidade econômica local.

Se bem-sucedido, o modelo poderá servir de vitrine – não apenas no Show Rural, mas no debate mais amplo sobre como financiar o crescimento fora dos grandes eixos financeiros do país.

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