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Unicentro amplia bolsas de pós-graduação e reforça pesquisas em áreas estratégicas

Universidade recebeu 16 novas bolsas de mestrado e doutorado do CNPq; desde 2023, programa já soma 70 auxílios voltados a projetos com impacto regional e social

09/05/2026

A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) foi contemplada com 16 novas bolsas de mestrado e doutorado concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os recursos integram o Programa Institucional de Bolsas de Pós-Graduação (PIBPG) e ampliam a capacidade de financiamento de pesquisas em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico na região de Guarapuava.

O projeto institucional apresentado pela Unicentro reuniu programas de pós-graduação em Agronomia, Biologia Evolutiva, Ciências Farmacêuticas, Desenvolvimento Comunitário, Geografia, Nanociências e Biociências, além de Química Aplicada. A seleção interna priorizou propostas voltadas a temas considerados centrais para a agenda contemporânea de ciência e inovação, entre eles energias renováveis, materiais avançados, tecnologias sociais e emergência climática.

Segundo a universidade, a distribuição das bolsas busca fortalecer a pesquisa aplicada e ampliar a capacidade de resposta da produção acadêmica a desafios econômicos, ambientais e sociais que afetam o centro-sul do Paraná. Em instituições localizadas fora dos grandes centros, esse tipo de financiamento costuma ter peso adicional por permitir maior estabilidade na formação de grupos de pesquisa e na continuidade de projetos de longo prazo.

Para o coordenador de Projetos Estratégicos da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Unicentro, Marcos Ventura Faria, o novo aporte amplia as condições de desenvolvimento de pesquisas e inovação. De acordo com ele, a iniciativa se soma a outros mecanismos de fomento e contribui para consolidar programas de pós-graduação em áreas prioritárias, oferecendo melhores condições de trabalho para pesquisadores e bolsistas.

A expansão das bolsas também tem efeito direto sobre a formação de recursos humanos altamente qualificados. Em geral, o financiamento permite dedicação integral às atividades acadêmicas, reduzindo barreiras para a permanência de estudantes na pesquisa e ampliando a produção de artigos, experimentos e participação em redes científicas.

Pesquisa sobre erosão do solo

Entre os projetos contemplados está o da doutoranda Maria Vitória Sovrani, do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), no câmpus Cedeteg, em Guarapuava. Orientada pelo professor Cristiano André Pott, ela desenvolve pesquisa no Laboratório de Física, Manejo e Conservação do Solo.

O estudo investiga os impactos da erosão do solo em áreas agrícolas e seus efeitos sobre recursos hídricos, produtividade e equilíbrio ambiental diante das mudanças climáticas. A pesquisa parte da constatação de que a degradação do solo não afeta apenas a capacidade produtiva das áreas rurais, mas também interfere na qualidade da água e na sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos.

No Paraná, onde a atividade agropecuária ocupa posição central na economia e na dinâmica territorial, o tema ganha relevância adicional. A investigação busca produzir dados que possam subsidiar práticas mais sustentáveis de manejo, além de oferecer base técnica para políticas públicas de conservação ambiental e planejamento territorial.

Segundo a doutoranda, a bolsa deverá permitir dedicação contínua ao trabalho acadêmico, incluindo etapas de análise, produção científica e participação em eventos especializados. Em pesquisas de campo e de longa duração, a previsibilidade financeira é apontada por pesquisadores como um fator decisivo para a execução integral dos projetos.

Interiorização da ciência

O novo ciclo do PIBPG também evidencia um movimento de interiorização da pesquisa científica. Embora a maior parte da infraestrutura de ciência e tecnologia no Brasil permaneça concentrada em grandes centros urbanos, universidades regionais têm ampliado presença em áreas ligadas à inovação agrícola, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento territorial.

Nesse cenário, a ampliação das bolsas na Unicentro reforça a articulação entre formação acadêmica e demandas locais. Ao direcionar recursos para áreas conectadas à transição energética, adaptação climática e tecnologias sociais, a universidade amplia sua capacidade de transformar conhecimento científico em respostas aplicadas a desafios regionais.

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