Universidades mostram projetos inovadores no Paraná Faz Ciência
Evento se encerra nesta sexta-feira (3), em Guarapuava
02/10/2025
Paraná amplia visibilidade da ciência aplicada com projetos inovadoresTecnologias sustentáveis, dispositivos médicos de baixo custo e novos materiais com aplicação industrial foram os principais destaques da Arena Paraná, espaço organizado pelo Governo do Estado dentro do evento Paraná Faz Ciência 2025. Realizado em Guarapuava, o evento reúne iniciativas da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), da Secretaria da Educação (Seed-PR), da Fundação Araucária e do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), e a expectativa é de que atraia mais de 38 mil visitantes. Até a manhã desta quinta-feira (2), cerca de 20 mil pessoas tinham comparecido.
Entre os principais resultados apresentados estão os seis projetos finalistas do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), que receberam R$ 200 mil cada para transformar pesquisas acadêmicas em soluções práticas.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), duas inovações se destacaram: o Blood-AID, um curativo inteligente capaz de identificar o tipo sanguíneo em minutos sem necessidade de laboratório, desenvolvido pelo microbiologista Gerson Nakazato; e a Válvula Fabi, um dispositivo impresso em 3D para reabilitação pulmonar de pacientes do SUS, criado pela fisioterapeuta Sonia Maria Fabris Luiz.
“Essas soluções mostram como a ciência feita nas universidades pode chegar à sociedade de forma direta, resolvendo problemas reais”, afirma Nakazato.
Bitucas de cigarro para purificação da água, energia renovável e filtros industriais sustentáveis
Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), o estudante de Química Rogério Maniezzo apresentou o HydroButts, tecnologia que transforma bitucas de cigarro em hidrocarvão ativado. O material é capaz de filtrar poluentes em estações de tratamento, processos industriais e filtros domésticos. O projeto combina inovação ambiental e economia circular ao dar nova função a um resíduo altamente poluente.
Na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), o químico André Lazarin Gallina demonstrou uma rota bioquímica para transformar sementes de seringueira em etanol. A técnica oferece um caminho alternativo para produção de biocombustíveis a partir de biomassa regional, com potencial de alto rendimento energético por quilo de matéria-prima.
Já na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), dois projetos desenvolvidos por Murilo Pereira Moisés propõem o reaproveitamento de resíduos industriais. Um deles transforma cinza de bagaço de cana em zeólitas, materiais microporosos aplicáveis na filtragem química, tratamento de efluentes e fabricação de detergentes. O outro projeto, Lodo Poroso, trata rejeitos da galvanização e os transforma em material capaz de capturar CO₂, oferecendo solução dual para problemas de contaminação e emissões industriais.
Ciência como vetor de desenvolvimento regional
Segundo a coordenadora da Seti no evento, Sthefany Walber, a Arena Paraná consolida-se como um elo entre a produção científica e a população. “É um espaço de tradução da ciência. Aqui, o conhecimento acadêmico ganha forma concreta, aplicável, e dialoga diretamente com a sociedade.”
A Secretaria informou que os Arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná já receberam R$ 222,5 milhões em investimentos nos últimos anos, reforçando o compromisso com a valorização da ciência como motor do desenvolvimento sustentável e tecnológico do estado.
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