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Tiros, perseguição e uma estrada rural: o conflito entre vizinhos que quase terminou em tragédia

Desacordo sobre trajeto de uma via dentro de propriedades rurais expõe como a falta de diálogo e a presença de armas ainda transformam disputas em episódios de violência

23/10/2025
Tragédia só não aconteceu porque o agressor errou os tiros e a vítima fez o certo, ao não revisar e procurar a polícia (Imagem ilustrativa)Tragédia só não aconteceu porque o agressor errou os tiros e a vítima fez o certo, ao não revisar e procurar a polícia (Imagem ilustrativa)

TURVO – Um desentendimento sobre o traçado de uma estrada rural foi o estopim de um confronto armado entre vizinhos, na tarde de terça-feira (22), na comunidade de Paiquerê, em Turvo. 

O caso, que poderia ter terminado em tragédia, revela como a convivência no campo ainda é marcada por tensões e pela ausência de diálogo – cenário onde a presença de armas amplia o risco de tragédias.

Segundo a Polícia Militar, o proprietário de 63 anos relatou que havia conversado anteriormente com o vizinho, de 41, sobre a mudança no trajeto de uma estrada que corta sua propriedade e dá acesso a uma terceira área. 

O acordo, aparentemente pacífico, desmoronou quando o idoso começou a remarcar o antigo caminho. Irritado, o vizinho teria reagido com uma sequência de disparos.

O agressor, segundo a vítima, ainda o perseguiu em uma caminhonete Chevrolet S10 branca, modelo antigo, efetuando novos tiros durante a fuga. 

A polícia realizou buscas na propriedade do suspeito e em regiões próximas, mas ele não foi encontrado. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

"Cultura da violência", a causa de tragédias em série

Embora ninguém tenha se ferido, o episódio da localidade de Paiquerê evidencia um padrão que se repete em zonas rurais: divergências corriqueiras, muitas vezes ligadas a limites de terra ou caminhos de servidão, acabam escalando para a violência. 

Em pleno século 21, situações que poderiam ser resolvidas com diálogo, mediação judicial ou intervenção de órgãos públicos ainda terminam em confrontos armados – reflexo de uma cultura em que a força e a arma continuam sendo vistas como instrumentos de poder e razão.

No caso de Turvo, o proprietário fez o certo, ao procurar apoio policial, e não reagir, o que poderia desencadear uma sequência de tragédias. 

Foi o que aconteceu no distrito de Guairacá, em Guarapuava, numa festa de igreja, onde dois cunhados acabaram mortos (um deles por um policial fora do serviço), tudo com origem em disputa de terra e a presença de uma arma no contexto.

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