Colheita da segunda safra terminou com 3.850 hectares e 139,4 mil toneladas
área caiu 4,1% em relação a 2025, mas produtividade subiu 6,5% e compensou parte da retração
30/08/2026
Bataticultura: menos área, mais produtividade. A retração do plantio ocorreu em um ambiente de custos elevados e remuneração considerada insuficiente pelos produtores, enquanto o ganho de rendimento ajudou a preservar o volume da safraA safra de batata da Regional Guarapuava está encerrada, segundo o acompanhamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral). Os 3.850 hectares destinados à segunda safra foram integralmente colhidos, com produção obtida de 139,37 mil toneladas e produtividade média de 36,2 toneladas por hectare.
Em relação à safra anterior, a área encolheu 4,1%, de 4.015 para 3.850 hectares, mas o rendimento avançou 6,5%, de 34 para 36,2 toneladas por hectare. O ganho de produtividade, porém, não foi suficiente para elevar o volume produzido: a colheita ficou 2,3% acima dos 136,59 mil toneladas estimados em 2025, mas abaixo do potencial inicialmente projetado para 2026.
O resultado mostra uma característica importante da bataticultura regional: menos área, mais produtividade. A retração do plantio ocorreu em um ambiente de custos elevados e remuneração considerada insuficiente pelos produtores, enquanto o ganho de rendimento ajudou a preservar o volume da safra.
No início do ciclo, o Deral trabalhava com uma produtividade entre 36 e 40 toneladas por hectare e produção potencial de 138,6 mil a 154 mil toneladas. O resultado efetivamente obtido ficou em 36,2 toneladas por hectare e 139,37 mil toneladas.
Colheita terminou em julho
O calendário da segunda safra avançou rapidamente em Guarapuava. Em 2 de junho, o Deral registrava 95% da área colhida, ou 3.657 hectares. Um mês depois, em 7 de julho, os 3.850 hectares já apareciam como integralmente colhidos.
O fechamento da safra também permite substituir a estimativa inicial por um número efetivamente obtido: 139.370 toneladas, contra uma projeção inicial de 142.450 toneladas. A diferença é de aproximadamente 3.080 toneladas, ou 2,2% abaixo da estimativa inicial.
O desempenho não foi linear ao longo do ciclo. Em março, 90% das áreas ainda estavam em desenvolvimento vegetativo e 10% apresentavam algum grau de condição intermediária. Em maio, 80% já haviam sido colhidos. Em junho, a colheita chegava a 95%.
Produtividade compensou redução da área
A comparação com 2025 ajuda a dimensionar o movimento.
Na segunda safra do ciclo anterior, a Regional Guarapuava cultivou 4.015 hectares e colheu 135.116 toneladas até o levantamento de junho, com produtividade observada de aproximadamente 34 toneladas por hectare e estimativa final de 136.592 toneladas.
Em 2026, foram 3.850 hectares, 165 hectares a menos. A redução de área foi, portanto, de 4,1%. Ainda assim, a produtividade efetiva subiu para 36,2 toneladas por hectare, aumento de cerca de 6,5%.
Esse ganho foi suficiente para fazer a produção efetiva avançar. Considerando as estimativas finais dos dois ciclos, a produção passou de 136.592 para 139.370 toneladas, crescimento de aproximadamente 2,0%. Se comparada apenas a produção obtida registrada em 2025, de 135.116 toneladas, o avanço de 2026 chega a 3,1%.
A conta revela a lógica econômica da safra: a redução da área foi mais do que compensada pelo aumento do rendimento por hectare.
Primeira safra também teve bom rendimento
O desempenho não ficou restrito à segunda etapa do ciclo. Na primeira safra de 2025/26, a Regional Guarapuava cultivou 3.650 hectares, área que chegou a 100% de colheita. O Deral registrou produtividade de aproximadamente 39 toneladas por hectare.
Somadas as duas safras, a Regional destinou cerca de 7.500 hectares à batata no ciclo 2025/26. A segunda safra respondeu pela maior parcela, com 3.850 hectares.
É importante, porém, não confundir esses números com a área exclusivamente do município de Guarapuava. A série do Deral utilizada nesta análise corresponde ao Núcleo Regional de Guarapuava, que reúne 10 municípios.
O problema está na margem, não apenas na produtividade
A melhora do rendimento físico não elimina o principal problema econômico da cultura: o alto investimento necessário para colocar um hectare de batata em produção.
O Deral mantém metodologia própria para levantamento dos custos das principais atividades agrícolas, mas não apresenta atualmente uma série específica de custo de produção da batata entre os produtos de sua tabela corrente. Por isso, não seria correto atribuir ao Deral um custo por hectare que o órgão não publicou.
Uma referência setorial publicada em 2026 aponta que o desembolso para produzir batata pode chegar a R$ 70 mil por hectare, dependendo do sistema produtivo. O valor não é uma estimativa específica para Guarapuava nem deve ser tratado como custo oficial da safra regional, mas ajuda a dimensionar o capital necessário em uma cultura intensiva em batata-semente, fertilizantes, defensivos, irrigação e operações mecanizadas.
Esse nível de investimento muda completamente a leitura de uma produtividade de 36,2 toneladas por hectare. Produzir muito não significa necessariamente ganhar muito. A margem depende da combinação entre produtividade, qualidade comercial, percentual aproveitável, custo e preço recebido.
Quanto a produção precisa render
Tomando apenas como referência um custo de R$ 70 mil por hectare, e não como custo oficial da Regional Guarapuava, uma lavoura de 36,2 toneladas precisaria gerar cerca de R$ 1,93 por quilo para recuperar esse investimento bruto – equivalente a aproximadamente R$ 48,35 por saca de 25 quilos.
A conta mostra por que a oscilação de preços é tão importante para o produtor. Com 36,2 toneladas por hectare, cada R$ 0,10 a mais ou a menos no preço do quilo representa aproximadamente R$ 3.620 por hectare de diferença na receita bruta.
Não se trata, portanto, de uma cultura em que produtividade isoladamente determine o resultado financeiro. Uma lavoura com 40 toneladas por hectare pode apresentar resultado inferior ao de outra com 35 toneladas se vender produto de melhor qualidade em um momento de preços mais altos.
O próprio Deral apontou, no início de 2026, pressão sobre a remuneração da batata. Em janeiro, o produtor paranaense recebia, em média, R$ 26,04 pela saca de 25 quilos de batata lisa, ou R$ 1,04 por quilo, queda de 16% sobre dezembro. O departamento relacionou a redução ao excesso de oferta no mercado nacional.
Mercado ainda define o resultado
A situação do mercado continuou sendo determinante durante o ano. Dados do Hortifruti/Cepea mostram que, em agosto, a oferta e a qualidade dos tubérculos passaram a influenciar fortemente as cotações. Em Guarapuava, a colheita da safra das secas já havia chegado ao fim para a maioria dos produtores, enquanto problemas de qualidade e variações de produtividade alteravam a disponibilidade.
No atacado, a batata padrão ágata especial registrava, em 18 de agosto, valores próximos de R$ 48,44 por saca de 25 quilos em Belo Horizonte, R$ 52,50 no Rio de Janeiro e R$ 52,22 em São Paulo. Esses preços, porém, são de atacado e não podem ser aplicados diretamente à receita do produtor de Guarapuava, devido a custos de beneficiamento, classificação, transporte e comercialização.
Uma safra menor, mas mais eficiente
O balanço da Regional Guarapuava deixa uma fotografia mais favorável do ponto de vista agronômico do que do financeiro. A área da segunda safra caiu 4,1%, mas a produtividade cresceu 6,5% e a produção final avançou cerca de 2% em relação à estimativa final do ciclo anterior.
A colheita terminou integralmente em julho, com 139,37 mil toneladas produzidas em 3.850 hectares. O rendimento de 36,2 toneladas por hectare ficou próximo do limite inferior da projeção inicial do Deral, mas acima do desempenho registrado na safra anterior.
Para o produtor, entretanto, o número que encerra a safra não é apenas a produção. É a diferença entre aquilo que foi investido para produzir cada hectare e aquilo que o mercado efetivamente pagou pela batata comercializável.
Na bataticultura de Guarapuava, a produtividade melhorou, a produção resistiu à redução da área e a colheita terminou, mas a rentabilidade continua dependente de um mercado capaz de remunerar uma cultura de alto custo e elevada exposição a preço e qualidade.
Todo mundo fala
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