Política

Povo leva a Brasília o que os atuais governantes se negam a ouvir

Michel Temer e seus parcos apoiadores não pensam no País

24/05/2017

DA REDAÇÃO – Perto de ser escorraçado do poder, o presidente Michel Temer tentou, nesta quarta-feira (24), ao decretar intervenção militar em Brasília, um abraço de afogado. Imaginou que o bico do coturno sobre manifestantes desarmados seria sua salvaguarda diante de um País que, sabidamente, há muito não o quer.

Por certo, Michel Temer deduziu que a corrente que o conduziu ao Palácio do Planalto, um ano atrás, queimando bandeiras vermelhas, voltaria agora a sentir o mesmo desprezo pelos manifestantes "vermelhos" que desfilaram sobre a Capital Federal neste 24 de maio. E com seu decreto fascista, retrógrado, Temer sonhou que seria aclamado, idolatrado. Estaria, assim, perdoado de todas as acusações que vem respondendo nas últimas semanas.

Michel Temer não tem influência sobre seus próprios comandados, a base aliada que sustentou seu desgoverno pusilânime dentro e fora do Congresso. Acuado e isolado, agiu, ao requerer força militar, como uma fera ferida que morde quem se aproxima. Em mais um ato inconsequente, discricionário, autoritário, irresponsável, foi repreendido de A a Z, da CNBB ao STF, do governador do Distrito Federal aos botecos e praças, permanecendo apenas com uma trupe de apoiadores que não tardarão para abandoná-lo por completo.

De longe querer aprovar depredações e outros atos de vandalismo do gênero.

A manifestação que aconteceu em Brasília foi antecedida por uma greve geral que paralisou o Brasil de norte a sul. Já era um aviso.

A multidão de 30.000, 50.000 ou 150.000 (há números para todos os gostos) viajou de ônibus, milhares atravessaram o País de uma ponta a outra, com o específico objetivo de dizer "não" às reformas trabalhista e previdenciária, e ecoar aos ouvidos do poder um retumbante "fora Temer".

Mais do que fracassar como dirigente, impondo à Nação uma agenda de reformas sem o mínimo de diálogo, mesmo tendo os principais meios de comunicação ao seu dispor, principalmente a Rede Globo que foi sua aliada-mor no impeachment da ex-presidente Dilma, Michel Temer não se esforçou o mínimo para conquistar o apoio popular. Foi frio, distante, soberbo e calculista ao extremo: achou que tendo maioria na Câmara e no Senado, não precisava de mais nada.

Aliás, os articuladores e aliados de Temer, a exemplo dele, ignoraram por completo a voz das ruas. Só tinha valor enquanto precisavam dela para assaltarem ao poder.

O acontecimento desta quarta-feira é mais um alerta, de que não bastará tirar Temer e colocar outro dirigente. Ou muda-se o jeito de fazer política, ouvindo o País, ou a turba que fez Brasília estremecer hoje é apenas uma amostra do turbilhão que irá irromper amanhã. Não se trata de uma aposta, de uma torcida. É a leitura que a História nos ensina. 

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