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Paraguai tenta se recompor em meio à revolta popular e prisão do ex-presidente

Santiago Peña foi detido na sexta-feira (6); Pedro Alliana assumiu o governo, e defesa prepara resposta à investigação

07/11/2026
Ex-presidente Santiago Peña é acusado de ter participação no Banco Ueno: instituição lesou 3 milhões de investidores paraguaiosEx-presidente Santiago Peña é acusado de ter participação no Banco Ueno: instituição lesou 3 milhões de investidores paraguaios

A prisão do ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, nesta sexta-feira (6), é mais um desdobramento da crise político-econômica que atinge o país vizinho.

Peña foi preso horas depois de ser destituído pelo Senado, em meio à reação popular provocada pelo colapso do banco Ueno. Inicialmente, ele ficou sob custódia em sua residência, em Assunção, enquanto o Ministério Público preparava as acusações formais. 

Os 44 senadores presentes votaram pela destituição. O então vice-presidente Pedro Alliana tomou posse para completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. Peña nega irregularidades. 

A prisão acrescenta uma frente criminal à queda política do ex-mandatário. Peña havia anunciado a renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso manteve o julgamento do impeachment no dia seguinte. As acusações apresentadas no processo político incluem conflitos de interesse, interferência na fiscalização bancária e desvio de recursos previdenciários. 

Peña foi convocado para prestar depoimento às 11h deste sábado (7), na área de Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público. A defesa informou que pretende solicitar uma medida alternativa à prisão e afirmou que o ex-presidente se submeterá ao processo. 

Segundo o veículo argentino Análisis, Peña foi transferido durante a madrugada para o Regimento Escolta Presidencial, após uma avaliação de segurança diante dos protestos nas proximidades de sua casa. A publicação relata que a investigação abrange suspeitas de prejuízo patrimonial por quebra de confiança, tráfico de influência e administração em benefício próprio. 

O advogado Ricardo Preda questionou os fundamentos para uma eventual prisão preventiva e disse que aguardava acesso aos fatos concretos atribuídos ao cliente para definir a estratégia de defesa. A detenção nesta etapa da investigação não representa condenação criminal. 

Crise bancária derrubou o governo 

A suspensão das operações do Ueno bloqueou o acesso de clientes a recursos e desencadeou manifestações.

A investigação procura esclarecer a relação entre decisões do governo, a fiscalização do sistema financeiro e as irregularidades atribuídas à instituição.

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