O que dizem as pesquisas sobre Requião Filho: estatísticos analisam forças, limites e chances na corrida ao Governo do Paraná
Consistência nas intenções de voto, potencial de crescimento e rejeição entram na equação
03/08/2026
Uma análise estritamente estatística das pesquisas divulgadas até o momento indica que Requião Filho (PDT) consolidou-se como o principal concorrente ao favoritismo de Sergio Moro (PL) na disputa pelo Governo do Paraná.
Os levantamentos de diferentes institutos apresentam variações nos percentuais, mas repetem um padrão: Moro aparece na liderança, enquanto Requião Filho ocupa a segunda colocação na maior parte dos cenários estimulados.
Sob a ótica da ciência estatística aplicada às pesquisas eleitorais, esse padrão tem algumas implicações importantes.
Especialistas em metodologia eleitoral costumam dar maior peso à repetição de tendências entre institutos diferentes do que a um único levantamento. Quando pesquisas independentes apresentam resultados semelhantes ao longo de vários meses, aumenta a probabilidade de que exista um eleitorado efetivamente consolidado.
No caso de Requião Filho, diferentes pesquisas divulgadas ao longo de 2026 o mantiveram em segundo lugar, ainda que com oscilações dentro da margem de erro. Esse comportamento sugere estabilidade do eleitorado e reconhecimento do nome, fatores considerados positivos em campanhas de longo prazo.
O maior ativo é o potencial de crescimento
Outro dado observado pelos estatísticos é o elevado percentual de eleitores sem decisão.
Em algumas pesquisas espontâneas, mais de 60% dos entrevistados ainda não indicavam um candidato, enquanto levantamentos recentes também apontam elevados índices de indecisos, brancos e nulos. Isso significa que o mercado eleitoral permanece aberto e que a fotografia atual dificilmente representa o resultado final da eleição.
Para analistas eleitorais, quando existe um contingente tão grande de eleitores indefinidos, candidatos que já aparecem em segundo lugar possuem espaço matemático para crescer durante a campanha.
O desafio estatístico
Ao mesmo tempo, as pesquisas mostram um obstáculo relevante.
Requião Filho apresenta índices de rejeição relativamente elevados em alguns levantamentos, reflexo da associação ao sobrenome Requião e da polarização política. Estatísticos observam que intenção de voto e rejeição caminham juntas: um candidato pode crescer se conseguir ampliar sua base para além do eleitorado tradicional, mas rejeições elevadas costumam limitar esse avanço.
A campanha ainda pode alterar o cenário
A experiência histórica mostra que eleições estaduais frequentemente sofrem mudanças significativas após:
- definição definitiva das candidaturas;
- início do horário eleitoral;
- formação das coligações;
- participação em debates;
- influência da eleição presidencial sobre a disputa estadual.
Por isso, pesquisadores costumam evitar projeções definitivas antes do início efetivo da campanha.
A tese defendida por setores do PT: "o Paraná não é um estado conservador"
Dirigentes petistas frequentemente argumentam que o Paraná é mais plural do que conservador. Essa tese se apoia em fatores históricos e eleitorais.
Primeiro, embora candidatos de centro-direita e direita tenham obtido vitórias importantes nas últimas eleições nacionais, o estado possui uma tradição de alternância política.
O Paraná já elegeu governadores com perfis bastante distintos, como:
- Jaime Lerner, identificado com uma agenda liberal e técnica;
- Roberto Requião, de centro-esquerda e forte presença do MDB;
- Beto Richa, do PSDB;
- Ratinho Junior, do PSD.
Ou seja, historicamente o eleitorado alternou projetos políticos diferentes.
Outro argumento utilizado pelo PT é que o partido mantém presença institucional relevante no estado, com prefeitos, deputados estaduais, deputados federais e representação sindical e universitária, além de desempenho competitivo em grandes centros urbanos como Curitiba, Londrina e Maringá.
Também pesa o fato de que, mesmo em eleições presidenciais nas quais candidatos da direita venceram no Paraná, Luiz Inácio Lula da Silva continuou obtendo milhões de votos no estado, revelando um eleitorado expressivo de centro-esquerda. Isso sustenta a avaliação petista de que existe uma parcela significativa do eleitorado aberta a propostas progressistas, ainda que minoritária em alguns pleitos.
O contraponto
Cientistas políticos, por outro lado, costumam fazer uma leitura mais equilibrada.
Eles observam que o Paraná apresenta características simultaneamente conservadoras e moderadas:
- predominância recente de candidatos de centro-direita e direita nas eleições majoritárias;
- forte influência do agronegócio e do empresariado no interior;
- elevado grau de urbanização e diversidade econômica nas grandes cidades;
- eleitorado menos ideológico do que pragmático em muitos municípios.
Assim, uma parte da literatura especializada prefere definir o Paraná como um estado de centro-direita predominante, mas não homogêneo. Há regiões, segmentos sociais e ciclos eleitorais distintos, o que explica por que candidatos de diferentes correntes conseguem ser competitivos dependendo do contexto político nacional e estadual.
No entanto, o próprio PT coloca como antítese a votação do médico Dr. Antenor em Guarapuava nas eleições municipais de 2022, quando ele perdeu as eleições com a diferença de apenas 21 votos para o atual prefeito, Denilson Baitala (sem partido), na época no PL de Jair Bolsonaro e fortemente ancorado no apoio do governador Ratinho Júnior e na extrema-direita local.
Perspectivas para 2026
Com base apenas nos dados disponíveis até o momento, sem extrapolar além do que as pesquisas mostram, é possível apontar três conclusões:
Sergio Moro inicia a campanha como favorito nas pesquisas divulgadas até agora.
Requião Filho aparece de forma consistente como principal adversário, mantendo a segunda colocação em diferentes levantamentos.
O elevado número de eleitores indecisos indica que a disputa permanece aberta e que a campanha eleitoral poderá alterar significativamente o quadro atual, especialmente se houver mudanças nas alianças partidárias, na transferência de votos das lideranças nacionais e no desempenho dos candidatos durante o período oficial de campanha.
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