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Ladrões de fio de cobre continuam a agir na região, situação que deflagrou recente megaoperação policial

Em Pinhão, 100 metros de fio e uma Saveiro foram levados da Sanepar; em Guarapuava, uma empresa ficou às escuras

06/10/2026
Cerca de 100 metros de fiação e uma Saveiro foram levados; novo caso ocorre após operação contra grupos investigados por tráfico e furtos de cabos na região de GuarapuavaCerca de 100 metros de fiação e uma Saveiro foram levados; novo caso ocorre após operação contra grupos investigados por tráfico e furtos de cabos na região de Guarapuava

Três homens armados renderam um trabalhador na captação de água da Sanepar, em Pinhão, e roubaram aproximadamente 100 metros de fio elétrico e uma Volkswagen Saveiro branca na madrugada desta segunda-feira (5). O crime se soma a ocorrências de subtração de fiação na região de Guarapuava, onde investigações recentes – que resultaram numa megaoperação policial em setembro último – apontaram a troca de cobre furtado por drogas, alimentando uma extensa rede tráfico na região. Nesta segunda-feira, uma empresa na Vila Bela, em Guarapuava, foi alvo de furto semelhante, deixando os funcionários sem energia elétrica.

Segundo o boletim da Polícia Militar, em Pinhão o funcionário da Sanepar relatou que foi abordado por volta das 3h por três homens com um revólver. Ele foi trancado em um banheiro enquanto os criminosos retiravam o material. Na fuga, o grupo levou a Saveiro.

A PM foi acionada às 5h. O local possui câmeras de segurança, e as imagens foram solicitadas para complementar o registro.

O boletim não informa prisões, recuperação dos bens ou eventual impacto no abastecimento de água.

Fios furtados entram na rede do tráfico, aponta investigação

A conexão entre furtos de fiação e comércio de drogas foi abordada pelo delegado-chefe da 14ª Subdivisão Policial, Alysson Henrique de Souza, em reportagem do Portal Paraná Central publicada em 24 de setembro, mesmo dia de uma megaoperação com 200 policiais em Guarapuava e Campina do Simão. Três suspeitos tombaram em confronto com equipes policiais.

Segundo a apuração relatada pelo Portal, fios de cobre são utilizados como moeda de troca por entorpecentes. O delegado afirmou que investigados que deixaram a Vila Concórdia após a operação de novembro de 2025 passaram a atuar em outros bairros de Guarapuava e municípios vizinhos, entre eles Campina do Simão, onde dos suspeitos foi morto.

Alysson também relatou casos de pessoas que foram presas, posteriormente colocadas em liberdade com tornozeleira eletrônica e voltaram a ser investigadas. Nesta recente operação, o monitoramento da Polícia Penal ajudou a localizar suspeitos. 

Não há, no boletim de Pinhão, indicação de que os autores do roubo pertençam aos grupos investigados em Guarapuava.

Operação atingiu dois bairros e Campina do Simão

Em 23 de setembro, uma ação conjunta das polícias Civil e Militar cumpriu 23 mandados de busca e apreensão, após aproximadamente três meses de investigação. Entre os crimes atribuídos aos alvos estavam furtos de fiação elétrica, roubos, tráfico e posse irregular de armas.

Três suspeitos morreram em intervenções policiais nos bairros Morro Alto e Paz e Bem, em Guarapuava, e em Campina do Simão. O balanço divulgado naquela manhã também indicava quatro presos. 

A mobilização contou com dezenas de equipes, apoio aéreo, cães farejadores e policiais de unidades regionais, incluindo os Campos Gerais. O delegado ressaltou que os grupos investigados não atuavam necessariamente sob uma única estrutura. 

Vila Concórdia já havia sido alvo de grande ação

A Operação Concórdia ocorreu em 4 de novembro de 2025, com cerca de 300 agentes das polícias Militar, Civil e Penal e 45 mandados de busca e apreensão.

O balanço atualizado apontou 15 presos e três mortos, além de armas, drogas e objetos recuperados. A investigação tratava de tráfico, receptação e crimes patrimoniais. As mortes ocorreram em confrontos, conforme a versão apresentada pela PM. 

Novos registros atingem empresas e propriedades rurais

Nesta segunda-feira, uma empresa da Vila Carli, em Guarapuava, também encontrou seu barracão sem energia após o furto da fiação durante o fim de semana. Segundo o boletim policial, os autores entraram por um buraco na estrutura e levaram alumínio.

Outros episódios foram documentados pelo Portal Paraná Central. Em agosto, o furto de cabos deixou a bomba d’água de uma fazenda sem funcionar. No mesmo mês, a PM apreendeu 14,850 quilos de fios de cobre durante uma ocorrência no bairro Industrial. 

Os registros mostram a persistência dos crimes e seus efeitos sobre instalações elétricas, atividades empresariais e sistemas de água. A identificação dos compradores e do destino do material é necessária para esclarecer a cadeia de receptação, mas não informações oficiais da Polícia Civil sobre esses desdobramentos.

Na megaoperação de setembro, os policiais chegaram até os suspeitos por meio da central de monitoramento da Polícia Penal. Os detentos em liberdade condicional continuavam a praticar furtos mesmo sabendo que estavam sendo monitorados, certamente pela necessidade de alimentar a dependência por drogas ou sob ordem superior, possivelmente de facções criminosas com as quais criam vínculos dentro ou fora dos presídios. Assim, eles ajudam a nutrir a rede de tráfico espalhada por diferentes áreas do Terceiro Planalto. O delegado Alysson de Souza não quis confirmar essa informação, sobre a influência de organizações como o PCC e Comando Vermelho na região de Guarapuava, assinalando que há parte das investigações que são restritas ao ao Poder Judiciário.

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