Investigados por tráfico deixaram Vila Concórdia e se espalharam por Guarapuava e região, diz delegado
Polícia Civil aponta dispersão após ação no bairro; operação de quarta-feira (23) mobilizou cerca de 250 policiais
24/09/2026
O delegado-chefe da 14ª Subdivisão Policial afirmou que os fugitivos da Vila Concórdia se espalharam por diferentes pontos, fazendo de Guarapuava o "centro comercial" de drogas entre essas diferentes célulasPessoas investigadas por envolvimento com o tráfico de drogas deixaram a Vila Concórdia e passaram a atuar em outros bairros de Guarapuava e em municípios vizinhos, segundo afirmou o delegado-chefe da 14ª Subdivisão Policial, Alysson Henrique de Souza, referindo-se à operação realizada em novembro do ano passado num dos maiores bolsões de miséria de Guarapuava, situado em pleno perímetro central. A operação Migatrio, desta quarta-feira (23), segundo Alysson de Souza, é consequência da ação na Vila Concórdia e têm uma situação em comum: ambas se encerraram com três suspeitos presos.
De acordo com o delegado, a intervenção policial do ano passado fez com que os criminosos que atuavam na Concórdia fugissem para outros locais. Eles continuaram agindo, fazendo de Guarapuava um centro comercial de drogas para diferentes pontos do município e da região. Alguns foram presos e depois soltos, passando a usar tornozeleiras eletrônica e retornando ao mundo do crime.
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Um dos locais que foram alvos da Operação Migratio desta quarta-feira, num cenário que sugere ponto de receptação de mercadorias. Segundo a Polícia, o furto de fios de cobre está associado ao comércio de drogas
Na operação de agora, a Polícia Penal teve um papel decisivo, por conseguir apontar a localização desses suspeitos por meio do monitoramento das tornozeleiras – o que leva a entender que os presos em liberdade condicional continuam reféns do mesmo sistema que os levou à prisão, ou mesmo por vínculo a organizações criminosas. Um dos meios de arrecadar fundos é o furto de fios de cobre para trocar por drogas. Esse tipo de crime cresceu consideravelmente nos últimos meses em Guarapuava. As autoridades policiais não fizeram menção a receptadores, que é o que alimenta essa "indústria", mas nas imagens divulgadas durante a operação é possível visualizar pontos de coletas de materiais.
O delegado afirmou que o tráfico se espalhou pela região e descreveu Guarapuava como um "centro comercial" conectado a essas diferentes ramificações. O município também é um centro de convergência para o tráfico, por estar na área central do Estado.
Alysson de Souza citou Campina do Simão, município de 4 mil habitantes, a 66 quilômetros ao Norte de Guarapuava. Um dos mortos em confronto com os policiais nesta quarta-feira, Lucas Camilo, de 36 anos, era de família conhecida na cidade. Segundo o delegado, ele estava envolvido em duas mortes violentas. "Numa delas, o corpo da vítima foi esquartejado", disse o chefe da 14ª SDP. O velório de Lucas Camilo foi anunciado pela funerária local com ampla repercussão em Campina do Simão.
Anúncio do falecimento de Lucas Camilo, em Campina do Simão: cidade de 4 mil habitantes impactada pelos acontecimentos
Questionado sobre uma possível ligação dos envolvidos na operação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou o Comando Vermelho, o delegado disse que não poderia informar se essa relação existe. Segundo ele, os detalhes apurados constarão do inquérito a ser apresentado ao Poder Judiciário.
A operação mobilizou cerca de 250 policiais de diferentes batalhões e forças de segurança. As ações se estenderam por Campina do Simão e pelos bairros Paz e Bem e Morro Alto, em Guarapuava.
Operação no início de novembro de 2025 na Vila Concórdia, que resultou em três mortos – o mesmo saldo de agora, na ação desta quarta-feira em bairros de Guarapuava e Campina do Simão
PM detalha buscas em dois bairros
No boletim divulgado nesta quinta-feira (24), o 16º Batalhão de Polícia Militar apresentou informações sobre duas das ações realizadas na quarta-feira. Os registros tratam do cumprimento de mandados nos bairros Boqueirão e Alto Cascavel e não abrangem toda a operação.
No Boqueirão, policiais do Choque cumpriram um mandado de busca por volta das 6h38. Segundo a PM, um morador de 30 anos informou que havia uma pistola Taurus calibre .380 em um guarda-roupa. A equipe apreendeu a arma, dois carregadores e 22 munições intactas. O homem foi encaminhado à 14ª Subdivisão Policial.
No Alto Cascavel, equipes da Rotam do 16º BPM e da 8ª Companhia Independente cumpriram outro mandado, com apoio de policiais com cães do 26º BPM. A PM informou que não encontrou outros materiais ilícitos na residência. O alvo da ordem judicial, um homem de 29 anos, foi levado à delegacia para os procedimentos cabíveis.
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