ICL: integração público-privada retirou cerca de 10 bilhões de litros da ilegalidade no mercado de combustíveis
Congresso Nacional deve concentrar esforços no combate ao crime organizado
27/08/2026
Na véspera de completar um ano, a Operação Carbono Oculto foi apontada pelo presidente do ICL como um divisor de águas no enfrentamento ao crime organizado no setorO combate estruturado ao mercado irregular de combustíveis, com integração entre poder público, órgãos de fiscalização e iniciativa privada, já teria deslocado aproximadamente 10 bilhões de litros do mercado ilegal para o mercado formal, segundo estimativa apresentada pelo presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, durante debate promovido nesta quinta-feira (27.08) pelo Grupo Globo sobre fraudes, adulteração, evasão fiscal e crime organizado no setor de combustíveis. Para Kapaz, os resultados mostram que o país vive um dos momentos mais relevantes de enfrentamento à chamada “economia do crime”, mas o avanço precisa ser acompanhado de fiscalização permanente, fortalecimento regulatório e novas mudanças legislativas.
Kapaz participou do painel ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima. Em sua avaliação, a criminalidade deixou de estar concentrada na ponta da cadeia e passou a operar de maneira sofisticada em diferentes etapas do mercado, envolvendo distribuidoras, empresas de transporte, postos, fraudes eletrônicas em bombas e adulteração dos produtos. “O posto é a ponta do iceberg”, afirmou, ao destacar que as irregularidades hoje atingem praticamente toda a cadeia de combustíveis.
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Na véspera de completar um ano, a Operação Carbono Oculto foi apontada pelo presidente do ICL como um divisor de águas no enfrentamento ao crime organizado no setor. Segundo Kapaz, a ação reuniu Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministérios Públicos, Ministério da Justiça, órgãos estaduais, ANP e iniciativa privada, mobilizando cerca de 1,5 mil agentes e mais de 320 buscas e apreensões. O trabalho teve continuidade com outras operações, entre elas Tanque, Quasar e Poço de Lobato, reforçando o caráter permanente da ofensiva contra estruturas criminosas infiltradas no mercado formal.
Kapaz destacou que o impacto não se limita à repressão criminal. A migração de volumes antes comercializados irregularmente para empresas formais ampliou a arrecadação tributária de Estados e da União. No Rio de Janeiro, ele citou crescimento de 77% na arrecadação de combustíveis no trimestre de abril a junho em relação ao mesmo período de 2025, associando o resultado ao avanço das operações e à formalização do mercado.
Para consolidar esses ganhos, o presidente do ICL defendeu a aprovação de propostas que estão em discussão no Congresso. Entre elas, mencionou o projeto 109, que ampliaria a capacidade da ANP de trocar informações com as Secretarias de Fazenda e acompanhar a movimentação dos combustíveis ao longo da cadeia; o projeto 399, voltado ao endurecimento de multas e penalidades e ao fortalecimento da capacidade de atuação da agência; e o projeto 1.482, que tipifica e aumenta as punições relacionadas ao furto, roubo, descaminho e receptação de combustíveis e lubrificantes em todos os modais existentes (dutos, rodoviario, ferroviario, e hidroviario).
“Queremos uma ANP forte, que fiscalize todos, bons ou ruins”, afirmou Kapaz. Segundo ele, uma agência responsável pela fiscalização de aproximadamente 46 mil postos precisa dispor de orçamento, tecnologia, pessoal e instrumentos adequados para acompanhar um mercado cada vez mais sofisticado e sujeito a novas formas de fraude. O ICL também vem cooperando com a agência, inclusive por meio do apoio de inteligencia e com equipamentos e instrumentos de fiscalização que ampliem a transparência para o consumidor.
Outra frente defendida por Kapaz é a antecipação da monofasia do ICMS para o etanol, modelo já adotado para gasolina e diesel. Segundo ele, com o avanço dos mecanismos de controle sobre esses dois combustíveis, uma parcela relevante das irregularidades tributárias migrou para o etanol, tornando a mudança uma das prioridades para o setor.
Na avaliação do presidente do ICL, o desafio agora é impedir que a redução de determinados espaços de atuação do crime leve à abertura de novas brechas. Para isso, será necessário combinar inteligência, rastreabilidade, tecnologia e participação do consumidor. Kapaz destacou iniciativas que permitem consultar informações sobre postos fiscalizados e defendeu a evolução dessas ferramentas para soluções digitais que ajudem milhões de consumidores a identificar estabelecimentos mais confiáveis.
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