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Guarapuava tem mais de 40 mil jovens sob o desafio de transformar diplomas em empregos

Estudo nacional mostra que falta de experiência, salários e informalidade dificultam a inserção profissional

22/08/2026
 Entre os grandes desafios em Guarapuava, está o de reter talentos formados nas universidades locais, transformando-os em mão de obra qualificada, com renda compatível, ou em empreendedores com seus próprios negócios Entre os grandes desafios em Guarapuava, está o de reter talentos formados nas universidades locais, transformando-os em mão de obra qualificada, com renda compatível, ou em empreendedores com seus próprios negócios

Guarapuava tinha 41.174 moradores entre 16 e 29 anos no Censo de 2022, faixa etária que representa 22,6% dos 182.093 habitantes contabilizados naquele ano. É uma população equivalente a quase um quarto da cidade e decisiva para o futuro do mercado de trabalho e da economia local.

Pela projeção estatística, média entre os últimos censos, estima-se que a população atual de Guarapuava nessa faixa etária chegue a 43.000 pessoas. Parte desse contingente (não há uma estatística pública sobre isso) concluiu o ensino universitário, está em fase de estudos universitários, parou no ensino médio ou simplesmente abandonou o estudo básico.

Realidade local, estudos nacionais

Os números locais foram calculados a partir da distribuição da população por idade divulgada pelo IBGE e encorados numa pesquisa nacional com apoio do Banco Itaú e do instituto de pesquisa DataFolha. O Portal Paraná Central fez um recorte dessas estatísticas para o plano de Guarapuava, com auxílio de inteligência artificial. A faixa reúne desde adolescentes em busca da primeira experiência profissional até jovens que concluíram a graduação e tentam consolidar uma carreira.

Como polo universitário do Centro-Sul do Paraná, Guarapuava recebe estudantes de diferentes municípios em instituições públicas e privadas, tanto em cursos presenciais como na educação a distância. Parte desses jovens conclui a formação superior justamente no período analisado pela pesquisa nacional Juventudes e o Mundo do Trabalho. Na faixa intermediária, dos 16 aos 19 anos, muitos já concluíram o ensino médio e já estão no mercado de trabalho.

O desafio da cidade, portanto, não se limita a oferecer vagas nas universidades. É preciso criar condições para que os profissionais formados permaneçam em Guarapuava, encontrem empregos compatíveis com sua qualificação e recebam salários capazes de sustentar projetos de vida no município.

Quando isso não ocorre, cresce a possibilidade de migração para Curitiba, outras cidades do Paraná ou centros econômicos de Santa Catarina e São Paulo. A saída desses profissionais representa perda de capital humano e reduz o retorno econômico e social produzido pela estrutura universitária instalada na cidade.

Outra alternativa é o empreendedorismo. Jovens que não encontram espaço no mercado formal podem abrir empresas, prestar serviços ou desenvolver negócios nas áreas de tecnologia, saúde, educação, comunicação, comércio, agronegócio e economia criativa. Para isso, porém, precisam de acesso a crédito, capacitação, ambientes de inovação e apoio para transformar conhecimento acadêmico em atividade econômica.

Falta de experiência trava entrada no mercado

O estudo da Fundação Itaú, realizado com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ouviu 1.816 brasileiros de 16 a 29 anos. Entre os entrevistados, 70% estavam trabalhando, mas apenas 44% tinham carteira assinada.

Outros 15% trabalhavam como assalariados sem registro, 13% eram autônomos ou freelancers, 10% dependiam de atividades informais e 8% atuavam como estagiários ou aprendizes remunerados.

A falta de experiência foi apontada por 49% dos jovens como a principal dificuldade para conseguir emprego. A disputa elevada por uma mesma vaga apareceu em seguida, citada por 39%.

Esse cenário impõe um desafio também às empresas de Guarapuava: romper o ciclo em que o jovem não consegue trabalho porque não possui experiência e, sem uma oportunidade inicial, não consegue adquirir a experiência exigida.

Estágios, programas de aprendizagem, residências profissionais e parcerias entre empresas e universidades podem funcionar como pontes entre a formação acadêmica e o primeiro emprego.

Indicações ainda pesam na contratação

A pesquisa também revela a força das relações pessoais no acesso ao trabalho. Para 96% dos entrevistados, conhecer alguém dentro de uma empresa ou receber indicação de parentes e amigos facilita a contratação.

Entre os jovens que estavam empregados, 77% disseram ter conseguido a vaga por indicação. Na faixa dos 25 aos 29 anos, o percentual chegou a 81%.

O resultado indica que o diploma, embora importante, não elimina desigualdades de acesso. Jovens sem redes de contato profissional podem encontrar mais dificuldades, mesmo quando apresentam a qualificação necessária.

Salário é prioridade, mas ambiente pesa

O salário foi apontado por 64% dos participantes como o principal fator para escolher um emprego. Benefícios, plano de carreira e ambiente de trabalho agradável apareceram com 31% cada.

Ao mesmo tempo, 62% disseram que aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em um ambiente mais saudável, com menor pressão e estresse.

Entre os jovens que já deixaram um emprego por vontade própria, 43% apontaram falta de respeito ou tratamento inadequado por parte das chefias. Jornadas prolongadas e acúmulo de funções foram citados por 36%; cobrança excessiva, por 32%; e falta de oportunidade de crescimento, por 28%.

Para reter jovens qualificados, portanto, as empresas de Guarapuava precisam combinar remuneração compatível, perspectivas de carreira, respeito nas relações de trabalho e qualidade de vida.

Jovens do Sul querem empreender

A pesquisa mostra uma mudança nas expectativas profissionais. Atualmente, 30% dos entrevistados desejam um emprego com carteira assinada. Quando questionados sobre os próximos cinco anos, esse percentual cai para 16%.

No mesmo período, a preferência pelo trabalho autônomo sobe de 28% para 42%. Entre os jovens da Região Sul, 49% manifestaram interesse em trabalhar por conta própria no futuro.

O dado reforça a importância de políticas locais voltadas ao empreendedorismo jovem. Mais do que estimular a abertura de empresas, será necessário garantir orientação, acesso a financiamento, inovação e condições para que os novos negócios sobrevivam.

Diploma ajuda, mas formação prática é cobrada

Entre os jovens que estudam, 41% estão no ensino superior. Para 85% dos entrevistados, o diploma universitário é importante para conquistar uma vaga.

Apesar disso, 91% consideram os cursos técnicos e profissionalizantes um caminho mais rápido e eficiente para entrar no mercado. Outros 60% defendem que os programas de preparação profissional ofereçam conhecimentos práticos, e não apenas conteúdos teóricos.

Em Guarapuava, o resultado aponta para a necessidade de maior integração entre universidades, escolas técnicas, empresas e poder público. A formação precisa acompanhar as demandas reais da economia regional e preparar os estudantes para setores com capacidade de contratação.

Inteligência artificial amplia insegurança

A transformação tecnológica é outra preocupação. Nove em cada dez jovens acreditam que a inteligência artificial eliminará muitas vagas, enquanto 50% têm medo de perder espaço profissional para as novas tecnologias.

Por outro lado, 97% afirmaram usar a inteligência artificial e a internet para aprender e crescer profissionalmente. A mesma tecnologia que provoca insegurança também pode ampliar a produtividade, a qualificação e a criação de novos negócios.

O levantamento nacional deixa uma mensagem direta para Guarapuava: formar jovens é apenas a primeira etapa. O desafio seguinte é conectar esses profissionais às empresas, oferecer salários compatíveis, criar oportunidades para a primeira experiência e transformar a capacidade universitária da cidade em desenvolvimento econômico permanente.

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