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Guarapuava na reconstrução da floresta de araucária

Estado tenta reverter décadas de retração da espécie-símbolo

24/06/2026
Em uma região onde a araucária ainda desenha a paisagem e sustenta parte da identidade cultural do interior do Paraná, o avanço de uma política pública de reflorestamento ganhou novo significado.
 
No Dia Nacional da Araucária, celebrado nesta quarta-feira (24), o Governo do Estado apresentou um balanço que recoloca a espécie no centro da estratégia ambiental paranaense: desde 2019, foram distribuídas 668.286 mudas da árvore-símbolo do Estado — e Guarapuava aparece entre os polos prioritários para ampliar esse movimento nos próximos anos.
 
A meta para 2026 prevê a produção de cerca de 150 mil novas mudas de Araucária em viveiros do Instituto Água e Terra (IAT). Entre os escritórios regionais contemplados está Guarapuava, que deve receber 10 mil unidades, reforçando o papel histórico da região Centro-Sul na conservação da Floresta com Araucárias.
 
Mais do que uma ação de arborização, o programa Paraná Mais Verde busca enfrentar um processo histórico de redução da cobertura original da Mata Atlântica no Sul do país.
 
A Araucaria angustifolia, popularmente conhecida como pinheiro-do-paraná, tornou-se um dos símbolos desse processo: abundante no passado, hoje integra a lista de espécies ameaçadas.
 
Segundo o IAT, a distribuição das mudas integra uma política permanente de recuperação ambiental e incentivo à recomposição de áreas degradadas. Desde sua regulamentação em 2021, o Paraná Mais Verde ampliou a atuação e alcançou praticamente todo o território estadual por meio de viveiros florestais regionais.
 
 
Para especialistas da área ambiental, o plantio da araucária tem impacto que ultrapassa o aspecto paisagístico. A espécie exerce papel relevante na manutenção da biodiversidade, abriga fauna típica da Mata Atlântica e mantém uma relação econômica e cultural consolidada em diversas comunidades do interior.
 
Os números mostram que a política ganhou escala. Em 2019, foram distribuídas pouco menos de 60 mil mudas. O volume avançou nos anos seguintes e atingiu o pico em 2022, quando mais de 127 mil unidades foram entregues. Desde então, o ritmo permaneceu elevado, com médias próximas de 90 mil mudas anuais.
 
No conjunto do programa, o alcance é ainda maior: desde a criação do Paraná Mais Verde, o Estado afirma ter distribuído mais de 13,5 milhões de mudas de espécies nativas.
 
Pelo Paraná 
 
Além de Guarapuava, o cronograma de produção para 2026 contempla viveiros em Curitiba, Irati, Pitanga, Ponta Grossa, União da Vitória, Ivaiporã, Campo Mourão, Pato Branco, Francisco Beltrão, Cascavel e Toledo.
 
A distribuição à população ocorre gratuitamente mediante solicitação pelo Sistema de Gestão Ambiental (SGA), conforme as diretrizes estaduais.
 
No Centro-Sul do Paraná, onde o pinhão segue como referência econômica e cultural e as paisagens ainda preservam fragmentos da floresta original, o avanço do plantio representa também uma tentativa de reconstrução simbólica: preservar a araucária passou a significar preservar uma parte da própria identidade paranaense.
 
 

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