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Globo cancela debate após decisões judiciais e desistência de Flávio; Lula escolheu podcast

TSE proibiu púlpito vazio do presidente e garantiu participação de Zema; STF determinou inclusão de Renan Santos

01/10/2026
Decisões sobre convidados e regras do encontro alteraram a programação na reta final da campanha. Os eleitores ficaram sem o último confronto previsto na emissora antes da votação de domingo (4)Decisões sobre convidados e regras do encontro alteraram a programação na reta final da campanha. Os eleitores ficaram sem o último confronto previsto na emissora antes da votação de domingo (4)

A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República na noite desta quinta-feira (1º), após decisões judiciais modificarem as regras do encontro e Flávio Bolsonaro (PL) desistir de participar. Lula (PT) já havia comunicado sua ausência e escolhido uma entrevista ao Flow Podcast.

O confronto estava previsto para as 21h30, a três dias do primeiro turno.

 

O desfecho reuniu três controvérsias: a participação de candidatos inicialmente excluídos, a possibilidade de representar Lula com um púlpito vazio e a autonomia da emissora para organizar o debate. Na justificativa oficial, a Globo atribuiu o cancelamento às decisões judiciais tomadas perto do horário do programa, que, segundo a empresa, provocaram insegurança jurídica. 

Há uma distinção importante na sequência dos acontecimentos: Flávio anunciou que não compareceria antes de se tornar pública a determinação que incluiu Renan Santos. Na publicação em que desistiu, o senador apontou como motivo a decisão do TSE sobre o espaço reservado a Lula. 

Lula comunicou ausência na véspera e foi ao Flow

Lula informou à Globo na quarta-feira (30) que não participaria. A entrevista ao Flow estava marcada para as 20h45 de quinta-feira, pouco antes do início previsto do debate. A escolha ocorreu, portanto, antes das decisões judiciais que alteraram as regras do encontro naquela noite.

Durante o podcast, o presidente criticou o formato dos debates eleitorais. Disse que os encontros “não produzem nada” e se transformam numa disputa sobre “quem vai lacrar mais”. Lula não participou de nenhum debate entre presidenciáveis antes do primeiro turno de 2026. 

A ausência retirou do programa a possibilidade de confronto direto entre o presidente e seus adversários. Flávio, entretanto, permanecia confirmado até o início da noite de quinta-feira, ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). 

Zema entrou após decisão do presidente do TSE

A primeira alteração na lista de participantes ocorreu na terça-feira (29). O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, acolheu um pedido do Novo e determinou a inclusão dos candidatos majoritários da legenda nos debates. A medida alcançou Zema na disputa presidencial. 

O ponto central era a contagem da representação parlamentar do partido. O Novo havia eleito três deputados em 2022, mas argumentou que sua bancada chegara a cinco integrantes com filiações posteriores, anteriores ao início das convenções partidárias.

Nunes Marques reconheceu a representação atual da legenda para esse enquadramento. A decisão antecedeu a comunicação de Lula de que não iria ao debate. l

TSE proibiu púlpito vazio e perguntas dirigidas a Lula

Na quinta-feira, a ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu a um pedido da coligação de Lula e proibiu a exibição destacada do púlpito vazio destinado ao candidato ausente. Também vedou perguntas dirigidas diretamente a ele durante o programa. 

A ministra considerou que a regra poderia gerar desequilíbrio, permitindo referências ao candidato sem possibilidade de resposta simultânea. Também avaliou que a exposição do espaço vazio poderia pressionar os candidatos a comparecer, apesar de a participação ser facultativa. 

A determinação atingiu um recurso que a Globo pretendia utilizar para registrar a ausência do presidente. Segundo a emissora, as regras haviam sido previamente acordadas entre os participantes. 

Flávio desistiu e acusou o TSE de censura

Depois da decisão de Estela Aranha, Flávio anunciou nas redes sociais que não participaria. O senador classificou a intervenção como “censura imposta ao evento pelo TSE”. A expressão representa a avaliação do candidato sobre a decisão judicial. 

A desistência mudou o cenário do encontro: os dois líderes das pesquisas passaram a estar ausentes. Em transmissão posterior, Flávio responsabilizou Lula e criticou a atuação do Judiciário. 

Gilmar Mendes determinou inclusão de Renan Santos

Outra disputa judicial envolvia Renan Santos, do Missão. O partido tem apenas um deputado federal e não se enquadrava no critério de representação parlamentar utilizado para o convite obrigatório. Nunes Marques havia negado sua inclusão.

Na noite de quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acolheu um pedido do Solidariedade e determinou que a Globo assegurasse a participação de Renan em igualdade de condições com os demais candidatos.

Gilmar considerou, entre outros argumentos, a regra da própria emissora que previa a possibilidade de convidar o candidato mais bem colocado na pesquisa Quaest de 28 de setembro em caso de desistência. Renan tinha 3% naquele levantamento e Lula havia comunicado sua ausência. 

A controvérsia estava no alcance dessa cláusula: para Nunes Marques, ela dava à Globo a possibilidade de fazer o convite, sem criar uma obrigação. Gilmar adotou entendimento diferente e levou em conta o pluralismo político, a igualdade de oportunidades e a participação anterior de Renan em entrevistas do grupo. 

Globo alegou interferência nas regras

Por volta das 20h30, aproximadamente uma hora antes do início previsto, a Globo anunciou o cancelamento. Caiado, Cury e Zema já estavam na emissora. 

A empresa afirmou que as determinações judiciais alteraram as condições previamente estabelecidas para o encontro. Classificou as intervenções como indevidas e sustentou que comprometiam a liberdade dos veículos de imprensa para organizar debates eleitorais. 

Assim, embora o cancelamento tenha ocorrido depois das desistências de Lula e Flávio, a justificativa formal da emissora concentrou-se nas mudanças judiciais. Com a suspensão, os eleitores ficaram sem o último debate presidencial previsto na Globo antes da votação de domingo (4).

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