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Gaeco cumpre mandado em Guarapuava em nova fase da Operação Via Pix

Investigação apura propina paga por transportadoras e madeireiras a policiais rodoviários para evitar fiscalização

13/08/2026
Imagens divulgadas pelo Ministério Público/Gaeco na operação realizada nesta quinta-feira (13) em vários municípios do Paraná, incluindo GuarapuavaImagens divulgadas pelo Ministério Público/Gaeco na operação realizada nesta quinta-feira (13) em vários municípios do Paraná, incluindo Guarapuava

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu nesta quinta-feira (13) um mandado em Guarapuava, em uma nova fase da Operação Via Pix, que investiga um esquema de corrupção envolvendo policiais rodoviários estaduais.

Ao todo, a Justiça Militar Estadual autorizou 24 mandados de busca e apreensão em 11 municípios. Além de Guarapuava, as equipes estiveram em Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Ibaiti, Arapoti, Wenceslau Braz, Joaquim Távora, Curiúva, Sengés e Guapirama.

Armas apreendidas durante a operação

A investigação aponta que policiais teriam estabelecido acordos com empresas dos setores de transporte de cargas e madeira, que pagariam valores periódicos para evitar abordagens, multas e outras medidas durante fiscalizações em rodovias estaduais.

Como medida cautelar, 12 policiais rodoviários estaduais foram afastados das funções operacionais. O afastamento não representa condenação e ocorre enquanto as suspeitas são investigadas.

Durante o cumprimento dos mandados, cinco pessoas foram presas em flagrante. Segundo o Gaeco, quatro delas foram detidas por posse irregular de armas e munições e uma por suspeita de obstrução da Justiça.

A operação é conduzida pelo Núcleo de Ponta Grossa do Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Paraná.

Investigação também mira empresários

Uma das novidades desta etapa é o aprofundamento das apurações sobre os empresários que supostamente financiavam o esquema.

O Ministério Público investiga se os pagamentos eram feitos de forma recorrente e se havia uma estrutura organizada para manter determinados veículos e empresas fora do alcance da fiscalização.

O Gaeco também apura a suspeita de que policiais tenham recebido dinheiro para alterar informações em boletins de ocorrência de acidentes de trânsito. A eventual adulteração poderia produzir efeitos em processos envolvendo empresas, seguradoras e o Detran.

Agentes fizeram apreensão de objetos utilizados por policiais,como distintivos e algemas

Via Pix começou a ser investigada em 2025

A Operação Via Pix teve início em março de 2025, após denúncias de motoristas sobre cobranças ilegais durante abordagens. Na primeira fase, realizada em outubro daquele ano, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e sete policiais rodoviários foram afastados.

Naquela investigação, o Gaeco apontou que motoristas, principalmente caminhoneiros, eram pressionados a realizar pagamentos via Pix para evitar multas ou outras consequências da fiscalização. A apuração identificou transferências para contas de terceiros e empresas relacionadas aos investigados.

O esquema investigado naquela fase teria movimentado aproximadamente R$ 150 mil entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, segundo informações divulgadas pelo Ministério Público durante a operação. Pelo menos cem motoristas teriam sido identificados como possíveis vítimas.

Caso se soma a outra investigação sobre policiais em Guarapuava

A atuação do Gaeco em Guarapuava ocorre em um contexto mais amplo de investigações sobre corrupção envolvendo policiais rodoviários no Paraná. Um ex-assessor da Câmara Municipal – exonerado na época – também passou a ser investigado como integrante da suposta quadrilha. Dias depois, este mesmo assessor foi colocado em liberdade.

Em outubro de 2025, o Núcleo de Guarapuava do Gaeco também havia deflagrado a Operação Rota 466, que investigava suspeitas de cobrança de propina de motoristas e facilitação de saques de cargas acidentadas. Na ocasião, foram cumpridos mandados em Guarapuava e outras cidades, e um ex-comandante de posto rodoviário de Guarapuava foi preso preventivamente.

As duas investigações são distintas, embora tenham como alvo suspeitas de irregularidades envolvendo policiais rodoviários estaduais.

A nova fase da Via Pix busca ampliar a identificação de agentes e de possíveis empresários e outros integrantes que teriam sustentado o esquema, segundo o Ministério Público.

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