FIFA discute ampliar Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções e proposta divide dirigentes
Ideia de expandir excepcionalmente o Mundial do centenário reacende debate sobre qualidade técnica, calendário e interesses comerciais no futebol
12/07/2026
A possibilidade de a Copa do Mundo de 2030 contar com 64 seleções, em vez das 48 previstas no novo formato adotado pela FIFA, voltou ao centro das discussões no futebol internacional. A proposta, apresentada durante reuniões internas da entidade, tem como justificativa principal celebrar o centenário do torneio com uma edição considerada histórica, mas enfrenta resistência de dirigentes, federações e especialistas, que alertam para os impactos esportivos e logísticos de uma nova expansão.
A edição de 2030 terá características inéditas. Organizada conjuntamente por Espanha, Portugal e Marrocos, a competição também terá partidas inaugurais no Uruguai, Argentina e Paraguai, em homenagem aos 100 anos da primeira Copa do Mundo, disputada em Montevidéu em 1930. O modelo já representa um desafio operacional pela distribuição dos jogos em dois continentes e por longos deslocamentos entre sedes.
A ampliação para 64 participantes acrescentaria uma nova camada de complexidade. Embora ainda não exista uma proposta formal aprovada, dirigentes da FIFA avaliam que um Mundial do centenário poderia ser tratado como uma exceção, ampliando a participação de países e fortalecendo o alcance global da competição.
Os defensores da ideia argumentam que o futebol passou por um processo de expansão nas últimas décadas e que um número maior de vagas permitiria ampliar a representatividade de continentes historicamente sub-representados, como África, Ásia e Oceania. Também destacam o potencial de crescimento comercial, com mais partidas, maior audiência global e novas receitas provenientes de direitos de transmissão, patrocínios e turismo esportivo.
Em sentido contrário, críticos afirmam que uma expansão tão acelerada pode reduzir o nível técnico do torneio e comprometer o equilíbrio competitivo.
A preocupação também recai sobre o calendário internacional, que já sofre pressão crescente em razão do aumento do número de competições organizadas por FIFA, confederações continentais e ligas nacionais.
A discussão ocorre antes mesmo da estreia do novo formato de 48 seleções na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Para diversos analistas, seria prematuro avaliar outra ampliação sem conhecer os impactos esportivos, financeiros e organizacionais da mudança já aprovada.
Outro ponto de debate envolve a carga física dos atletas. Sindicatos de jogadores e representantes de clubes vêm manifestando preocupação com o aumento do número de partidas ao longo da temporada. Na avaliação dessas entidades, qualquer expansão do Mundial precisa considerar limites para preservar a saúde dos jogadores e evitar um calendário ainda mais congestionado.
Nos bastidores, a proposta também reflete a estratégia da FIFA de ampliar sua presença em mercados emergentes e fortalecer o peso político de federações menores. Com mais vagas disponíveis, cresce o número de países diretamente beneficiados, fator que influencia as relações institucionais dentro da entidade e amplia o alcance global do principal torneio do futebol.
Apesar da repercussão, a possibilidade de uma Copa com 64 seleções permanece em fase de discussão.
Qualquer alteração dependerá de estudos técnicos, avaliações financeiras e da aprovação dos órgãos competentes da FIFA.
Enquanto isso, o debate evidencia um dilema que acompanha o futebol moderno: conciliar tradição, qualidade esportiva e sustentabilidade do calendário com a crescente demanda por expansão comercial e inclusão de novos mercados. A decisão sobre o formato da Copa de 2030 poderá definir não apenas a celebração do centenário do Mundial, mas também os rumos da principal competição do esporte nas próximas décadas.
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