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Datafolha e Quaest apontam Flávio com 51% e Lula com 49% na véspera da eleição

Pesquisas deste sábado (24) mostram empate técnico; nos votos totais, distância entre os candidatos é de um ponto nos dois institutos

24/10/2026
A queda da indecisão e o comparecimento às urnas ganham peso na reta final. As séries mostram aproximação desde o início do segundo turno, sem uma ultrapassagem consolidadaA queda da indecisão e o comparecimento às urnas ganham peso na reta final. As séries mostram aproximação desde o início do segundo turno, sem uma ultrapassagem consolidada

As últimas pesquisas Datafolha e Quaest antes do segundo turno, divulgadas neste sábado (24), apontam Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos e Lula (PT) com 49%.

Os dois levantamentos indicam empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A votação será neste domingo (25). 

A coincidência dos percentuais exige uma ressalva metodológica: os institutos não chegam necessariamente ao resultado pelo mesmo procedimento.

A Quaest incorpora ao cálculo dos votos válidos um modelo de propensão de comparecimento. O Datafolha apresenta separadamente uma análise dos eleitores mais propensos a votar.

Datafolha: candidatos avançam nos votos totais

Na pesquisa estimulada, em que os nomes são apresentados aos entrevistados, Flávio tem 48% e Lula, 47%. Brancos e nulos somam 3%, e os indecisos representam 2%.

Em relação ao levantamento divulgado na quinta-feira (22), os dois candidatos oscilaram um ponto para cima. A distância nos votos totais permaneceu em um ponto, enquanto brancos e nulos recuaram de 5% para 3%. 

Nos válidos, o resultado arredondado passou de 50% a 50% para 51% a 49%. Essa mudança de apresentação não corresponde a uma ampliação da distância na estimulada total, que continuou em um ponto. Arredondamentos e cálculo sobre os percentuais originais precisam ser considerados na leitura.

O levantamento ouviu 4.050 eleitores em 124 municípios, nos dias 23 e 24 de outubro. Foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrado no TSE sob o número BR-09540/2026. Folha

Quaest: menor indecisão e crescimento dos dois candidatos

Na estimulada da Quaest, Flávio registra 46% e Lula, 45%. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 8%; os indecisos são 1%.

Os dois candidatos avançaram um ponto em relação à quarta-feira (21), mantendo a diferença numérica. A redução das respostas fora das duas candidaturas acompanha esse movimento: brancos, nulos e não comparecimento passaram de 9% para 8%, e a indecisão caiu de 2% para 1%. 

Na espontânea, sem apresentação dos nomes, a mudança foi maior: Flávio passou de 40% para 44%, e Lula, de 40% para 42%. Os indecisos recuaram de 14% para 7%.

A rejeição a Flávio caiu de 52% para 49%, enquanto a de Lula permaneceu em 47%. A aprovação do governo chegou a 48%, ante 45% de desaprovação. São perguntas diferentes: avaliação da administração e intenção de voto não devem ser tratadas como indicadores equivalentes.

A Quaest entrevistou 3.702 pessoas de 16 anos ou mais, em 23 e 24 de outubro, por encomenda do Grupo Globo. A margem é de dois pontos, com confiança de 95%, e o registro é BR-09158/2026. 

Por que os votos válidos exigem cuidado

Votos válidos representam apenas as escolhas destinadas aos candidatos. Nas pesquisas, o cálculo exclui respostas como branco, nulo e indecisão.

Na Quaest deste sábado, há ainda um componente de propensão a votar, conhecido como likely voter. Por isso, não é adequado tentar reproduzir seus 51% a 49% apenas dividindo os votos totais arredondados de um candidato pela soma dos dois.

O Datafolha também examinou o comparecimento, mas em análise separada. Nesse recorte, Flávio aparece com 52% e Lula, com 48%. O modelo considera a proximidade do eleitor do local de votação e seu engajamento no primeiro turno. Esse resultado não substitui o indicador geral de 51% a 49%. 

Empate técnico não significa igualdade exata nem uma probabilidade de vitória de 50% para cada candidato. Significa que a incerteza dos levantamentos impede tratar a vantagem numérica observada como uma definição da eleição.

O que os números permitem dizer sobre o debate

As duas pesquisas foram realizadas na sexta-feira e no sábado, abrangendo o período do debate da Globo. Sem separar as entrevistas anteriores e posteriores ao programa, não é possível atribuir as oscilações exclusivamente ao confronto.

A queda da indecisão espontânea na Quaest mostra maior definição das respostas, mas não identifica, por si só, a causa dessa mudança. Também não demonstra que os mesmos entrevistados migraram de uma posição para outra: são amostras de rodadas distintas.

Como cada instituto encerra a série do segundo turno

No Datafolha, a sequência da estimulada total mostra aproximação em relação ao início da etapa: Flávio passou de 49% para 48%, enquanto Lula foi de 45% para 47%. A distância caiu de quatro para um ponto percentual.

Nas duas últimas rodadas, porém, a diferença permaneceu estável: ambos avançaram um ponto entre quinta-feira e sábado. O movimento da série é de redução da distância inicial, sem ultrapassagem observada. 

Na Quaest, a série posterior ao primeiro turno começa em 14 de outubro, com 46% para Flávio e 44% para Lula. Em 21 de outubro, os índices eram 45% e 44%; neste sábado, chegaram a 46% e 45%.

Entre a primeira e a última rodada dessa etapa, Flávio termina no mesmo patamar e Lula, um ponto acima. A distância passa de dois para um ponto. As simulações anteriores à votação de 4 de outubro não integram essa comparação.

Os dois institutos encerram, portanto, com diferença de um ponto nos votos totais e empate técnico. A convergência descreve uma disputa apertada; o resultado dependerá dos votos efetivamente registrados nas urnas.

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