Datafolha e Quaest divulgam últimas pesquisas nesta noite após debate de Lula e Flávio
Levantamentos deste sábado (24), véspera do segundo turno, atualizarão o cenário da disputa; coleta abrange entrevistas antes e depois do confronto na Globo
24/10/2026
Após o confronto na Globo, os novos levantamentos mostrarão como os candidatos chegam à votação. Indecisos e firmeza do voto estarão no centro da atençãoDatafolha e Quaest divulgam neste sábado (24) as últimas pesquisas sobre a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), antes da votação de domingo (25). Os levantamentos chegam após o debate da TV Globo e poderão indicar se houve alguma alteração no equilíbrio registrado pelos dois institutos na reta final da campanha.
O levantamento acontece entre sexta-feira e sábado. O Datafolha anunciou uma amostra de 4.050 eleitores; a Quaest, de 3.702. Como o trabalho de campo começou antes do debate, os resultados poderão reunir respostas de pessoas ouvidas em momentos diferentes do confronto – limite importante para qualquer conclusão sobre seu impacto.
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A atenção estará na distância entre os candidatos, na proporção de indecisos e na firmeza das escolhas. Será necessário observar a margem de erro, a comparação entre rodadas e as informações metodológicas divulgadas pelos institutos.
Apuração feita por sites de buscas na web denota que o candidato Lula saiu vitorioso do debate. Entre analistas, o confronto de sexta-feira produziu avaliações diferentes. No UOL, Letícia Casado e João Paulo Charlaux consideraram Lula superior ao adversário. José Roberto de Toledo destacou momentos favoráveis ao presidente, mas não identificou um episódio decisivo para o resultado eleitoral.
Na CNN Brasil, Débora Bergamasco apontou uma postura mais serena e menos provocativa de Flávio em comparação com o debate anterior. Avaliou, entretanto, que a referência pejorativa a Lula, chamando de "nove dedos", prejudicou a tentativa do senador de demonstrar equilíbrio. Segundo os observadores, a opinião pública vê em Bolsonaro uma atitude "mal educada" e "moleque", longe do que deve se esperar de um presidente da República.
A Exame identificou respostas mais organizadas de Lula e maior sobriedade de Flávio, comparado ao debate da Band, sem enxergar um acontecimento capaz de alterar claramente a dinâmica da eleição. São avaliações jornalísticas de desempenho, não medições de mudança de voto.
O caso da menina Ana Clara, morta com um tiro de fuzil numa favela do Rio de Janeiro, também somou pontos negativos para Flávio Bolsonaro, dizem os especialistas. Segundo eles, Bolsonaro não convenceu por que é advogado do policial que disparou o tiro. O candidato chegou a chamar a mãe da garota de "Ana Clara", confundindo-se com a criança. A mãe, que estava na plateia, gritou "a Ana Clara está morta". Para os analistas, este momento foi crucial, porque atenta contra uma das principais pautas defendidas por Bolsonaro na campanha, que é a da segurança pública.
Checagens expõem declarações falsas e imprecisas
A repercussão também foi acompanhada por verificações das declarações. A Lupa apontou como falsas tanto a atribuição feita por Flávio de que Lula seria responsável pelo “Tigrinho” quanto a afirmação do presidente de que as apostas online teriam surgido no governo Bolsonaro. A agência remete à legislação aprovada em 2018, no governo Michel Temer.
Aos Fatos classificou como desinformação a alegação de Flávio de que Lula teria defendido ladrões de celulares. Também considerou falsa a afirmação de Lula de que a economia brasileira não cresceu acima de 3% depois de 2010. A agência confirmou outras declarações dos dois, como a de Flávio sobre a dívida bruta e a de Lula sobre o recorde de exportações em 2025.
Uma das medições atribui a Flávio Bolsonaro "54 falas falsas", muitas delas reproduzidas ao vivo pela Rede Globo após o debate. Estas informações estão circulando exaustivamente pelas redes sociais, na véspera da campanha.
Segundo os especialistas, a campanha de Lula conseguiu maior projeção do que Flávio Bolsonaro nas redes sociais, mesmo diante da suspeita de que a Meta (dona do Facebook e do Instagram) teria impulsionado mais postagens do candidato a direita e limitado os da esquerda. Uma das bases sobre o desempenho de Lula é atribuído ao chamado Exército de Lula, coordenado pelo deputado André Janones (PT/MG), que passou de 10 milhões de seguidores no WhatsApp.
O cenário que será atualizado nesta noite
O último Datafolha disponível, divulgado na quinta-feira (22), mostrou 50% dos votos válidos para cada candidato.
A Quaest divulgada na quarta-feira (21) também apontou empate técnico: 45% para Flávio e 44% para Lula. Na espontânea, ambos tinham 40%.
Uma rodada anterior do Datafolha mostrou que 82% dos eleitores descartavam mudar de candidato por causa dos debates. Outros 18% admitiam alguma possibilidade, em graus diferentes.
Em uma disputa apertada, o debate pode ter relevância mesmo sem provocar uma grande migração: pode ajudar um indeciso a escolher, reforçar uma preferência ou estimular o comparecimento. As pesquisas desta noite atualizarão o tamanho da disputa; a atribuição de uma eventual mudança ao debate exigirá evidências adicionais.
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