Danilo Dominico diz que não era mais secretário na data das irregularidades
MP sustenta que o hoje vereador sabia de tudo
24/06/2025
O vereador Danilo Dominico (Progressistas) confidenciou a pessoas próximas que está "tranquilo" e que irá provar "inocência" durante as investigações sobre irregularidades na Secretaria de Habitação, porque não era mais secretário no período (março de 2024) em que aconteceram vendas irregulares de terrenos de programas habitacionais do Município. As investigações são do Ministério Público (MPPR) segundo o qual o ex-secretário teve participação nas negociatas.
O gabinete do vereador na Câmara Municipal foi alvo de uma operação do Gaeco – braço policial do MP – na manhã desta terça-feira (24). Os promotores investigam denúncias de uma mulher que disse ter sido obrigada a pagar R$ 30 mil para receber um terreno de programas de concessão gratuita a mutuários carentes. O lote foi sorteado em nome de outra pessoa e seria cedido à mulher, se ela aceitasse pagar o valor.
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O Ministério Público levantou o envolvimento de assessores de Dominico, e a esposa de um deles, entre março e dezembro de 2024. Segundo disse o vereador a interlocutores, março foi o mês que ele se desincompatibilizou da Prefeitura, por força da legislação eleitoral, para ser candidato a vereador. A partir deste mês, a Secretaria passou a ser ocupada pelo secretário Airson Horst, que não é citado pelo Ministério Público.
O promotor Pedro Henrique Brazão Papaiz, responsável pelas diligências, afirmou, em vídeo, que os levantamentos do Gaeco demonstram o envolvimento direto de Danilo Dominico.
Na versão do ex-secretário, toda a culpa recairia sobre assessores e a esposa de um deles, em cuja conta bancária o dinheiro teria sido depositado.
Segundo os investigadores, a ação dos assessores era feita sob indicação superior; no caso, o secretário.
Em nota distribuída pela Diretoria de Comunicação, a Câmara Municipal disse que contribuiu com o trabalho do Gaeco na operação na manhã desta terça-feira. "A instituição (Poder Legislativo) reforça seu respeito e sua confiança no Poder Judiciário, no Ministério Público e no devido processo legal como instrumentos essenciais para o esclarecimento dos fatos", diz a nota.
A outra operação na Câmara Municipal, a "Inconfidência", atingiu o gabinete do vereador Márcio Carneiro (Cidadania) e foi realizada pelo Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), também vinculado ao Ministério Público.
Segundo o MP, a operação apura o vazamento de informações relacionadas a investigações do Gepatria. O vereador Márcio Carneiro não se pronunciou. O Gepatria atua em ações que envolvem fraudes e desvios de recursos em administrações públicas.
Vereador Márcio Carneiro, investigado pelo Gepatria
Em nota, Câmara diz que respeita ações do MP
Eis a íntegra da nota da Câmara Municipal de Guarapuava:
"A Câmara Municipal de Guarapuava informa que, na manhã desta terça-feira (24/06), o GEPATRIA — Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa — cumpriu dois mandados de busca e apreensão em dois gabinetes parlamentares localizados na sede do Poder Legislativo.
Desde o início da operação, a Câmara colaborou de forma plena com as autoridades, garantindo acesso total às suas dependências e prestando todo o apoio necessário ao cumprimento dos mandados.
A instituição reforça seu respeito e sua confiança no Poder Judiciário, no Ministério Público e no devido processo legal como instrumentos essenciais para o esclarecimento dos fatos.
Demais informações sobre a operação poderão ser obtidas diretamente com o GEPATRIA, pelo telefone (42) 3623-0276."
(Reportagem atualizada às 6h de quarta-feira, dia 25)
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