Vox Brasil: Lula 51% x Flávio 49%, na semana decisiva da campanha
Analistas observam avanços que incluem com movimentos independentes à campanha lulista
18/10/2026
Pesquisa divulgada neste domingo aponta empate técnico; último Datafolha mostrou placar inverso, enquanto campanhas ampliam mobilizações nas ruas e nas redesO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 51% dos votos válidos, contra 49% do senador Flávio Bolsonaro (PL), na pesquisa Vox Brasil divulgada neste domingo (18), a uma semana do segundo turno da eleição presidencial.
A vantagem numérica de dois pontos percentuais mantém os candidatos em empate técnico, considerada a margem de erro do levantamento.
Lula já estava numericamente à frente na rodada anterior da Vox. Nos votos totais, agora neste último levantamento, o presidente passou de 44,2% para 46,4%, enquanto Flávio foi de 42,7% para 44,6%. A distância entre os dois variou de 1,5 para 1,8 ponto percentual.
A divulgação ocorre em meio à intensificação da campanha petista nas ruas e no ambiente digital e à mobilização de aliados de Flávio Bolsonaro no Sul. Os dois campos buscam transformar apoio político em comparecimento às urnas no próximo domingo, dia 25.
Na Vox Brasil, na pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, o resultado foi:
Os percentuais somam 99,9% por arredondamento. Excluídas as respostas sem indicação de candidato, o cálculo dos votos válidos resulta em 51% para Lula e 49% para Flávio.
Na consulta espontânea, sem apresentação de uma lista, Lula registra 44,9%, ante 43,8% do adversário. Nenhum, branco ou nulo somam 5,8%, e os que não souberam ou não opinaram representam 5,5%.
A rejeição é igual: 45,3% dizem que não votariam de jeito nenhum em Lula, e o mesmo percentual rejeita Bolsonaro. Na pergunta sobre quem vencerá a eleição, independentemente da preferência pessoal, 46,9% apontam o presidente e 41,6%, o senador. Essa resposta mede expectativa de vitória, não intenção de voto.
A três dias, Datafolha apresentou placar inverso
O último Datafolha, divulgado na quinta-feira (15), mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, também em empate técnico. Nos votos totais, o senador tinha 47%, contra 45% do presidente.
Os levantamentos retratam uma disputa apertada, mas não formam uma série única. A inversão da vantagem entre institutos, isoladamente, não comprova uma virada do eleitorado.
Na série do Datafolha, Flávio oscilou de 49% para 47% dos votos totais, enquanto Lula permaneceu com 45%. Assim, a redução da distância ocorreu pela oscilação negativa do senador, sem crescimento do presidente nesse recorte.
Analistas veem reação de Lula nas redes e nas ruas
Há sinais de maior mobilização petista fora das pesquisas de intenção de voto. O Índice de Popularidade Digital da Quaest mostrou Lula passando de 70,7 para 82,6 pontos entre 4 e 15 de outubro. Flávio recuou de 80 para 76,4 pontos.
À Folha de S.Paulo, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, atribuiu o movimento à mudança na comunicação de Lula, à atuação de aliados nas plataformas e à repercussão de manifestações. Também identificou acomodação em parte da base bolsonarista após o primeiro turno, marcada pelo clima de vitória antecipada.
Na avaliação de Nunes, a maior motivação dos apoiadores de Lula pode ajudar a reduzir abstenções. O indicador digital, porém, não equivale a uma pesquisa de intenção de voto nem demonstra, sozinho, transferência de eleitores.
Em análises feitas na sexta-feira, um dia depois do DataFolha, cientistas políticos e jornalistas especializados do O Globo observaram movimentações nos índices de indecisos, que teriam migrado para Lula.
A mobilização nas ruas também chamou a atenção de pesquisadores. Em reportagem da Folha, Beto Vasques, do Democracia em Xeque, destacou a participação de grupos organizados fora das estruturas partidárias. A professora Tathiana Chicarino, da Fespsp, apontou o caráter descentralizado dos atos e a combinação entre articulação pela internet e presença nas ruas.
Manifestações em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de atos em outras cidades, deram visibilidade à reação petista. Esse volume de campanha sinaliza engajamento, mas sua conversão em votos dependerá do comportamento dos eleitores no dia da votação.
Aliados de Flávio mobilizam bases no Paraná e em Santa Catarina
A campanha de Flávio também foi às ruas neste sábado (17). O candidato reuniu uma expressiva multidão no Farol da Barra, em Salvador (BA). Pela manhã, Jorginho Mello (PL), reeleito governador de Santa Catarina, participou de uma motociata em Florianópolis com os governadores eleitos Sérgio Moro (PL), do Paraná, e Zucco (PL), do Rio Grande do Sul. Curitiba recebeu carreata e discursos em apoio ao presidenciável.
Os atos ocorreram em estados de forte votação bolsonarista. No Paraná, Flávio obteve cerca de 60% dos votos válidos no primeiro turno, quando Moro venceu a disputa estadual. Em Santa Catarina, o senador recebeu 66,65%, e Jorginho foi reeleito na primeira rodada.
Com as eleições estaduais já resolvidas nesses estados, a mobilização presidencial enfrenta o desafio de manter o eleitor disposto a voltar às urnas. Por outro lado, não passou desapercebido o fato de os bolsonaristas preferirem reuniões em regiões onde já têm eleitorado conquistado, o que também foi interpretado como um gesto para reproduzir imagens para o resto do país.
A disputa pela participação ganha peso em um cenário de margens estreitas.
Metodologia
A Vox Brasil realizou 2.100 entrevistas presenciais em domicílios, de 15 a 17 de outubro. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Financiado com recursos próprios, o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04332/2026.
O Datafolha ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios nos dias 13 e 14 de outubro. A margem é de dois pontos, com confiança de 95%, e o registro é BR-00466/2026.
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