Vereador investigado por “rachadinha” deixa presidência do Conselho de Ética da Câmara de Curitiba
Assessora filma Lórens Nogueira pegando R$ 5,6 mil em dinheiro
27/05/2026
O vereador Lórens Nogueira (PP) renunciou à presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba após ser alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, que apura suspeitas de “rachadinha” e peculato.
O pedido de saída foi encaminhado à Mesa Diretora da Câmara nesta terça-feira (26). A substituição no comando do colegiado deverá ocorrer após nova eleição interna, conforme o regimento da Casa.
Na manhã do mesmo dia, o parlamentar do Progressistas foi alvo da Operação Déjà-vu, conduzida pelo núcleo de Curitiba do Gaeco. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Segundo os investigadores, a ofensiva busca apurar supostos desvios de recursos públicos por meio da prática conhecida como “rachadinha”, quando assessores devolvem parte dos salários a agentes políticos.
Durante a operação, os agentes apreenderam cerca de R$ 118 mil em dinheiro vivo, armazenados em duas malas, além de documentos e equipamentos eletrônicos que serão periciados. De acordo com o Ministério Público, a investigação contou com autorização judicial para ação controlada e identificou repasses de valores ao vereador compatíveis com o esquema investigado.
Um vídeo obtido pelos investigadores mostraria o parlamentar recebendo R$ 5,6 mil em espécie em uma entidade assistencial localizada no bairro Xaxim, em Curitiba.
Em nota divulgada após a operação, a defesa de Lórens Nogueira afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e disse confiar no devido processo legal, na ampla defesa e na presunção de inocência. Horas depois, porém, os advogados que haviam assinado o comunicado deixaram a defesa do caso.
A Câmara Municipal de Curitiba informou que autorizou o acesso do Gaeco às dependências do Legislativo para cumprimento da decisão judicial e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A Casa afirmou ainda que, até o momento, não recebeu comunicação formal sobre os motivos da apuração.
O diretório estadual do PP não havia se manifestado oficialmente sobre o caso até a noite desta terça-feira.
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