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Ratinho Jr quer criar um "escudo" para blindar o Paraná das "brigas nacionais"

Governador revela tendência "escapista" para assegurar comando da disputa estadual

26/03/2026

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), indicou nesta quinta-feira (26) uma mudança de estratégia com vistas às eleições de 2026: menos exposição no debate presidencial e maior controle sobre a sucessão estadual. A sinalização, feita durante entrevista em Pato Branco, ocorre após o recuo de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e em meio a um cenário ainda indefinido dentro de sua base política. "Tenho medo que as brigas de Brasília venham a atrapalhar o Paraná", declarou ele.

Ratinho Jr sinalizou que pretende manter um “distanciamento estratégico” das disputas nacionais, com o objetivo de criar uma espécie de “escudo” para o Paraná contra a polarização política de Brasília. A declaração sugere uma tentativa de preservar capital político regional diante de um ambiente nacional marcado por conflitos ideológicos e instabilidade entre blocos partidários.

Nos bastidores, a avaliação de aliados é que o governador busca evitar desgaste precoce ao se associar a um dos polos da disputa presidencial, o que poderia fragmentar sua base no estado – composta por partidos e lideranças com alinhamentos diversos no plano federal. Ratinho Jr também está no centro de ataques da oposição, que o associam ao escândalo do Banco Master.

Ao comentar sua decisão de abandonar a pré-candidatura à Presidência pelo PSD, Ratinho Jr voltou a mencionar razões “familiares” e “estaduais”. Segundo ele, a conjuntura pessoal e a necessidade de manter foco na gestão pesaram mais do que o projeto nacional.

A justificativa, no entanto, é vista com ressalvas por interlocutores políticos. Integrantes do próprio partido apontam que a dificuldade de consolidação de uma candidatura competitiva no plano nacional – somada à ausência de consenso interno no Partido Social Democrático – também contribuiu para o recuo.

Sucessão em aberto e prazo estendido

No plano estadual, Ratinho Jr evitou antecipar uma definição sobre seu candidato ao governo em 2026, contrariando as expectativas colocadas anteriormente pelo seu próprio grupo, de que a definição sairia até o final deste mês. Citou os nomes do secretário Guto Silva e do deputado Alexandre Curi como opções naturais, mas introduziu um novo elemento: a possibilidade de adiar a escolha até julho, quando ocorrem as convenções partidárias.

A estratégia amplia o tempo de negociação dentro da base e permite ao governador monitorar o desempenho dos pré-candidatos, além de ajustar alianças conforme o cenário nacional evoluir.

Novo ator no tabuleiro

O cálculo político de Ratinho Jr coincide com a emergência de um terceiro nome: o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que passou a ser ventilado como opção do Palácio Iguaçu. A hipótese inclui uma composição em que Guto Silva figuraria como vice.

A entrada de Pimentel no radar ocorre paralelamente à sua inclusão em pesquisas estaduais, o que indica uma tentativa de testar viabilidade eleitoral antes de uma eventual formalização da candidatura.

Leitura política

O movimento do governador revela uma dupla operação: ao mesmo tempo em que se retira do "front nacional", preservando-se de uma disputa incerta, Ratinho Jr reorganiza o jogo interno no Paraná, mantendo controle sobre o processo sucessório.

Ao estender prazos e estimular múltiplas candidaturas dentro de sua órbita, o governador ganha margem de manobra para arbitrar conflitos e consolidar uma solução de consenso – ou, ao menos, minimizar rupturas em sua base. 

Em outro flanco, outras ações começam a desgastar a base do pré-candidato a governador Sérgio Moro (PL). Nesta quinta-feira, dezenas de prefeitos do Paraná aliaram-se ao deputado federal Fernando Giacobo e anunciaram desfiliação do PL. 

A depender da evolução do cenário nacional, o “distanciamento estratégico” de Ratinho Jr pode também funcionar como ativo político, permitindo ao governador reposicionar-se mais adiante, seja como fiador regional de uma candidatura presidencial, seja como liderança autônoma em um campo político ainda em rearranjo.

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