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Público ou privado: vivemos um dilema sem precedentes

Áreas estratégicas não são coisas abstratas

28/05/2026

JEFERSON REZENDE (*)

O Brasil acorda a cada dia diante de uma nova notícia de corrupção ou de desvio da Coisa Pública, como se isso fosse algo normal.

Nossas Estatais operam no vermelho, e o prejuízo é rateado para a sociedade. Em alguns casos, como foi com a Petrobras, seus funcionários pagam mensalmente por desvios (roubo!), nos seus holeirites.

Então surge àquele discurso “salvador”: vamos privatizar tudo ou quase tudo porque isso ou aquilo não é papel do Poder Público. Em momentos como o atual, de fato, a bandeira se posiciona muito bem.

Mas, afinal, qual o papel do Poder Público mum país como o Brasil – de dimensões continentais e com diferenças regionais absurdas? Como equilibrar as demandas da sociedade por desenvolvimento integrado sem que isso pese para a outra parte, menos dependente?

Quero crer que isso seja factível, até porque o Brasil é uma Nação diferente de todas e de tudo o que conhecemos. Embora nossas terras consigam entregar até 3 safras no ano; nosso clima seja favorável para quase tudo; não temos neve nem vulcões; ... talvez sejamos o país mais próximo da perfeição, e ainda assim, não conseguimos nos tornar uma grande Nação mundial sob o ponto de vista econômico e social!

Nosso problema somos nós mesmos, que olhamos mais para o nosso umbigo do que para o ombro ao lado. Nossa gente sempre quer levar alguma vantagem sobre o outro, mesmo que
essa vantagem não seja positiva. Somos preguisosos... egoístas... ou apenas somos o que somos????

Aceitar programas sociais (bolsas), perenemente não pode ser normal!

As pessoas precisam viver com dignidade, precisam se orgulhar do seu trabalho. O Estado tem a obrigação
de fomentar a autoestima e o desejo por um futuro melhor e não a dependência por seus favores.
As privatizações na maioria dos casos, não resolveram nossos problemas, ao contrário, nos criaram outros: rodovias pedagiadas caras sem as melhorias estruturais prometidas; aeroportos
vendidos com a promessa de investimentos e menores custos, pararam no tempo e ficaram muio
mais caros. Celulares que não pegam dentro das cidades... internet que não entrega qualidade...

Onde erramos? Por que aqui as coisas são mais difíceis, e as vezes um caos?
Se enxugamos a participação do Estado deveríamos ter enxugado na mesma proporção impostos e contribuições! Se ainda temos Estado ativo em áreas estratégicas, não podemos aceitar desvios de conduta ou falta de zelo com a Coisa Pública.
Esse é o ponto e não apenas o discurso simplista de que o Estado não pode ou não deve estar ali ou acolá: o Estado deve ser gerido de maneira responsável, com respeito e compormetimento.

E a cada privatização realizada, deve haver um recuo na Carga Tributária proporcional.

Mas algo que jamais pode ser simplificado ou esquecido, é o Papel do Poder Público em setores ou atividades sensíveis como é o caso de infraestrutura aeroportuária... da educação aeronáutica civil promovida por Instituições do terceiro setor: leia-se AEROCLUBES... entre outros tão
importantes quanto. Não dá para privatizar tudo!

Jamais nos tornaremos o tão sonhado País de primeiro mundo, enquando tratarmos de maneira abstrata e desrespeitosa atividades e segmentos estratégicos.

(*) JEFERSON REZENDE é piloto de aviões. Presidente do Aeroclube de Guarapuava, Escola de Aviação Civil.

TRIBUNA LIVRE é um espaco aberto para opinião, não expressando, necessariamente, posição do Portal Paraná Central, de responsabilidade exclusiva dos autores.

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