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PR-364 é rota alternativa à Serra da Esperança, mas pode enfrentar congestionamentos

Rodovia estadual tem pista simples, sem acostamento e sobrecarga de tráfego

14/08/2026
Rodovia estadual liga a BR-277 a Inácio Martins e Irati; pista simples, ausência de acostamento e excesso de veículos podem transformar o desvio em novo gargaloRodovia estadual liga a BR-277 a Inácio Martins e Irati; pista simples, ausência de acostamento e excesso de veículos podem transformar o desvio em novo gargalo

Quando a BR-277 fica bloqueada na Serra da Esperança, entre Guarapuava e Prudentópolis, uma das principais alternativas para os motoristas é deixar a rodovia federal e seguir pela PR-364, passando por Inácio Martins. O desvio, porém, não é uma solução rápida: a estrada estadual é de pista simples, não possui acostamento em boa parte do percurso e não foi dimensionada para receber o volume de veículos que normalmente circula pela BR-277.

A situação já foi registrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), que chegou a recomendar que veículos pesados evitassem a PR-364 durante bloqueios da BR-277. Em uma interdição anterior, o órgão informou que o tráfego na estadual chegou a ficar cerca de dez vezes acima do fluxo normal, provocando congestionamentos e longos períodos de espera.

Como acessar a PR-364 pela BR-277

Para quem está na BR-277 no sentido Guarapuava-Curitiba, o acesso à rota alternativa ocorre na altura do km 323, em Guará, onde o motorista deixa a rodovia federal e entra na PR-364.

A partir daí, o percurso segue pela rodovia estadual em direção a Guarapuavinha, Inácio Martins e Guamirim, antes de chegar à região de Irati.

O trajeto pela PR-364 entre o acesso em Guará e Irati tem aproximadamente 91 quilômetros. Em Irati, o motorista acessa a BR-153 e percorre mais cerca de 6 quilômetros no sentido norte, até reencontrar a BR-277 na altura do km 239.

Assim, o desvio completo entre os dois pontos da BR-277 soma aproximadamente 97 quilômetros.

Quanto aumenta o caminho

O motorista que utiliza a alternativa não simplesmente contorna alguns quilômetros da Serra da Esperança. Ele deixa a BR-277 no km 323 e só volta à rodovia federal aproximadamente no km 239.

Isso significa que o desvio percorre 97 quilômetros por rodovias estaduais e pela BR-153, além de substituir um trecho direto da BR-277 por uma rota muito mais longa.

O tempo efetivo da viagem, entretanto, depende fortemente das condições de tráfego. Quando centenas de veículos deixam a BR-277 ao mesmo tempo, a PR-364 pode ficar congestionada e reduzir significativamente a vantagem do desvio.

PR-364 passa por Inácio Martins

A PR-364 é uma importante ligação regional do Centro-Sul paranaense. No trecho utilizado como desvio, a rodovia passa por áreas rurais e pelo município de Inácio Martins, antes de alcançar Guamirim e a região de Irati.

Segundo dados do DER-PR, o segmento entre Inácio Martins e a região de Guará possui aproximadamente 37,7 quilômetros, considerando os trechos identificados entre o município, Góes Artigas e o entroncamento com a BR-277.

A estrada, portanto, não foi construída como uma via expressa paralela à BR-277. É uma rodovia de características regionais, utilizada normalmente por um fluxo muito menor de veículos.

O problema: uma rota alternativa que também trava

O principal risco do desvio aparece justamente quando ele passa a ser utilizado por um grande número de veículos simultaneamente.

A PR-364 é de pista simples e sem acostamento em trechos importantes. Quando um caminhão apresenta pane, sofre acidente ou precisa reduzir drasticamente a velocidade, não há espaço lateral suficiente para retirá-lo rapidamente da faixa de circulação.

O problema se agrava em períodos de chuva, quando a visibilidade diminui e as condições da pista e das margens ficam mais difíceis.

Foi exatamente essa situação que levou o DER-PR a alertar, em dezembro de 2024, que veículos pesados não deveriam utilizar a PR-364 como rota alternativa durante uma interdição total da BR-277. O órgão informou que a estrada estava recebendo fluxo aproximadamente dez vezes superior ao normal e que panes de caminhões provocavam congestionamentos e longos períodos de espera.

Excesso de veículos cria um novo gargalo

A lógica é simples: quando a BR-277 trava, milhares de motoristas procuram uma saída. A PR-364 passa então a receber, em poucas horas, um volume para o qual não foi dimensionada.

O resultado pode ser um efeito semelhante ao da própria Serra da Esperança: filas, baixa velocidade, dificuldade de ultrapassagem e aumento do tempo de viagem.

A situação é particularmente delicada para caminhões. Em uma rodovia de pista simples, veículos pesados podem reduzir a velocidade nas subidas e formar longas filas atrás deles. Sem acostamento, uma pane pode bloquear parcialmente a pista e provocar retenções ainda maiores.

Por isso, a PR-364 funciona como rota de contingência, mas não como substituta equivalente da BR-277.

Caminho alternativo exige planejamento

Para quem precisar utilizar o desvio no sentido Guarapuava–Curitiba, o roteiro é:

BR-277 → km 323/Guará → PR-364 → Guarapuavinha → Inácio Martins → Guamirim → Irati → BR-153 → BR-277, km 239

No sentido contrário, de Curitiba para Guarapuava, o percurso é invertido: o motorista deixa a BR-277 no km 239, entra na BR-153 por aproximadamente 6 quilômetros e depois acessa a PR-364, seguindo por cerca de 91 quilômetros até Guará, onde retorna à BR-277 no km 323.

A alternativa pode ser útil quando a BR-277 está completamente interditada, mas não significa necessariamente uma viagem mais rápida. Em situações de grande concentração de veículos, a própria rota de fuga pode ficar congestionada.

Para motoristas de veículos pesados, a recomendação oficial já foi de evitar a PR-364 em situações de bloqueio da BR-277, justamente pelas limitações de infraestrutura e pela baixa capacidade de absorver o tráfego extraordinário.

A PR-364, nesse cenário, revela um dos problemas estruturais da ligação rodoviária do Centro-Sul do Paraná: quando o principal corredor trava, as alternativas disponíveis também têm capacidade limitada para absorver o fluxo da BR-277.

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