Operação contra bets chega ao Paraná e mira patrimônio de até R$ 1,1 bilhão
Policiais apuram suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro na exploração de aposta
13/08/2026
Ação da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal investiga suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligadas à exploração de apostas; equipes cumprem no Paraná ordens judiciaisA Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira (13), também tem alvos no Paraná e investiga um suposto esquema bilionário envolvendo a exploração de bets, sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão em 14 endereços de cinco estados: Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Sergipe. A Justiça autorizou ainda o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão, segundo informações divulgadas sobre a investigação.
Até às 18 horas desta quinta-feira, não havia confirmação pública de prisões no Paraná relacionadas à Operação Arena. Também não foram divulgadas, nas fontes consultadas, informações oficiais detalhando quais cidades paranaenses tiveram mandados cumpridos ou quais bens foram efetivamente apreendidos no Estado.
▪ Veja também
- Gaeco cumpre mandado em Guarapuava em nova fase da Operação Via Pix
- Motorista mata colega ao dar marcha à ré com caminhão em Guarapuava
- Nova Laranjeiras: BR-277 é liberada após quase 6 horas de espera
- VÍDEO: BR-277 tem congestionamento de 13 km após confronto e saque de carga em Nova Laranjeiras
- BR-277 vira ‘praça de guerra’ após saque de carga e confronto com indígenas no Paraná
A investigação envolve a Pixbet e empresas relacionadas, segundo reportagens publicadas nesta quinta-feira. Os investigadores suspeitam que recursos obtidos com apostas tenham sido transferidos para empresas constituídas no exterior que, apesar de movimentarem valores elevados, não apresentariam atividade econômica compatível.
A suspeita é de que o grupo tenha utilizado uma combinação de empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, criptomoedas e outras estruturas financeiras para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
De acordo com os elementos reunidos na investigação, parte do dinheiro teria sido enviada para o exterior e posteriormente retornado ao Brasil com aparência de operações legais, inclusive na forma de dividendos ou investimentos.
Empresas no exterior seriam usadas para ocultar dinheiro
Um dos mecanismos investigados envolveria empresas estrangeiras que, segundo a apuração, não teriam estrutura econômica compatível com os valores movimentados.
A investigação aponta que recursos provenientes das apostas poderiam ser enviados ao exterior, convertidos em criptomoedas ou dólares e posteriormente reinseridos no sistema financeiro brasileiro. A movimentação teria como objetivo dificultar a identificação dos beneficiários finais e conferir aparência de legalidade aos recursos.
Os investigadores também apuram possível omissão de rendimentos e utilização de estruturas empresariais para reduzir ou evitar irregularmente o pagamento de tributos.
Sequestro de bens pode chegar a R$ 1,1 bilhão
Além das buscas, a Justiça determinou medidas patrimoniais contra os investigados. O valor inicialmente informado pela Receita Federal era de aproximadamente R$ 1 bilhão, enquanto informações divulgadas após o início da operação apontam autorização para sequestro de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
O montante está relacionado às estimativas dos valores que, segundo os investigadores, podem estar envolvidos nas irregularidades.
A medida não significa que todo esse valor tenha sido efetivamente apreendido em dinheiro ou bens. Trata-se do limite patrimonial estabelecido judicialmente para as medidas de constrição.
Receita Federal participa com 40 servidores
A Receita Federal participa da operação com 40 auditores-fiscais e analistas-tributários. O trabalho envolve a coleta de documentos e informações para identificar eventuais infrações tributárias, administrativas e penais.
A Receita passou a integrar a investigação em 2025, concentrando a atuação na análise de possíveis fraudes estruturadas, planejamento tributário abusivo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Os documentos e demais elementos recolhidos durante as buscas serão analisados e poderão subsidiar futuras autuações fiscais, inclusive para a cobrança de tributos eventualmente devidos.
Advogado também está entre os alvos
Entre os alvos da operação está o advogado Nelson Wilians, de São Paulo, segundo informações. O escritório dele, o NWADV, informou que sua relação com a Pixbet é estritamente profissional e relacionada à prestação de serviços jurídicos. A defesa afirma repudiar qualquer tentativa de associar a atividade advocatícia às eventuais condutas de clientes.
A investigação, por sua vez, busca esclarecer o caminho percorrido pelos recursos e identificar os responsáveis pelas operações consideradas suspeitas.
Paraná está entre os estados investigados
A presença do Paraná na Operação Arena coloca o Estado entre os cinco locais atingidos pela investigação nacional. Até a publicação desta reportagem, porém, as autoridades não haviam divulgado, de forma detalhada, quais municípios paranaenses foram alvo dos mandados, nem um balanço específico das apreensões realizadas no Estado.
As informações podem ser atualizadas ao longo das diligências à medida que a Polícia Federal, a Receita Federal ou o Ministério Público Federal divulguem o balanço da ação.
Todo mundo fala
-
TRÂNSITOColisão na BR-277 provoca incêndio, mata motorista e deixa sete feridos graves em Candói -
TRÂNSITOAcidente com quatro mortes interdita BR-277 por duas horas e meia em Guarapuava; PRF divulga novos detalhes -
FUTEBOL Athletico-PR vira sobre o São Paulo em cinco minutos, vence por 2 a 1 e entra no G-3 do Brasileirão -
SEGURANÇABR-277 vira ‘praça de guerra’ após saque de carga e confronto com indígenas no Paraná

