"Perfil técnico" coloca Guto Silva na dianteira da sucessão de Ratinho Junior
Governador sinaliza preferência por candidato e disputa interna no PSD expõe diferenças entre perfis
17/02/2026
A sucessão estadual de 2026 começa a ganhar contornos mais claros no Paraná, e o principal critério estabelecido pelo governador Ratinho Junior – a escolha de um nome com “perfil técnico” – posiciona o secretário das Cidades, Guto Silva, como favorito dentro do Partido Social Democrático (PSD). Aos 49 anos, com trajetória empresarial e atuação internacional, Silva consolidou-se como o pré-candidato que reúne maior alinhamento com o projeto administrativo do atual governo e que, nos bastidores, já é tratado como o nome preferido do Palácio Iguaçu.
A sinalização pública ocorreu em dezembro, durante agenda oficial em Guarapuava, quando o governador afirmou que a escolha do grupo político recairá sobre alguém “com identidade e condições de dar continuidade ao grande projeto” em curso no Estado. A frase, citada em resposta a uma pergunta do jornalista Paulo Esteche , editor do Portal Paraná Central e do Viva Guarapuava , foi interpretada por aliados como um recado direto à disputa interna.
Embora ainda sem definição formal – prevista para ocorrer entre março e abril –, o PSD abriga outros nomes que se movimentam politicamente. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, mantém forte presença institucional e ampliou sua visibilidade com o programa Assembleia Itinerante, iniciativa que percorre municípios coletando demandas regionais. Seu perfil, porém, é visto como mais político do que técnico, característica que, na leitura de interlocutores do governo, não se encaixa no modelo de candidatura defendido por Ratinho Junior.
Outro nome citado é o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba por três mandatos e reconhecido pela projeção administrativa na capital. A influência política de Greca, contudo, ainda é considerada concentrada na antiga Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, a capital paranaense, fator que limita sua competitividade estadual dentro da lógica de sucessão desenhada pelo grupo governista.
Currículo técnico e trajetória administrativa
A ascensão de Guto Silva na disputa está diretamente ligada à trajetória administrativa construída ao longo da gestão Ratinho Junior. Empresário e consultor internacional com atuação em dezenas de países, ele ingressou na política como vereador mais votado de Pato Branco em 2008 e posteriormente se elegeu deputado estadual.
Como chefe da Casa Civil entre 2019 e 2022, coordenou reformas administrativas voltadas à redução de gastos e modernização da máquina pública – iniciativas que, segundo o governo, geraram economia bilionária ao Estado. Nesse período também liderou o programa Descomplica Paraná, responsável por reduzir o tempo de abertura de empresas e simplificar procedimentos burocráticos.
Na sequência, assumiu a Secretaria do Planejamento, onde coordenou dezenas de projetos estratégicos voltados à inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional, ampliando o perfil de gestor técnico que hoje o diferencia na disputa interna. Atualmente à frente da Secretaria das Cidades, intensificou agendas regionais e participação em eventos institucionais, movimento interpretado como preparação antecipada de candidatura.
Guto mostra postura confiante
Embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito, interlocutores do governo avaliam que o discurso recorrente sobre “perfil técnico” funciona como mecanismo de balizamento interno e reduz o espaço para disputas prolongadas dentro da base governista. Ao mesmo tempo, a postura pública mais assertiva de Guto Silva – que já fala como pré-candidato e intensifica presença em agendas regionais – indica confiança na consolidação de seu nome.
A definição formal do candidato governista, prevista para o primeiro semestre, tende a reorganizar a disputa eleitoral no Estado, influenciando alianças partidárias e estratégias de oposição. Até lá, a movimentação interna do PSD continuará sendo o principal termômetro da sucessão paranaense, com o peso político do governador funcionando como fator decisivo na escolha final.
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