A direita no Paraná: entorta, mas não racha?
13/02/2026
O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) transformou a própria pré-candidatura ao governo do Paraná em um termômetro das tensões que atravessam a federação PP-União Brasil. Entre acenos públicos, reuniões reservadas e recados atravessados, o ex-juiz da Lava Jato alterna gestos de confiança e sinais de cautela, enquanto o PP estadual ameaça bloquear sua entrada na disputa.
No centro da resistência está o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), principal liderança progressista no Estado. Barros tem feito valer o peso da máquina partidária para lembrar que, na federação, decisões estratégicas passam por negociação – e que o PP paranaense não aceita ser mero coadjuvante na escolha do cabeça de chapa. Na prática, Barros atua como anteparo aos movimentos de Moro, no mesmo terreno em que tenta abrir espaço para o clã familiar, colocando o nome da esposa, a ex-governadora Cda Borghetti, como vice na chapa de Guto Silva, o preferido do governador Ratinho Junior (PSD) para ser seu sucessor.
Aliados de Moro afirmam que ele tem procurado diálogo com a executiva estadual para evitar um confronto aberto. Mas, no entorno de Barros, a leitura é de que a candidatura só prospera com “garantias políticas” e composição proporcional na chapa majoritária. Traduzindo: sem acordo, há risco real de veto.
Greca, o inquieto
Enquanto isso, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD) movimenta-se como peça avulsa num tabuleiro cada vez mais congestionado. Em um momento, sinalizou disposição para ser vice de Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa. Em outro, mostrou-se “pensativo” sobre compor com Guto Silva (PSD). Por fim, pediu para apagar tudo, dizendo o que ele, mesmo, é ser o candidato ao governo.
Sem espaço consolidado no grupo do PSD, Greca passou a ventilar, nos bastidores, a hipótese de disputar o governo por outra legenda – PP ou PL –, numa guinada que o colocaria em oposição ao próprio grupo de Ratinho Junior.
A movimentação é interpretada por aliados como tentativa de se manter no jogo diante da clara preferência do governador por Guto Silva.
Flávio Bolsonaro em cena
A disputa estadual ganhou dimensão nacional quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já pontuando nas pesquisas em patamar próximo ao de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a especular apoio a Moro no Paraná.
O recado foi interpretado como dirigido a Ratinho Junior: se o governador insistir em projeto presidencial próprio – hipótese incentivada pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab – e não embarcar numa eventual candidatura de Flávio, o bolsonarismo poderá estimular um palanque robusto de oposição no Paraná.
A equação é delicada. Kassab, tutor de uma possível candidatura presidencial de Ratinho, é descrito por interlocutores como pragmático: diante de resistência do bolsonarismo, poderia reavaliar alianças, inclusive com o campo de Lula, se isso ampliar a influência nacional do PSD.
Sinais trocados
Nesse ambiente de incertezas, circulou a informação de que Alexandre Curi teria se reunido recentemente com a ministra Gleisi Hoffmann (PT), apontada como pré-candidata ao Senado no Paraná. A conversa não foi confirmada oficialmente, mas, no grupo do PSD, foi lida como possível gesto de autonomia — ou de pressão.
Para aliados de Curi, o encontro, se ocorreu, faria parte do “diálogo institucional”. Para adversários internos, seria aviso de que, caso seja preterido na escolha do candidato ao governo, ele pode buscar alternativas fora do arranjo principal.
O fato é que, na direita paranaense, a disputa deixou de ser apenas sobre nomes e passou a envolver projetos nacionais. Moro depende de um acordo que neutralize o veto do PP estadual. Greca tenta evitar o isolamento. Ratinho busca manter o controle da sucessão sem comprometer ambições maiores. E Bolsonaro observa, pronto para transformar o Paraná em peça estratégica de um embate que ultrapassa as fronteiras do estado.
No fim, o que parecia uma disputa regional tornou-se prévia de um rearranjo mais amplo — em que federações partidárias, lealdades estaduais e ambições presidenciais se entrelaçam num jogo em que ninguém quer ser o primeiro a recuar.
Há controvérsias
E o Alexande Curi, vai fazer o quê?
Todo mundo fala
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