Cidades > TRAGÉDIA

Os nomes da tragédia: quem são as vítimas do tornado

Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava velam seus mortos

08/11/2025
José Neri Geremias, agricultor do assentamento Nova Geração em Guarapuava José Neri Geremias, agricultor do assentamento Nova Geração em Guarapuava

A dor agora tem nome e endereço. No chão de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, seis histórias se encerraram com o barulho do vento. O tornado que rasgou o centro-sul do Paraná, o mais devastador da história do estado, não deixou apenas destroços: espalhou silêncios.

Entre eles, o de Julia Kwapis, 14 anos, que se preparava para a crisma. Na sexta-feira à noite, estava na casa de uma amiga quando a ventania arrancou o telhado e, junto, a infância de uma cidade.

Adriane Maria de Moura, 47, estava num supermercado quando o teto desabou. Os colegas a encontraram entre prateleiras retorcidas e produtos espalhados.

Em Guarapuava, o agricultor José Néri Geremias, 53, tentava proteger a casa no assentamento Nova Geração. O vento foi mais rápido. A parede cedeu. A viga de concreto o atingiu em cheio. A mulher sobreviveu – e foi ela quem contou aos bombeiros como tudo aconteceu, entre soluços e destroços.

No total, são seis mortos e mais de 750 feridos, segundo a Defesa Civil. Claudino Paulino Risse, 57; Jurandir Nogueira Ferreira, 49; e José Gieteski, 83, completam a lista que o governo estadual divulgou neste sábado (8).

Em Rio Bonito do Iguaçu, o que antes era uma cidade de ruas largas e casas térreas virou um tabuleiro de escombros. A energia ainda não voltou em várias regiões, e as sirenes não param de soar. No ginásio municipal, onde as famílias buscam abrigo, os voluntários distribuem cobertores e café quente. A fila para o banho se mistura à dos que procuram notícias de parentes.

Do lado de fora, a lama. Dentro, a incredulidade.

Um morador de 62 anos, que ajudava a retirar destroços de uma escola, disse sem levantar os olhos: “A gente só escutava o barulho. Parecia um trem passando por cima da cidade.”

O governador decretou luto oficial de três dias. A bandeira do Paraná, a meio-mastro no Palácio Iguaçu, tremula num vento que agora parece tímido demais diante da memória do que fez.

Recomendado para você

Últimas Notícias

Seletiva Internet