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Na arena política do Paraná, um deputado constrói sua história

Como Artagão Junior se tornou um dos pilares do governo Ratinho Junior, em meio a disputas veladas e códigos não escritos

23/06/2025
Artagão Junior: obras e costuras políticas no projeto Ratinho JuniorArtagão Junior: obras e costuras políticas no projeto Ratinho Junior

No silêncio metódico das articulações políticas, Artagão de Mattos Leão Júnior (PSD), 50 anos, tem se firmado como uma das figuras mais influentes da política regional do Paraná. Filho do ex-deputado Artagão de Mattos Leão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas, e parte de uma linhagem com raízes fundas na política paranaense, o atual deputado estadual não apenas consolidou seu espaço na Assembleia Legislativa, como também se tornou peça-chave na engrenagem do governo de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD).

Desde que o jovem governador assumiu o Palácio Iguaçu em 2019 com um discurso de renovação e pragmatismo, Artagão Junior se posicionou como um dos operadores políticos mais eficazes para viabilizar essa promessa longe de Curitiba — mais precisamente, no coração do Estado e em outras regiões deste vasto Paraná.

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Nomeado vice-líder do Governo na Assembleia, o deputado passou a exercer um papel que vai além das formalidades parlamentares. Firmou-se como uma espécie de chanceler regional de Ratinho Junior, com trânsito livre em prefeituras, consórcios, associações de municípios e, principalmente, nas secretarias e autarquias que detêm as chaves dos recursos públicos.

A dinâmica é conhecida por dentro e por fora da política: obras estaduais só chegam com força quando há um articulador de confiança nos bastidores. Em cidades como Guarapuava, o nome de Artagão tem estado, literalmente, na placa de inauguração. 

Artagão, Baitala e Ratinho: uma aposta política que deu certo, quando a grande maioria não acreditava na vitória do atual prefeito. Um projeto que precisou ser construído 

Esse tipo de capital político não se improvisa. É resultado de uma prática política que mistura fidelidade partidária, senso territorial e, sobretudo, trabalho diário –uma palavra que o próprio Artagão repete como mantra.

O parlamentar já perdeu a conta de quantos quilômetros faz por mês, em viagens pelo interior.

O recado de Artagão para o deputado Fábio Oliveira: vai ter que "lenhar" em outra freguesia para aprender a construir seus espaços 

O valor dos códigos políticos

Nesta semana que passou, essa construção meticulosa foi posta à prova. O deputado estadual Fábio Oliveira (Podemos), natural de Guarapuava, reivindicou publicamente a autoria de obras de poços artesianos e rede de água tratada no distrito de Guairacá e de escola no Residencial 2000. Na verdade, quem viabilizou e fez reuniões com a comunidade foi Artagão Junior, em parceria com o prefeito Denilson Baitala (PL).

A reação foi imediata. Líderes comunitários divulgaram vídeos relembrando visitas, reuniões e compromissos firmados com Artagão Junior, muitos deles acompanhados de registros fotográficos ao lado do parlamentar. O gesto foi interpretado não apenas como um ato de desagravo, mas como um recado claro de que, na política regional, legitimidade ainda se constrói no corpo a corpo – e se defende com lealdade.

Em público, Artagão reagiu com uma repreensão rara para seus padrões – um "puxão de orelha" político, como definiram interlocutores. Nos bastidores, aliados disseram que não se trata de ciúmes ou reserva de mercado, mas de um código tácito que rege a convivência entre parlamentares da base: quem trabalha, colhe; quem tenta colher antes de plantar, perde a confiança.

Mais que um aliado, um construtor de base

Com Ratinho Junior, aliança construída com arquitetura política e programa de governo

A trajetória recente de Artagão Junior se entrelaça com o projeto de poder de Ratinho Junior. Ambos jovens, do mesmo partido e com pretensões futuras, formam uma aliança que se fortalece na complementaridade: enquanto o governador cuida da imagem pública e das costuras macro com o empresariado e o agronegócio, Artagão cuida do varejo político. Traduz promessas em obras, discursos em parcerias, presença em votos.

Foi nesse espírito que apoiou o atual prefeito de Guarapuava, Denilson Baitala, quando poucos acreditavam em sua viabilidade eleitoral. A aposta deu certo – e consolidou o domínio de Artagão sobre a interlocução do governo estadual na região.

Com seu estilo contido, mais técnico do que midiático, Artagão simboliza uma geração de políticos que entende a política como maratona e não como sprint. Seu nome dificilmente ocupa manchetes, embora seja proprietário de veículos de comunicação, mas sua influência ecoa nos bastidores do governo e nas decisões orçamentárias que afetam diretamente a vida de milhares de paranaenses.

O que vem a seguir

A disputa com Fábio Oliveira revelou uma fissura, mas também uma certeza: a base política de Ratinho Junior não é um território neutro. É um campo de construção contínua, onde os espaços são ocupados por mérito, estratégia e, acima de tudo, presença.

Para Oliveira, a lição é clara. Após o colapso da dobradinha com Deltan Dallagnol – cassado pelo TSE –, o deputado precisa encontrar novas fontes de legitimidade se quiser manter-se relevante. E para isso, mais do que manchetes, talvez precise de uma bússola mais sensível à geopolítica local.

Enquanto isso, Artagão Junior segue no seu ritmo, com passos firmes e discretos, pavimentando um caminho que parece cada vez mais sólido – não só para si, mas para o projeto de poder que ajudou a erguer com Ratinho Junior.

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