Moradores de rua tornam-se "caso de polícia" em Guarapuava
Praças na área central e semáforos são principais pontos de concentração
20/09/2025
Uma operação conjunta das forças de segurança foi deflagrada nesta última semana em Guarapuava para desarticular grupos de moradores de rua que ocupam praças e parques da cidade. A ação, que contou com participação ostensiva da Polícia Militar e da Polícia Civil, resultou na localização de um homem com mandado de prisão em aberto.
O número de pessoas em situação de rua cresceu visivelmente nas últimas semanas em Guarapuava, com concentrações nas praças Cleve e 9 de Dezembro, além de pontos estratégicos como a frente da Caixa Econômica Federal e semáforos das avenidas Manoel Ribas e Moacyr Silvestri. Nestes locais, é comum a abordagem direta a pedestres e motoristas para pedir dinheiro.
Tradicionalmente, o atendimento à população em vulnerabilidade é conduzido por equipes da assistência social. A presença da polícia, no entanto, marca uma mudança no tipo de abordagem adotada pelo poder público diante do avanço da ocupação de espaços públicos.
A operação, segundo fontes ligadas à segurança pública, tem como objetivo principal restaurar a sensação de ordem em áreas centrais da cidade, diante de reclamações crescentes de comerciantes e moradores sobre abordagens insistentes e permanência prolongada de grupos em espaços públicos. Ainda assim, a atuação policial em contextos de vulnerabilidade social reacende o debate sobre a efetividade – e os limites – do uso da força como resposta à exclusão. Os estudos, que incluem estatísticas, demonstram que essas questões não são resolvidas por trabalho policial, mas, em casos como o verificado em Guarapuava, entendeu-se a necessidade de policiamento para garantir o encaminhamento.
Na Praça Cleve, um ponto de concentração, moradores de rua chegaram a montar acampamentos improvisados, utilizando papelões, lonas e cobertores para pernoitar. No entanto, eles se valem de albergues para passar à noite, tomar banho, e retornar às ruas no dia seguinte. Quase todos têm problemas com drogas e álcool.
Apesar da "tolerância social", e dos investimentos públicos para acolher esse contingente, o problema veio se agravando e criou sensação de segurança entre comerciantes e moradores da cidade. Passar pela Praça 9 de Dezembro após 18 horas era quase impossível sem ser abordado, muitas vezes sob chantagem e ameaça.
Equipes da assistência social afirmam que realizam rondas regulares para encaminhar pessoas em situação de rua aos serviços de acolhimento, mas enfrentam resistência. Muitos recusam abrigo, citando regras rígidas, superlotação ou até violência entre internos. Outro detalhe é o vai-e-vem de internos, pois o ideal seria encaminhamento para tratamento e reinserção social – um trabalho que exige múltiplos esforços e, também, intervenções socioeconômicas para evitar a multiplicação dos moradores de rua.
O comando da PM informou que a operação se deu “dentro da legalidade e com respeito aos direitos individuais”, e que o foco é garantir a segurança da população e a preservação dos espaços públicos.
Especialistas alertam que a combinação de crise econômica, desemprego e aumento no custo de vida tem ampliado o número de pessoas em situação de rua em cidades médias como Guarapuava.
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