Millpar anuncia demissões e restrições de unidade em meio a choque tarifário dos EUA
Unidade de Guarapuava terá "readequação" de funcionários, anunciou a empresa
19/08/2025
Unidade de Guarapuava da Millpar, que empregava cerca de 1.000 funcionários antes das medidas anunciadas nesta terça-feira: direção da empresa diz que tarifaço dos EUA precipitou decisões A Millpar, uma das principais exportadoras brasileiras de madeira processada, anunciou cortes no quadro de funcionários e limitação de operações em Quedas do Iguaçu, após o governo dos Estados Unidos elevar de 10% para 50% as tarifas de importação sobre produtos madeireiros brasileiros. A medida, em vigor desde julho, ameaça a competitividade do setor e pressiona empresas que têm no mercado norte-americano seu principal destino de vendas.
A unidade em Guarapuava, com cerca de 1.000 funcionários, também deverá ser afetada com alterações, mas a direção da empresa não especificou a categoria e quantidade de trabalhadores que serão atingidos. Calcula-se que com o fechamento da fábrica de Quedas do Iguaçu, o número de demitidos chegue a "menos de 10%" do total de funcionários do grupo (1.100 no total, antes das demissões). Em Guarapuava, situada às margens da PR-466, próximo ao distrito de Palmeirinha, a Millpar é uma das principais indústrias madeireiras do município, que, por sua vez, é um dos setores que respondem pelo maior número de empregos na região.
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A Millpar já havia sido a primeira do Paraná a colocar trabalhadores da unidade de Guarapuava em férias coletivas, no dia 14 de julho, antecipando em três semanas os efeitos do chamado tarifaço imposto pelo governo dos EUA aos produtos brasileiros, na ordem de até 50%. Agora, com a deterioração do cenário, optou por demissões e pela suspensão de atividades em Quedas do Iguaçu.
“O ambiente adverso tornou necessária a redução do quadro de colaboradores”, afirmou a empresa em comunicado. “Seguimos com as operações em Guarapuava, nossa principal unidade, mas dentro de uma readequação de pessoal.”
Segundo o empresário Ettore Giacomet Basile, CEO da Millpar, as decisões visam preservar a sustentabilidade do negócio diante de um choque tarifário que redesenhou as condições de mercado. “Estamos tomando medidas extremamente difíceis, mas necessárias. Lamentamos as perdas, mas precisamos também proteger os postos de trabalho que permanecem”, disse.
A empresa informou que, além dos direitos trabalhistas, está oferecendo benefícios adicionais aos desligados, como auxílio-alimentação temporário, apoio psicológico e programas de recolocação profissional.
Impacto no setor
O setor madeireiro brasileiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024. A nova tarifa, porém, coloca em risco cerca de 180 mil empregos diretos em todo o país, de acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).
Empresários do setor avaliam que as medidas anunciadas pelo governo brasileiro até agora são paliativas, e que apenas negociações diretas entre Brasília e Washington podem reverter a escalada tarifária. “A solução definitiva depende de tratativas bilaterais que restabeleçam tarifas em níveis comercialmente viáveis”, afirmou Basile.
Incerteza global
A reação dos EUA insere-se em um contexto de crescente protecionismo, especialmente em setores ligados à construção civil e habitação. Fabricantes e compradores norte-americanos, por sua vez, também relatam incertezas, que levaram à paralisação de contratos e à postergação de novos pedidos.
Para a Millpar, o desafio é manter a resiliência em um mercado cada vez mais volátil. “Já enfrentamos grandes crises no passado. Nossa capacidade de adaptação será novamente testada, e a intermediação governamental será essencial para assegurar condições justas de comércio”, disse o CEO.
O Sindicato da Madeira de Guarapuava (SindusMadeira) e a Associação Comercial e Empresarial (ACIG), duas entidades com fortes vínculos ao setor madeireiro, até agora não se pronunciaram sobre o assunto, apesar da grande extensão do problema, social e econômico. É indispensável uma avaliação sobre o alcance desta crise em todo o segmento na região, já que são diversas empresas e trabalhadores, direta e indiretamente envolvidos, com grande impacto na sociedade.
Reportagem atualizada às 21h27 para correção de número de funcionários e confirmação do fechamento definitivo da fábrica de Quedas do Iguaçu.
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