JBS pode se expandir no Paraná e Guarapuava tem o perfil avaliado pelo Governo do Estado
Governador sugere regiões com baixo IDH, para "incentivar desenvolvimento"
10/11/2023
REDAÇÃO COM AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
A região de Guarapuava está entre as mais desenvolvidas no Brasil no setor do agronegócio, com exponencial produção e produtividade em várias culturas agrícolas e na pecuária, mas, simultaneamente, é uma das que compõe o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Paraná. Em meio aos vazios urbanos que permeiam as extensas áreas de terra, impera o desafio de industrializar a matéria-prima, movimentando a economia regional com mais investimentos, empregos e tributos que podem (e devem) ser reinvestidos em benfeitorias públicas.
Uma grande oportunidade está sendo aberta pela JBS, a maior indústria de alimentos do Brasil, que avalia instalar uma nova planta de abate e processamento de suínos no Paraná. A empresa também vai analisar a implantação de uma fábrica de biodiesel no Estado. Por recomendação do Governo do Estado, a proposta é que essas novas unidades sejam localizadas em municípios de baixo IDH para incentivar o desenvolvimento econômico de regiões menos favorecidas.
O assunto foi discutido durante almoço do governador Carlos Massa Ratinho Junior com os irmãos Joesley e Wesley Batista, acionistas da J&F Investimentos, controladora da JBS, e o CEO global da empresa, Gilberto Tomazoni, nesta quinta-feira (9), em São Paulo. O encontro ocorre duas semanas após a JBS inaugurar duas novas fábricas em Rolândia, no Norte do Estado. As novas unidades receberam investimento de R$ 1 bilhão para produção de salsichas e empanados.
Região de Guarapuava é a maior em extensão territorial de Guarapuava. Um dos maiores vazios urbanos do Paraná e de contrastes sociais e econômicos, entre a alta produção e produtividade agrícola e um dos mais baixos IDH do estado. É preciso atacar os problemas e melhorar o que já é bom. A industrialização é um dos caminhos
Projetos de integração na atividade agrícola foram tentados diversas vezes em Guarapuava, procurando seguir modelos implantados com sucesso no Sudoeste do Paraná e no Oeste de Santa Catarina, onde estão gigantes do processamento de carne, como a Aurora e a Seara. Estas regiões conseguiram viabilizar centenas de pequenas propriedades, integrando a produção agropecuária familiar a um sistema de alta eficiência técnico comandado por uma grande empresa, como é a JBS. A empresa transfere matéria-prima, conhecimento, faz acompanhamento técnico e de controle de qualidade e, ao final do processo, compra a produção.
CULTURA QUE SE FAZ
Há um conceito segundo o qual Guarapuava não tem tradição na agricultura familiar, com a prevalência de extensas propriedades rurais e a prioridade sobre o agronegócio. No entanto, estima-se que pelo menos 1.000 pequenas propriedades rurais apenas no município de Guarapuava carecem de regularização fundiária, limitando o acesso desses proprietários a projetos socioeconômicos e a dinheiro de financiamentos, por falta de documentos de titulação de posse.
Esta também é uma realidade em todos os municípios do entorno de Guarapuava, situação que piora quando se observa que a base da economia nesta área é essencialmente agrícola – formada por uma população que nasceu e se criou no meio rural, desprovida de condições ou de oportunidades de desenvolvimento. É o desequilíbrio que coloca a região Central do Paraná com baixo IDH, com reflexos na saúde, educação, distribuição de renda.
Maior desafio, porém, é entender e ter capacidade de mudar situações negativas. Se Guarapuava hoje não tem, ou perdeu, a mesma tradição que outras regiões onde a integração se estabeleceu, não significa que as gerações futuras possam ser sacrificadas como seus antepassados foram. Pelo contrário. É o momento de difundir uma nova mentalidade e de colocar alternativas para que centenas de famílias e propriedades sejam incluídas na dinâmica produtiva, com rentabilidade. Centenas de jovens estão sendo formados nas universidades locais, à espera de encaminhamento. Outros tantos aguardam uma formação.
A proposta aberta pelo Governo do Estado, de levar a JBS para municípios de IDH inferior, coloca Guarapuava e região diretamente na mira deste projeto.
BIODIESEL
“Além das duas novas fábricas de Rolândia, também estamos negociando com a JBS a possibilidade de uma nova planta de carne suína no Paraná. Já temos os dois maiores frigoríficos de suínos da América Latina no Paraná e agora também gostaríamos que a JBS possa ter mais uma planta no Estado”, disse Ratinho Jr no encontro com os empresários.
O governador também convidou a gigante de proteína animal a instalar uma fábrica para produção de biodiesel no Estado. “Estamos fazendo também uma construção com a JBS em cima de uma planta de biocombustível, já que o Paraná é o maior produtor de biocombustível do Brasil”, afirmou.
O governador citou que duas das maiores unidades produtoras de biocombustível do Brasil foram inauguradas nesse ano no Paraná. Uma da Be8, em Marialva, Noroeste, e uma da Potencial, na Lapa, Região Metropolitana de Curitiba, e que agora espera contar com uma fábrica da JBS. “Temos uma planta muito grande em Marialva e outra na Lapa e agora temos a possibilidade de ter mais uma planta, justamente do Grupo JBS”, justificou o governador.
LOGÍSTICA E MÃO DE OBRA
Ao fazer o convite, Ratinho Junior lembrou que o Paraná tem expertise na criação de suínos e no processamento de alimentos dessa proteína animal – tanto na mão de obra quanto na logística. O Estado é o segundo maior produtor de carne suína do Brasil. Predicados que, segundo o governador, qualificam o Paraná a receber um novo frigorífico da JBS.
“Claro que o investimento deste porte primeiro representa localmente geração de renda e emprego para muita gente. E o Paraná vive um grande momento, o que nos ajuda a poder consolidar esse projeto de transformar o estado no supermercado do mundo e, automaticamente, consolidar o Paraná como a indústria de transformação de alimentos, uma coisa que o Brasil ainda patina”, afirmou o governador.
NO PARANÁ
Maior indústria de alimentos do Brasil, a JBS movimenta sozinha R$ 19 bilhões na economia do Estado, dada a atividade de seus mais de 14 mil colaboradores no Paraná e o volume estimado de R$ 7,4 bilhões em geração de consumo interno. De acordo com o grupo, se confirmadas as novas plantas, as cadeias produtivas ligadas à Companhia vão ultrapassar o 1,6% de participação que já representam no PIB do Estado, segundo mostrou um estudo recente da Fipe, da USP.
Ainda não há estimativas de valores para os projetos. O CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse recentemente, na inauguração das fábricas em Rolândia, que a companhia tem planejados R$ 3 bilhões de investimentos no país e, se aprovada a operação de dupla listagem no Brasil e nos Estados Unidos, os aportes da JBS no Brasil até 2026 poderão totalizar R$ 15 bilhões – R$ 12 bilhões além dos já assegurados.
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