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Tarifas dos EUA pressionam setor madeireiro em Guarapuava e desafiam exportadores

Restrições comerciais reduzem competitividade e tornam a busca por novos compradores decisiva

13/10/2026
Em Guarapuava e região, riscos podem alcançar produção, transporte e empregosEm Guarapuava e região, riscos podem alcançar produção, transporte e empregos

O setor madeireiro e outras atividades dependentes de exportação chegam ao último trimestre de 2026 pressionados por tarifas, concorrência internacional e incerteza sobre o acesso aos principais mercados. Para Guarapuava e o Centro-Sul do Paraná, a perspectiva exige atenção: a perda de encomendas no exterior pode atingir indústrias, fornecedores florestais, transportadoras e prestadores de serviços.

As medidas dos Estados Unidos atingem de maneira diferente cada produto. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), vários tipos de madeira, móveis, máquinas, calçados e confecções estão sujeitos a sobretaxas acumuladas de 37,5%, decorrentes das decisões anunciadas em julho. A cobrança varia conforme a classificação da mercadoria e as exceções previstas. 

Para o exportador, o problema aparece na negociação. Embora a tarifa seja recolhida na importação, o comprador pode exigir descontos, reduzir pedidos ou procurar fornecedores com condições mais favoráveis. Nesse cenário, manter o volume vendido pode significar aceitar uma margem menor.

Madeira perde ritmo, apesar da melhora sobre 2025

Os números recentes mostram uma recuperação ainda instável. Levantamento da WoodFlow, com dados do Comex Stat, aponta que as exportações brasileiras dos dez produtos de madeira acompanhados pela empresa somaram US$ 127,3 milhões em setembro, queda de 7,7% em relação a agosto. O volume embarcado recuou 12,8%.

No terceiro trimestre, a receita caiu 13,5% frente ao trimestre anterior. As vendas desse conjunto de produtos aos Estados Unidos diminuíram 27,5%. Apesar disso, tanto setembro quanto o trimestre apresentaram crescimento na comparação com os mesmos períodos de 2025 – sinal de que a melhora anual convive com perda recente de ritmo. 

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) afirma que as novas tarifas comprometem negócios construídos ao longo de décadas e colocam em risco investimentos, produção e postos de trabalho. A entidade defende prioridade para as negociações comerciais com Washington. 

Em Guarapuava e região, o risco econômico é um efeito em cadeia: menos pedidos podem reduzir a compra de matéria-prima, a movimentação de cargas e a contratação de serviços. Essa é uma possibilidade decorrente do cenário comercial; os dados nacionais apresentados não permitem quantificar perdas de emprego ou produção nos municípios. Há informações, não confirmadas, de que pelo duas empresas de grande porte planejaram em fechar setores da produção, priorizando produção de compensados de alto padrão.

Buscar outros mercados ajuda, mas exige adaptação

A diversificação oferece oportunidades. No levantamento da WoodFlow, México, Reino Unido e Alemanha ampliaram suas compras de madeira brasileira no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. Entretanto, o crescimento nesses destinos não impediu que a receita total dos produtos analisados acumulasse queda de 1,9% entre janeiro e setembro. WoodFlow

Trocar de comprador também envolve prazo, frete, especificações e certificações. A Abimci mantém programas de apoio à adequação de produtos às exigências dos mercados europeu e britânico, mostrando que conquistar destinos depende também da capacidade técnica das empresas. 

A Europa, por sua vez, também apresenta restrições. Em abril, a União Europeia instituiu um direito antidumping definitivo sobre determinadas importações de compensado de coníferas originário do Brasil. A medida tem alcance específico e não abrange toda a madeira brasileira. 

Outros exportadores enfrentam barreiras próprias

Na pecuária, a China estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira, com tarifa de 12% dentro desse limite e sobretaxa de 55% sobre o volume excedente. A regra restringe a competitividade dos embarques acima da cota e aumenta a necessidade de distribuir as vendas entre diferentes destinos. 

Já a celulose tem situação distinta da madeira processada: segundo o quadro divulgado pelo MDIC em julho, a maior parte das exportações brasileiras desse produto aos EUA estava livre das sobretaxas adicionais analisadas pelo ministério. Essa diferença impede tratar toda a cadeia florestal como igualmente afetada. 

Perspectiva combina cautela e disputa por compradores

A leitura dos dados aponta para um fim de ano de recuperação desigual. Empresas com maior concentração em mercados restritivos ficam mais expostas à renegociação de preços e contratos. Aquelas com compradores diversificados e produtos adaptados a diferentes exigências tendem a ter mais alternativas.

Para o setor madeireiro do Paraná, a perspectiva depende da combinação entre negociação diplomática, demanda internacional e abertura de mercados. Enquanto as barreiras persistirem, o desafio será preservar a rentabilidade e dar regularidade aos embarques – condições necessárias para sustentar investimentos e empregos na cadeia produtiva.

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