Guarapuava, única cidade do Paraná com universidade estadual sem hospital universitário, fica fora de nova política para HUs
Avanços aconteceram depois de protestos de estudantes que chegarem ao 5º ano sem campo de prática
11/12/2025
Hospital Regional não atende de portas abertas e limita formação de alunos (Imagem: Freepik)Guarapuava é hoje a única cidade do Paraná que abriga uma universidade pública estadual – a Unicentro – mas não conta com um hospital universitário. A solução considerada viável por parte da comunidade acadêmica e de especialistas seria transformar o Hospital Regional em Hospital Universitário. A proposta, porém, enfrenta forte resistência em setores políticos e empresariais locais.
As limitações do Hospital Regional ajudam a explicar a disputa. A unidade não funciona de “portas abertas”: não atende pronto-socorro nem concentra especialidades médicas, dedicando-se majoritariamente a cirurgias eletivas. O modelo compromete tanto a formação dos estudantes da área da saúde da Unicentro quanto o atendimento da população, que deixa de ter acesso a mais um hospital plenamente operativo e a um corpo clínico mais robusto. Caso tivesse status universitário, o Regional poderia abrigar pesquisas, ampliar o número de leitos e aumentar a capacidade de diagnóstico e tratamento.
A Unicentro só passou a usar parcialmente o Regional como base de ensino quando os alunos de medicina já se aproximavam do 5º ano sem local adequado para as práticas obrigatórias – situação que motivou protestos nas ruas.
Sem um HU, Guarapuava e sua região ficam excluídas dos efeitos da lei sancionada nesta quarta-feira (10), que moderniza o modelo de gestão dos hospitais universitários estaduais e beneficia todas as demais universidades do Paraná.
A norma, assinada pelo governador Ratinho Junior, atualiza a governança dos quatro hospitais vinculados a instituições estaduais: HU/UEL (Londrina), HU/UEM (Maringá), HUOP/Unioeste (Cascavel) e HU/UEPG (Ponta Grossa). O texto mantém a Secretaria de Saúde (Sesa) como responsável pela assistência via SUS – inclusive pela definição do orçamento – enquanto a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e as universidades seguem à frente da parte acadêmica.
A lei também cria a Unidade de Monitoramento e Avaliação dos Hospitais Universitários (UMAHU), uma instância técnico-orçamentária da Sesa para analisar previamente contratos, dar previsibilidade financeira e garantir autonomia às universidades na gestão das práticas de ensino. O diretor-geral dos hospitais continuará sendo indicado pelos reitores, como ocorre hoje.
Ao reforçar a expansão e a coordenação entre governo e universidades, o novo marco favorece todas as regiões que já contam com HUs – exceto a de Guarapuava, que permanece sem um hospital universitário e sem acesso aos benefícios previstos na norma.
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