Thiago Juraski: a trajetória do cantor de Guarapuava que emociona festivais pelo Brasil
Com mais de 100 canções autorais, artista paranaense transforma viagens, teatro e experiências de vida em música
23/08/2026 Após conquistar o 5º lugar em festival nacional, Juraski revela a própria história e o significado de "Rama"O quinto lugar conquistado pelo cantor e compositor guarapuavano Thiago Juraski no 8º Festival Místico de Bueno Brandão (MG) chamou a atenção para um artista que há anos constrói sua carreira longe dos holofotes, mas próximo da essência da música brasileira.
Apenas com voz e violão, Juraski emocionou plateia e jurados ao interpretar a inédita "Rama", composição própria escolhida entre apenas 20 finalistas de um universo de 260 músicas inscritas.
Por trás da apresentação minimalista está uma trajetória marcada pela experimentação artística.
A pedido do Viva Guarapuava (Portal Paraná Central), o próprio cantor contou sua história, revelando como diferentes linguagens artísticas moldaram sua identidade como compositor.
Da música ao teatro: uma carreira construída pela arte
Thiago Juraski iniciou sua caminhada artística há cerca de 17 anos como músico em grupos de Guarapuava. Pouco tempo depois, decidiu ampliar seus horizontes e formou-se em Artes Cênicas, especializando-se em teatro de bonecos. Também trabalhou durante alguns anos como bailarino, experiência que, segundo ele, influenciou sua percepção sobre ritmo, movimento e expressão.
Hoje, atua principalmente com produções musicais e culturais, muitas delas ligadas ao teatro. Paralelamente, mantém uma produção autoral intensa: são mais de 100 músicas compostas e gravadas de forma independente, muitas produzidas em seu próprio estúdio caseiro.
As músicas que abriram portas pelo Brasil
Foi a canção "Pressa" que apresentou Thiago Juraski ao circuito nacional de festivais. A obra recebeu diversas premiações e abriu espaço para novas participações em eventos dedicados à música autoral.
Outro marco veio em 2024, quando "Ré Fá Sol Mi" chegou à final do Festival Nacional da Canção, um dos mais tradicionais do país.
Agora, "Rama" amplia esse percurso ao conquistar destaque em Minas Gerais, reforçando o nome do compositor entre artistas independentes brasileiros.
Onze estados pedalando com um violão
Talvez o capítulo mais singular da trajetória de Juraski tenha acontecido sobre duas rodas.
Durante alguns anos, o compositor percorreu o Brasil em cicloviagens levando apenas um violão. Ao todo, pedalou por 11 estados brasileiros em busca de paisagens, encontros e histórias.
Segundo ele, muitas dessas experiências transformaram-se em canções.
Essa vivência explica por que sua obra costuma dialogar com natureza, espiritualidade, silêncio e contemplação, temas que aparecem de forma recorrente em suas composições.
"Rama": uma canção sobre desacelerar
A letra de "Rama" convida o ouvinte a interromper o ritmo acelerado da vida contemporânea.
Logo nos primeiros versos, imagens simples – um tucano em voo, o caminhar para frente e para trás – criam uma sensação de movimento constante, enquanto o compositor lembra que a humanidade permanece esperando pelo futuro, esquecendo-se do presente.
Quando afirma que "o corpo precisa respirar", a música deixa de ser apenas contemplativa e se transforma numa reflexão sobre saúde emocional, ansiedade e excesso de estímulos.
Na sequência, versos como "Falta fôlego, falta folia" sintetizam uma sociedade cansada, onde a alegria parece substituída pela tensão cotidiana.
A natureza como metáfora da existência
A parte central da composição aproxima música e natureza.
Ao dizer que é preciso ouvir "a sinfonia que rege o universo" e enxergar "as cores que tocam os versos", Juraski propõe uma mudança de perspectiva: abandonar o ruído externo para perceber uma harmonia invisível presente na vida.
A letra mistura elementos físicos e espirituais ao afirmar que existe "harmonia nas cordas da pele" e "melodia em toda química canção", aproximando corpo, emoção e natureza em uma única experiência sensorial.
O significado da "rama"
O refrão concentra o principal símbolo da obra.
"Brilha a rama", "vibra a rama" e "vira a rama do verbo amar".
A palavra "rama" remete aos galhos novos das plantas, representação universal de crescimento, renovação e continuidade da vida.
Ao transformá-la em verbo poético, Thiago Juraski sugere que amar também é um processo de transformação permanente, semelhante ao florescimento de uma árvore.
É justamente essa combinação entre simplicidade, poesia e reflexão que ajuda a explicar por que "Rama" sensibilizou público e jurados em Bueno Brandão, consolidando mais um capítulo na trajetória de um compositor que continua encontrando inspiração nas estradas, nas pessoas e na própria natureza.
Rama
Autoria: Thiago Juraski
Vou tocando
Tucano voando
Vou e ando
Pra trás
E pra frente
A gente espera
O futuro chegar
Alcançar
No presente J
á sente que o corpo Precisa respirar
Falta fôlego,
Falta folia
Toda alegria
De se viver
Tantas tensões
Ações à flor da pele
E pede silêncio
Pra reconstruir
Há de ouvir a sinfonia que regem o universo
Há de ver as cores que tocam os versos
Há harmonia nas cordas da pele
E melodia em toda química canção E brilha e brilha a rama
E vibra e vibra a rama
E vira e vira a rama
Do verbo amar
Todo mundo fala
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