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Paraná teve mais de 29 mil internações e 335 mortes por doenças ligadas à falta de saneamento

Universalização da água e do esgoto pode evitar doenças e gerar R$ 1,2 bilhão em economia para a saúde estadual em 2040

21/08/2026
A precariedade dos serviços básicos ainda pesa sobre a saúde pública e a economia do Estado. A expansão das redes pode reduzir internações, mortes e afastamentos, além de gerar economia bilionáriaA precariedade dos serviços básicos ainda pesa sobre a saúde pública e a economia do Estado. A expansão das redes pode reduzir internações, mortes e afastamentos, além de gerar economia bilionária

O Paraná registrou mais de 29 mil internações e 335 mortes em 2024 por doenças relacionadas à falta de saneamento, segundo dados do DATASUS reunidos pelo Painel Saneamento Brasil.

O quadro mostra o impacto direto da deficiência nos serviços de água e esgotamento sanitário sobre a saúde pública e reforça a necessidade de ampliar os investimentos no setor.

As doenças de veiculação hídrica estão entre os principais efeitos da ausência ou precariedade do saneamento.

A exposição à água contaminada e a condições inadequadas de coleta e tratamento de esgoto favorece enfermidades que podem resultar em atendimentos médicos, internações e mortes.

R$ 1,2 bilhão de economia na saúde

Além de reduzir o número de doenças, a universalização do saneamento poderia produzir um impacto econômico expressivo no Paraná. Estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Paraná”, realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX Ante Consultoria, estima que o acesso pleno à água e ao esgotamento sanitário poderá gerar R$ 47 bilhões em ganhos sociais, econômicos e ambientais entre 2023 e 2040.

Somente na área da saúde, a economia projetada chega a R$ 1,228 bilhão no período, equivalente a aproximadamente R$ 68,2 milhões por ano.

A estimativa considera, entre outros fatores, a redução das internações por doenças de veiculação hídrica e respiratórias e a diminuição das horas de trabalho e estudo perdidas por problemas como diarreia, vômito e doenças respiratórias.

Investimento em saneamento

A lógica é direta: quanto maior o acesso da população à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto, menor tende a ser a exposição a agentes causadores de doenças. A redução das enfermidades também diminui a pressão sobre a rede pública de saúde.

O impacto ultrapassa os hospitais. Menos doenças significam menos afastamentos do trabalho, menor perda de dias letivos e melhores condições de vida para as famílias. Por isso, a expansão do saneamento pode produzir efeitos simultâneos na saúde, na produtividade e no desenvolvimento econômico.

O que precisa avançar

Para transformar esse potencial em resultados concretos, o Paraná precisa manter e ampliar os investimentos na expansão das redes de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, especialmente nas áreas que ainda apresentam cobertura insuficiente.

A universalização também exige planejamento de longo prazo, continuidade dos investimentos públicos e privados e prioridade para municípios e regiões onde a população permanece mais exposta aos riscos sanitários.

Os números de 2024 dão dimensão do desafio: 29 mil internações e 335 mortes em apenas um ano representam não apenas um problema de infraestrutura, mas uma questão de saúde pública.

Com a expansão do saneamento, parte desses casos pode ser evitada. E, segundo as projeções do estudo, a consequência será dupla: menos pessoas doentes e uma economia de mais de R$ 1,2 bilhão para o sistema de saúde paranaense até 2040.

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