Guarapuava testa o futuro do campo: tecnologia chega para reduzir custos e enfrentar clima e crédito
Evento reúne produtores, pesquisadores, startups, empresas e instituições para discutir inteligência artificial, bioinsumos, agricultura de precisão e novas soluções para propriedades rurais do Centro-Sul do Paraná
18/08/2026
O encontro também aproxima o campo regional de ferramentas como inteligência artificial, agricultura de precisão, bioinsumos e monitoramento de lavouras.A quarta edição do InovaçãoAgro, realizada pelo Sindicato Rural de Guarapuava com apoio do Sistema FAEP e parceiros, coloca no centro do debate uma questão prática para o campo do Terceiro Planalto Paranaense: como produzir mais, reduzir custos e enfrentar riscos climáticos e financeiros usando tecnologia acessível ao produtor. O evento ocorre nesta terça (18) e quarta-feira (19), no Centro de Eventos Cidade dos Lagos, com expectativa de cerca de 1.500 participantes.
A programação aproxima produtores, startups, empresas, universidades, pesquisadores e poder público. Entre os temas estão inteligência artificial, bioinsumos, empreendedorismo, inteligência territorial, metagenômica do solo e sanidade animal, além de oficinas, simuladores de máquinas e demonstrações tecnológicas.
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A discussão tem relação direta com o perfil agropecuário de Guarapuava. Dados do IDR-Paraná apontam a força regional de culturas como soja, milho e batata, a exemplo da cevada e do trigo, que também ocupam espaço relevante no sistema produtivo. Na safra 2025/26, Guarapuava respondia por cerca de 15% da área estadual estimada de milho e por 23% da área de batata de primeira safra.
Nesse cenário, tecnologia não significa necessariamente comprar máquinas milionárias. Agricultura de precisão, monitoramento climático, análise de solo, mapas de produtividade, drones, sensores e softwares de gestão podem permitir decisões mais precisas sobre sementes, fertilizantes, defensivos e operações. A Unicentro mantém laboratórios dedicados à agricultura de precisão, solos, fitopatologia, microclima e irrigação, além de pesquisas com mecanização agrícola.
A inteligência artificial aparece como outra fronteira: transformar dados de clima, solo, máquinas e lavouras em informação para decidir quando plantar, aplicar insumos, monitorar doenças ou intervir em determinado ponto da propriedade. A programação do InovaçãoAgro inclui uma palestra sobre inteligência territorial do agro paranaense.
Os bioinsumos também ganham espaço. A programação prevê discussão específica sobre seus desafios e sobre a identificação de microrganismos do solo para melhorar manejo e produtividade. Para propriedades de diferentes tamanhos, a possibilidade de reduzir dependência de insumos externos e aumentar eficiência torna essa tecnologia especialmente relevante.
O clima é outro fator decisivo. A FAPA, da Agrária, mantém sistemas de monitoramento das condições climáticas das áreas de plantio e utiliza essas informações para orientar o manejo de doenças e pragas. A instituição também pesquisa tecnologias para soja, milho, trigo, cevada, batata e feijão, culturas diretamente ligadas à agricultura regional.
Há ainda um obstáculo menos tecnológico: dinheiro para investir. O Sistema FAEP considera as condições de crédito do Plano Safra 2026/27 um desafio, especialmente diante dos juros elevados. O plano prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 85 bilhões para a agricultura familiar, enquanto as entidades paranaenses haviam defendido R$ 670 bilhões.
O chamado tarifaço dos Estados Unidos também aumenta a incerteza, embora seu impacto não seja uniforme sobre o produtor de Guarapuava – afeta uma parte de exportadores do setor madeireiro (mulduras) para os Estados Unidos. As novas barreiras atingem principalmente cadeias exportadoras e podem alterar preços, câmbio, demanda e competitividade. Por isso, o efeito sobre soja, milho e outras commodities locais tende a ocorrer mais pelos mercados internacionais e pela formação de preços do que diretamente pela venda do produto ao mercado americano.
Para o produtor regional, a mensagem central do InovaçãoAgro é menos sobre tecnologia futurista e mais sobre usar dados para gastar melhor, produzir com menor risco e adaptar a propriedade às mudanças do clima e do mercado. O evento segue nesta quarta-feira, das 14h às 22h, no Centro de Eventos Cidade dos Lagos
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