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Morrem Glória Menezes e Laura Cardoso, duas gigantes da dramaturgia brasileira

Brasil perde as duas atrizes em menos de 24 horas

18/08/2026
Glória Menezes e Laura Cardoso atravessaram gerações e ajudaram a escrever a história da dramaturgia brasileiraGlória Menezes e Laura Cardoso atravessaram gerações e ajudaram a escrever a história da dramaturgia brasileira

A televisão brasileira perdeu, em menos de 24 horas, duas de suas atrizes mais importantes. Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, no Rio de Janeiro. Laura Cardoso havia morrido na noite de segunda-feira (17), aos 98 anos, em São Paulo. As duas atravessaram décadas de transformações na televisão, no teatro e no cinema e ajudaram a construir a memória afetiva de gerações de brasileiros.

Glória Menezes deixa uma trajetória de mais de seis décadas. Nascida em Pelotas (RS), chegou à Globo em 1967, em Sangue e Areia, e participou de mais de 40 novelas da emissora. Foi protagonista de produções que marcaram diferentes fases da televisão brasileira e formou, ao lado de Tarcísio Meira, seu marido por quase seis décadas, um dos casais mais emblemáticos da dramaturgia nacional.

Laura Cardoso (no alto) e Glória Menezes: elas encantaram o Brasil com a arte da dramaturgia

Sua carreira inclui trabalhos no teatro, cinema e televisão, além de personagens que ajudaram a consolidar a novela como um dos principais produtos culturais do país. Sua última novela foi Totalmente Demais, entre 2015 e 2016, depois de uma carreira iniciada ainda nos primeiros anos de expansão da televisão brasileira.

Laura Cardoso representava outra dimensão dessa mesma história: a permanência de uma atriz capaz de atravessar gerações sem perder relevância. Com mais de 70 anos de carreira, estreou na Globo em 1981 e participou de novelas como Mulheres de Areia, A Viagem, Rainha da Sucata, Chocolate com Pimenta, O Outro Lado do Paraíso e A Dona do Pedaço.

A importância das duas vai além da quantidade de trabalhos. Glória Menezes e Laura Cardoso pertencem à geração que ajudou a transformar a televisão em uma linguagem nacional, levando para dentro das casas personagens, conflitos, sotaques, costumes e diferentes retratos da sociedade brasileira.

A coincidência das mortes expõe uma perda simbólica difícil de dimensionar. Desaparecem duas referências de uma geração de intérpretes que ajudou a estabelecer os padrões de excelência da teledramaturgia brasileira. O que fica é uma obra que continuará sendo revisitada — e uma lacuna que não se preenche apenas com novos talentos, porque cada uma delas carregava uma experiência artística construída ao longo de décadas.

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