Guarapuava perde 391 empregos formais em junho, mas mantém saldo positivo no primeiro semestre
Agropecuária e comércio puxaram queda, enquanto serviços e construção seguiram contratando
30/07/2026
O mercado de trabalho formal de Guarapuava interrompeu, em junho, a sequência de resultados positivos observada ao longo de 2026.
Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o município encerrou o mês com saldo negativo de 391 vagas com carteira assinada, resultado da diferença entre 2.166 admissões e 2.557 desligamentos.
Apesar do desempenho negativo em junho, o município continua com saldo positivo no acumulado do primeiro semestre, indicando que a retração registrada no último mês ainda não anulou os ganhos obtidos entre janeiro e maio.
O resultado acompanha um movimento de desaceleração observado em parte dos municípios paranaenses após um início de ano marcado por forte geração de empregos, especialmente em atividades ligadas ao agronegócio, à indústria de transformação e aos serviços.
Agropecuária concentra maior perda de vagas
Entre os cinco grandes setores da economia, a agropecuária foi responsável pelo maior impacto negativo em Guarapuava, encerrando junho com 337 postos de trabalho a menos.
O desempenho está associado à sazonalidade característica das atividades agrícolas e florestais, que costumam registrar redução nas contratações e aumento dos desligamentos após o encerramento de etapas específicas da colheita e de serviços temporários.
O comércio também apresentou retração, com saldo de -159 empregos, refletindo um ritmo mais moderado do consumo após períodos de maior movimentação econômica.
Na indústria, o saldo foi de -26 vagas, indicando estabilidade relativa, embora com ligeira predominância dos desligamentos.
Serviços e construção resistem
Na contramão dos setores que registraram perdas, o segmento de serviços voltou a liderar a geração de empregos na cidade, criando 89 vagas formais em junho.
A construção civil também manteve desempenho positivo, com 42 novos postos, reforçando a continuidade de obras públicas e privadas e da expansão do setor imobiliário.
O comportamento desses dois segmentos confirma uma tendência observada em Guarapuava nos últimos anos, com os serviços consolidando participação crescente na economia local e a construção sustentada por investimentos públicos, empreendimentos habitacionais e novos projetos de infraestrutura.
Primeiro semestre permanece positivo
Embora junho tenha registrado retração, o desempenho acumulado de janeiro a junho permanece favorável para o mercado de trabalho formal do município.
O resultado demonstra que o saldo negativo do mês representa, até o momento, uma oscilação dentro de um cenário de crescimento mais amplo do emprego formal em 2026.
Especialistas costumam destacar que os dados mensais do Caged devem ser analisados considerando fatores sazonais, principalmente em municípios cuja economia possui forte influência do agronegócio e das cadeias florestal e madeireira, como Guarapuava.
Paraná mantém ritmo de crescimento
No Paraná, o desempenho foi significativamente diferente do observado em Guarapuava. O Estado criou 8.483 empregos formais em junho, mantendo-se entre os principais geradores de vagas do país.
No acumulado do primeiro semestre, o saldo estadual chegou a 69.638 novos postos de trabalho, sustentado principalmente pelos setores de serviços, indústria e construção.
Brasil cria 145 mil empregos
Em âmbito nacional, o Novo Caged registrou 145.161 empregos formais em junho. No primeiro semestre, o país acumulou 921.645 vagas com carteira assinada, indicando continuidade da expansão do mercado formal de trabalho, ainda que em ritmo inferior ao observado em alguns períodos de 2025.
Os números refletem a manutenção do crescimento da atividade econômica, mas também evidenciam diferenças regionais e setoriais, influenciadas pela sazonalidade das atividades produtivas e pelo comportamento do consumo.
Guarapuava – Novo Caged (junho de 2026)
- Admissões: 2.166
- Desligamentos: 2.557
- Saldo-391
Saldo por setor
- Serviços: +89
- Construção: +42
- Indústria: -26
- Comércio: -159
- Agropecuária: -337
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