Damares alerta para risco de morte de Bolsonaro na prisão da Papuda
Senadora diz que o ex-presidente tem soluço recorrente e comida "especial" é preparada pela ex primeira-dama, Michelle Bolsonaro
11/09/2025
A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos e atual senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta quinta-feira (11) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) corre risco de morte caso seja preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A declaração, publicada pelo colunista Robson Bonin, na Veja, veio um dia após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenar Bolsonaro por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O julgamento representa um marco inédito na história democrática brasileira: é a primeira vez que um ex-presidente é condenado pela Corte por crimes contra a ordem constitucional. A decisão expôs divisões políticas profundas e abriu uma nova fase de tensão entre os poderes.
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Damares argumentou que a integridade física de Bolsonaro estaria em risco em razão do perfil do presídio, que abriga presos comuns e líderes de facções criminosas. “O Brasil não pode permitir que um ex-chefe de Estado seja exposto a uma situação dessas”, disse.
As falas da senadora se somam a uma narrativa que tenta deslocar o debate do campo jurídico para o humanitário, ecoando argumentos usados por aliados do ex-presidente desde que começaram as investigações sobre sua conduta. Juristas, no entanto, avaliam que a preocupação com a segurança não altera o mérito da condenação, mas pode pressionar o Judiciário a discutir alternativas de cumprimento de pena.
Precedentes internacionais
Historicamente, o destino de ex-presidentes condenados varia de acordo com o contexto político. O caso de Bolsonaro insere o Brasil em um cenário já vivido por outras democracias. No Peru, Alberto Fujimori cumpre pena em uma prisão militar adaptada, distinta do sistema comum. Na Coreia do Sul, presidentes como Park Geun-hye e Lee Myung-bak cumpriram penas em prisões comuns, embora em condições diferenciadas de segurança. Já Fernando Collor, no Brasil, deixou o poder por impeachment em 1992, mas enfrentou processos em liberdade até ser condenado décadas depois, sem prisão imediata.
Esses exemplos mostram que a forma de execução da pena tem forte componente político: de um lado, a necessidade de afirmar a autoridade da lei; de outro, o risco de transformar líderes punidos em símbolos de perseguição.
Cenários possíveis para Bolsonaro
No Brasil, três caminhos se apresentam:
Prisão comum (Papuda): seria o cumprimento mais literal da condenação, reforçando a ideia de que o ex-presidente está sujeito às mesmas regras que qualquer cidadão. Ao mesmo tempo, traria riscos à sua segurança e poderia alimentar o discurso de vitimização usado por seus aliados.
Prisão domiciliar: permitiria à Justiça cumprir a pena preservando a integridade física do ex-presidente, mas poderia ser vista como um privilégio indevido, reduzindo o efeito simbólico da condenação.
Instalações militares ou adaptação especial: inspirada no modelo de Fujimori no Peru, seria uma alternativa intermediária, garantindo segurança sem contato com o sistema prisional comum. Essa opção, porém, exigiria decisão política sensível e poderia ser criticada como concessão excessiva.
Cada cenário carrega implicações políticas relevantes. A escolha do modelo de custódia ajudará a definir como a democracia brasileira lidará com a punição de um ex-presidente condenado por crimes contra a própria ordem democrática: se como ruptura histórica ou como normalização institucional.
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