Cena desesperadora no Santa Cruz: adolescente autista é abandonado pela mãe em plena rua
Filho correu atrás da mãe, ela com sinais de embriaguez, implorando que não o abandonasse
14/08/2025
Abandono de incapaz tem profundas raízes sociais: não é só o filho que tem problemas; a mãe, também (Imagem ilustrativa)Um episódio de abandono de um adolescente autista mobilizou polícia, Conselho Tutelar e assistência social na noite desta quarta-feira (13) no bairro Santa Cruz, em Guarapuava.
Testemunhas relataram ter visto um menino de 13 anos correndo pela rua, chorando e tentando alcançar a mãe, que, segundo os relatos, afirmava não querer mais o filho e não suportar cuidar dele.
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A mulher, de 47 anos, apresentava sinais de embriaguez, conforme informaram as testemunhas à Polícia Militar. Logo após a cena, ela deixou o local, enquanto o jovem – que possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) – permaneceu aos cuidados de dois moradores que presenciaram a situação.
A PM tentou localizar a mãe na residência, mas não a encontrou. Diligências foram feitas nas proximidades, também sem sucesso. A assistente social responsável pelo acompanhamento do adolescente confirmou seu quadro de autismo e acionou o Conselho Tutelar, que adotou as medidas de proteção.
Brasil: abandono de incapaz tem crescimento alarmante
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um crescimento alarmante nos casos de abandono de incapazes – que incluem crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência.
Entre 2020 e 2023, o número desses registros aumentou 161%, saltando de 125 ocorrências em 2020 para 327 em 2023 apenas no Distrito Federal.
Esse aumento reflete uma pressão crescente sobre o sistema de assistência social e evidencia falhas estruturais no apoio à população vulnerável.
No caso de Guarapuava, fica pergunta: será que a mãe também precisa de atendimento? É visível o desajuste familiar onde há um filho com autismo e uma mãe com dependência alcoólica.
Em se tratando de abandono de incapaz, a legislação vem sendo atualizada com maior rigor. A nova Lei nº 15.163/2025 estabeleceu penas mais severas: de 2 a 5 anos de reclusão, que podem chegar a 3 a 7 anos em caso de lesão grave e até 14 anos se resultar em morte.
O desafio é que situações dessa complexidade não exigem apenas um tratamento policial ou jurídico. Requerem políticas públicas que considerem todo o sistema, da família às responsabilidades sociais coletivas.
Por isso, é necessário compreender a importância de programas dos órgãos públicos e entidades especializadas, normalmente com apelo comunitário.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2021 mostram que, de cerca de 17,3 milhões de pessoas com deficiência no Brasil (cerca de 8,4 % da população), aproximadamente 5,25 % têm entre 2 e 17 anos – ou seja, cerca de 900.000 crianças e adolescentes deficientes.
Alarmantemente, mais de 67 % dessas pessoas não completaram o ensino fundamental, e apenas 5 % concluíram o ensino superior.
O caso expõe a vulnerabilidade de famílias que enfrentam, muitas vezes sem suporte adequado, o desafio de cuidar de filhos com necessidades especiais.
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