Bancário tatuava adolescentes com "marca pessoal" após seduzi-las com dinheiro e presentes
Suspeito preso na Operação “Sugar Daddy” marcava meninas de 13 e 14 anos com o desenho de uma abelha
22/10/2025
Adolescentes eram o alvo principal do maníaco: investigações revelam um padrão "calculado e simbólico", com tatuagens e oferta de roupas, dinheiro, refeições e caronas LARANJEIRAS DO SUL – O funcionário de um banco público foi preso nesta terça-feira (21) sob suspeita de explorar sexualmente adolescentes. Conhecido pelo apelido de “Mel”, o homem é acusado de seduzir meninas de 13 e 14 anos com dinheiro, presentes e promessas de afeto, em troca de relações sexuais. A investigação da 2ª Subdivisão Policial (SDP) de Laranjeiras do Sul, que contou com apoio da Polícia Militar, revelou um padrão de manipulação que a polícia classificou como “calculado e simbólico”: o suspeito tatuava uma abelha nas jovens, como forma de marcar o corpo delas com sua “assinatura pessoal”.
De acordo com a Polícia Civil, a tatuagem seria uma espécie de selo de posse, usada para identificar as adolescentes com quem o bancário mantinha relações. O homem, que atuava em uma agência de um banco estatal, foi preso durante a Operação “Sugar Daddy”, deflagrada após denúncias e monitoramento de suas interações com menores de idade. Ele responderá pelo crime de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente, previsto no artigo 218-B do Código Penal. O nome "Sugar Daddy" refere-se à prática de homens mais velhos oferecerem apoio financeiro ou presentes a pessoas mais jovens em troca de favores sexuais.
Segundo as autoridades, o suspeito se aproximava das adolescentes em ambientes sociais e por meio de redes digitais, oferecendo pequenos luxos – roupas, dinheiro, refeições e caronas – até conquistar a confiança das vítimas. As relações, descritas pela polícia como “exploratórias”, envolviam não apenas encontros sexuais, mas também um ritual simbólico de dominação, materializado pelas tatuagens.
A delegada responsável pelo caso afirmou que o uso de tatuagens como marca de controle é um comportamento recorrente em contextos de exploração sexual, especialmente quando há tentativa de estabelecer poder psicológico sobre as vítimas. “Há uma erotização precoce, incentivada e manipulada por adultos que se aproveitam da ingenuidade e vulnerabilidade de meninas muito jovens”, explicou.
Adultização infantil e vulnerabilidade social
O caso reacende o debate sobre a adultização precoce de crianças e adolescentes no Brasil – fenômeno em que jovens são expostos a comportamentos, estéticas e dinâmicas adultas sem a maturidade emocional necessária. Especialistas alertam que essa antecipação de papéis sociais cria terreno fértil para abusos e exploração.
Segundo especialistas, a combinação de vulnerabilidade econômica, acesso descontrolado às redes sociais e a idealização de estilos de vida marcados por consumo e aparência formam o cenário perfeito para casos como o de “Mel”. Ocorre quando o poder aquisitivo é usado como instrumento de sedução, o afeto vira moeda de troca, e a violência se disfarça de carinho.
Operação e desdobramentos
A prisão do bancário foi autorizada pela Justiça após a coleta de indícios materiais da exploração, incluindo depoimentos e provas digitais. A polícia informou que as vítimas estão recebendo acompanhamento psicológico e proteção do Conselho Tutelar.
Em nota, a Polícia Civil destacou seu compromisso no enfrentamento a crimes de abuso e exploração sexual contra menores, reforçando que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo número 181.
Embora o caso ainda esteja em fase de investigação, a prisão de “Mel” expõe mais uma faceta de um problema que o interior do Paraná vem enfrentando com frequência crescente: a interseção entre vulnerabilidade juvenil e exploração sexual por adultos com posição social e poder financeiro.
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