Baitala: menos discurso, mais prática
01/11/2025
Prefeito Denilson Baitala e o secretário (Finanças) Luciano Crotti, em reunião nesta semana com órgãos de governo nesta última semana, em CuritibaO prefeito Denilson Baitala não precisou de aulas de oratórias para se eleger prefeito. Pelo contrário. Muito menos discurso, e mais ações de campanha, reunindo grupos e estratégias acertadas, fez dele prefeito desbancando dois candidatos que, até o encerramento das urnas, consideravam-se, entre si, imbatíveis. E mais: Baitala não precisou mais do que ínfimos 61 votos para reconduzir Dr. Antenor às batucadas de fim de semana e à Assembleia Legislativa. Pois agora não seria diferente.
Projetos que somam mais de R$ 1 bilhão
Prefeito, Baitala continua falando pouco e, em 10 meses de administração, trocou as antigas cantilenas dos recém-eleitos, que passam pelo menos 1 ano colocando culpas no antigo gestor, para colocar a mão na massa. No comando do Paço Municipal, o novo prefeito acumula uma coleção de novos projetos, que devem render bem mais que R$ 1 bilhão em recursos do governo do Estado, e percorre o município de ponta a ponta com o jeitão simples de ser guarapuavano. Honra o sotaque e, não raro, a face séria, pensativa. Se acertar na execução dos projetos – o que só se saberá depois de prontos e das obras concluídas –, Baitala muda o estilo de fazer política em Guarapuava.
Crime e desemprego: não é hora de mascarar os números
A notícia de que o Guarapuava encerrou os nove primeiros meses do ano com saldo negativo de 356 empregos formais, um dos piores resultados entre as 399 cidades do Paraná, por si só já seria motivo de preocupação. Mas a ele soma-se outro fenômeno: o avanço da violência, especialmente dos furtos e roubos, que passaram a fazer parte da rotina da população.
O problema não é localizado
O aumento da criminalidade atinge o comércio e principalmente os bairros residenciais. As ocorrências vão desde o furto de produtos básicos – como uma peça de carne ou um desodorante – até invasões de casas em busca de botijões de gás, roupas e fios elétricos. Há também casos mais graves, com uso de armas e reféns, como o registrado recentemente no bairro Morro Alto ou um ciclista que teve sua “bike” roubada sob a mira de um revólver.
Do centro à periferia
Entidades empresariais vêm tentando articular ações com as forças de segurança locais, na tentativa de conter os furtos e roubos. A violência atinge principalmente famílias humildes, que vivem do trabalho assalariado e se veem desprotegidas até dentro de casa.
Crime é problema social
O desemprego crescente pressiona a informalidade, aumenta a vulnerabilidade e abre espaço para o crime organizado. Nesse cenário, a resposta não pode ser apenas policial. São determinantes políticas públicas de geração de emprego, de inclusão e de prevenção – áreas que costumam ser esquecidas até que a violência estoure em índices alarmantes. E nessa amplitude, o município, que sofre a pressão do cotidiano da população, não pode ficar sem o Estado e o Governo Federal, esferas que comandam os recursos públicos.
A realidade no cotidiano da cidade
A seção “Seu Bairro”, criada pelo Portal Paraná Central, ajuda a dimensionar o problema. Nos bairros Morro Alto, Boqueirão, Vila Bela e Vila Carli, os registros policiais são frequentes. Um ex-comandante policial resumiu bem o desafio local ao comparar Guarapuava a um “porto seco” – referência à posição estratégica do município no centro do Paraná. “Os bandidos implantaram o porto seco antes”, disse. A frase ilustra a intenção de setores empresariais que defendem a instalação de um “porto” para exportação de produtos, atraindo o movimento de diversas cidades do interior, mas a iniciativa primeira dos criminosos, em transformar Guarapuava numa área estratégica devido à localização central. Os bandidos chegaram, a polícia também – mas o porto seco empresarial, não.
Presença do Estado é decisiva
É preciso reconhecer que criminalidade não se combate apenas com viaturas. A repressão é necessária, mas não suficiente. A raiz do problema está na falta de perspectivas econômicas e sociais. Quando faltam emprego, educação e políticas de convivência, o crime se torna o único “mercado” em expansão. Se a crise do emprego continuar e o poder público (em todos os níveis) não der uma resposta à altura, a cidade corre o risco de normalizar o que já se tornou inaceitável: o medo cotidiano e o esvaziamento da esperança. Um município, por sua natureza econômica, tem limitações gigantes; daí a necessidade de políticas de Estado para atender regiões, como as de Guarapuava, que acumulam problemas históricos.
O significado da Serra da Esperança
Impossível ignorar que a Serra da Esperança é um ponto nevrálgico da BR-277, palco de constantes acidentes com vítimas fatais, em contraste com tudo o que o parque ambiental representa para toda a Região Central do Paraná. De um “balcão de germoplasma” – onde o que tudo nasce no seu interior, nasce em todo o Terceiro Planalto –, até as belezas naturais e o seu valor histórico, a Serra da Esperança é um símbolo para esta grande porção do território paranaense. Por isso, a duplicação deveria ter sido pensada há décadas.
A esperança não se resume apenas à Serra
Mas, a duplicação, longe de ser aprovada, planejada e executada, com uma estrutura que lembra a Ponte de Guaratuba (maior obra do atual governo estadual), também não é o fim em si mesma. Pensando-se que a Serra é apenas um elo dentro de toda a BR-277, o que se deve imaginar é uma rodovia federal desse porte abrigar empreendimentos empresariais. O prefeito Denilson Baitala já está pensando nisso, ao conquistar as áreas da antiga PRF e da câmara frigorífica da Codapar para grandes projetos: Ponto Paraná (área de abrigo e comércio turístico), mini-Ceasa (para produtos regionais) e a Escola-Indústria (em parceria com a Unicentro, para aprendizagem e aprimoramento de técnicas industriais).
Pensar e planejar para errar menos
O mesmo modelo poderia ser pensado para o entorno do Aeroporto Municipal, que está no sentido oposto ao da Serra da Esperança e, em tese, seria local apropriado para “hub” logístico, próximo à ferrovia, com estímulo a novas empresas e ampliação das atuais. O problema é que, no atual formato, o Aeoroporto não foi projetado para pista de cargas e não tem espaço suficiente para um novo parque industrial. Deveria, se tivesse sido pensado assim anos atrás, e não foi. Agora, as alternativas vão demandar muita criatividade e vontade política. Para reparar o prejuízo, vai muito dinheiro.
A antiga Estratégica, uma alternativa
É crescente um movimento para recuperar a antiga Estrada Estratégica, a primeira rodovia que cruzou a Serra da Esperança e hoje está tomada pelo mato. São cerca de 22 quilômetros saindo perto do posto da PRF no distrito de Guará, pela BR-277, até chegar próximo ao pedágio, já embaixo da Serra. Ainda há resquícios da velha estrada, por onde passam veículos de pequeno porte, com trechos em pedras irregulares, ladeada de mata nativa e pequenas propriedades.
Símbolo de desenvolvimento
Os defensores do projeto acreditam que o alargamento e a pavimentação da Estratégica seriam a melhor alternativa para a duplicação. Como o projeto da EPR Iguaçu, concessionária do pedágio, prevê a duplicação apenas para depois de 2030, com grandes obras estruturais, e a antecipação está condicionada à autorização federal, a transformação da Estratégica seria mais rápida e viável economicamente. Ao mesmo tempo, reativaria um dos grandes ícones do desenvolvimento regional, responsável pela abertura de Centro-Sul para o Oeste, décadas atrás.
À espera de apoio
O projeto da Estratégica depende de estudos de viabilidade técnica e econômica. E, também, de alguém que assuma para colocar em prática pelo menos essa primeira parte. Setores da comunidade estão querendo ser ouvidos.
Ratinho no Senado
Na corrida sucessória, quem acompanha os bastidores já concluiu que o governador Ratinho Júnior (PSD) tirou o pé da disputa pela presidência da República. O “fator” Tarcísio ocupa todos os espaços, como nome mais cotado para ser oposição a Lula. Restaria a Ratinho Júnior ficar candidato ao Senado.
Disputa no PSD será entre Greca e Curi
Na disputa para o governo do Paraná, a semana foi marcada pelos movimentos de Rafael Greca que, depois de se lançar oficialmente pré-candidato, fez questão de aparecer em muitos momentos ao lado de Alexandre Curi, ambos sob o manto do PSD de Ratinho Junior. Curi, por sua vez, avançou o passo, buscando palco para receber efusivas declarações de “meu governador”.
Moro tenta se manter no páreo
Na oposição ao grupo de Ratinho Júnior, já surgem nas redes sociais materiais “Moro, governador” (União Brasil), e ações públicas de Requião Filho (PDT) que deverá ter apoio do PT e demais partidos de esquerda. Pragmático, o PT vai se dedicar à disputa pelo Senado, possivelmente entre Zeca Dirceu, Gleisi Hoffmann e Ênio Verri.
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