Economia > DESEMPENHO

Guarapuava tem saldo negativo de empregos e fica entre as últimas posições no Paraná

Município registrou 356 vagas a menos entre janeiro e setembro, segundo dados do Ipardes baseados no Caged

01/11/2025
Os índices mostram realidade e tendências, que podem ser motivação para ações transformadorasOs índices mostram realidade e tendências, que podem ser motivação para ações transformadoras

Guarapuava, um dos principais municípios do Centro-Sul do Paraná, registrou saldo negativo de 356 empregos formais entre janeiro e setembro deste ano, segundo levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Foram 21.904 admissões e 22.260 desligamentos no período, o que representa retração de 0,75% no mercado formal. O resultado colocou Guarapuava na 398ª posição entre os 399 municípios paranaenses na geração de empregos. Apenas duas cidades tiveram desempenho pior: Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), na penúltima posição; e Palmas (Sul), na última. Em contrapartida, 85% dos municípios paranaenses apresentaram saldo positivo. Veja a lista completa AQUI

O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (31), não detalha quais setores mais contribuíram para o resultado negativo, mas é visível o impacto sofrido pelo setor madeireiro, base histórica da economia local, com as recentes medidas tarifárias a produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos.

Com menos exportação, a indústria Millpar, que fabrica derivados de madeira para a construção civil, aproveitou para fazer um enxugamento de pessoal, num dos segmentos que mais empregam em Guarapuava. Os números exatos de demissões não foram divulgados pela empresa, mas chegam às centenas, o suficiente para alterar as estatísticas de emprego do município.

O setor florestal ainda é um dos principais motores da economia de Guarapuava. Quando ele desacelera, todo o sistema local sofre.

Os empresários fazem a sua parte e estão sujeitos a toda ordem de desarranjo econômicos. Porém, em Guarapuava, também há fatores históricos, seguindo uma tendência mais voltada para a produção de matéria-prima do que à industrialização. 

A dependência torna a cidade mais vulnerável a fatores externos, como variações cambiais e medidas protecionistas de outros países.

O trabalho da gestão municipal 

Nesse particular, registre-se o empenho da gestão Denilson Baitala em 10 meses à frente da Prefeitura de Guarapuava, com dezenas de projetos protocolados no governo do Estado.

Entre os projetos, destacam-se o apoio ao desenvolvimento rural com a implantação de um mini-Ceasa, a Escola-Indústria (fomento à agroindustrialização) e o Ponto Paraná, cono centro de comercialização de produtos locais na BR-277.  

Baitala também definiu o setor habitacional como uma das prioridades, com previsão de construir até 3.000 casas populares. Além de gera muitos empregos, a construção civil agrega renda e benefícios sociais diretos, com moradia popular. 

Também é meta construir um novo centro de eventos e parque de exposições, em parceria com a sociedade rural.

Em menos de 1 ano, é impossível reverter um quadro que se consolidou em décadas. Mas é possível esquadrinhar o futuro, com novas ideias ações imediatas, rompendo paradigmas e abrindo rotas inovadoras. Baitala mostra-se sensível a "abraçar esta nova Guarapuava".

Mudanças estruturais e novos caminhos 

A realidade enfrentada hoje, e traduzida em números, coloca a todas as lideranças e gestores a necessidade de refletir sobre o modelo atual.

Cidades da região de Guarapuava, como Cantagalo, Campina do Simão e Goioxim, apresentaram saldos positivos de empregos no mesmo período.

Outro ponto crítico é a falta de monitoramento sistemático da economia local. Guarapuava não possui um órgão público ou entidade de pesquisa que faça acompanhamento periódico de indicadores econômicos e de emprego.

Cascavel, Maringá e Ponta Grossa contam com observatórios econômicos e parcerias entre universidades, poder público e setor privado para orientar decisões estratégicas. Não há como sofismar: Guarapuava – e, por conseguinte, a região – sofre um apagão de dados. Em consequência, a falta de informações entre a grande massa da população (e de empreendedores) tende a provocar decisões econômicas reativas, sem base em evidências.

O Paraná avança

No mesmo período, o Paraná teve saldo positivo de empregos, impulsionado por setores como agronegócio, alimentos, tecnologia e logística. Municípios com economia diversificada e infraestrutura mais moderna atraíram novos investimentos e ampliaram a oferta de trabalho.

Dos 399 municípios, 341 registraram mais contratações do que demissões. O saldo positivo – mais de 121 mil novas vagas formais – coloca o Estado como o terceiro maior gerador de empregos do país neste ano.

Curitiba lidera o ranking estadual, com um saldo de 24.983 novos postos de trabalho, resultado de 449.286 admissões e 424.303 desligamentos nos primeiros nove meses do ano. O setor de serviços foi o principal motor da expansão, responsável por 17.565 vagas, seguido pelo comércio, com 4.041. O desempenho coloca a capital paranaense como a sexta cidade do Brasil com maior criação de empregos em 2025.

Londrina aparece na segunda posição, com 8.940 novos empregos. O setor de serviços também foi o destaque local, com 5.952 vagas, enquanto a construção civil (1.320) e a indústria (1.047) reforçaram o crescimento.

Em terceiro lugar está São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que somou 5.987 novos empregos – 3.358 no setor de serviços e 1.254 na indústria. Com exceção da agropecuária, que manteve estabilidade, todos os segmentos econômicos da cidade apresentaram saldos positivos.

A RMC desempenhou papel decisivo no resultado estadual. Além de Curitiba e São José dos Pinhais, destacam-se Colombo (2.675 vagas), Fazenda Rio Grande (2.000), Araucária (1.974), Pinhais (1.691) e Almirante Tamandaré (1.371).

O Oeste do Paraná também mostrou forte dinamismo. Cascavel liderou a geração de empregos na região, com 5.238 novas vagas, seguida por Toledo (4.155), Foz do Iguaçu (2.485), Assis Chateaubriand (995), Marechal Cândido Rondon (698) e Medianeira (684). No Sudoeste, Pato Branco (1.783), Dois Vizinhos (1.583) e Francisco Beltrão (784) foram os principais destaques.

Cidades-polo em outras regiões também apresentaram crescimento expressivo. Maringá, no Noroeste, criou 5.209 empregos; Ponta Grossa, nos Campos Gerais, 4.155; Paranaguá, no Litoral, 1.544; e Apucarana, no Vale do Ivaí, 1.191.

Entre desafios e oportunidades

Guarapuava tem posição geográfica estratégica e uma universidade pública importante, e reúne todas as condições para converter essas vantagens em competitividade.

A cidade ainda enfrenta limitações logísticas – como trechos rodoviários importantes não-duplicadas, custos elevados de transporte e longe dos grandes centros de consumo, sem linha aérea de passageiros e de cargas –, o que dificulta a instalação de novas empresas.

Integração entre universidade e setor produtivo

As articulações entre universidade, setor público e setor empresarial também podem ser consideravelmente ampliadas.

A Unicentro, sediada em Guarapuava, tem potencial para atuar em projetos de inovação e desenvolvimento tecnológico, ampliando a efetiva cooperação com o setor produtivo.

Outros polos regionais, como Londrina e Maringá, conseguiram criar ecossistemas de inovação, com incubadoras e startups ligadas às universidades.
Guarapuava ainda depende de modelos tradicionais de indústria e serviços.

O fortalecimento de Guarapuava passa pela diversificação econômica e pelo investimento em qualificação profissional focado na geração de oportunidades. 

Recomendado para você

Últimas Notícias

Seletiva Internet