Agro

Avanço da suinocultura no Paraná ainda é tímido em Guarapuava

Setor seria uma opção para integração entre produtores

09/06/2022

Levantamento divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (8) revelou que o Estado abateu 2.791.867 cabeças de suínos no primeiro trimestre de 2022, liderando em números absolutos o desempenho entre as unidades federativas do País no período

A sonhada integração da avicultura na Região de Guarapuava, como uma nova fonte de geração de renda entre a agricultura familiar e um grande investidor, esbarra num problema: o clima regional é tipicamente frio, aumentando os custos com energia para aclimatar os aviários, tornando-se inviável no final. Já a criação de suínos, embora tenha que obedecer padrões sanitários rígidos, não enfrentaria as mesmas limitações e abriria um leque de oportunidades mais rentável para este ramo da economia pecuária. 

O aumento em 9% da produção da carne suína no Paraná, levantamento realizado pelo IBGE, é mais um componente a ser analisado pelos órgãos públicos e a iniciativa privada em Guarapuava, para colocar em pauta as possibilidades para a execução de um programa voltado para a integração, nos moldes existentes em cidades como Toledo, no Paraná, e Chapecó, em Santa Catarina.

Outro fator positivo é o programa que vem sendo executado pela Secretaria Municipal da Agricultura de regularização fundiária. Estima-se que cerca de 1.000 propriedades terão a posse definitiva, com escritura pública registrada em cartório, o que propicia aos proprietários condições para obter financiamentos bancários. Em Guarapuava, sobram recursos financeiros do Programa Nacional de Agricultura Familiar, porque falta documentação entre parte considerável dos produtores.

Com grande produção primária, principalmente milho e soja, a integração lavoura-pecuária sempre foi um desafio em Guarapuava. Foi tema de campanhas políticas, programas administrativos, mas nunca ganhou um debate nas áreas de ciências agrárias nas universidades ou, agora, na retórica de inovação tecnológica que está ganhando espaço no município.

AUMENTO DA PRODUÇÃO ESTADUAL

A Pesquisa Trimestral de Abate, divulgada nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o Estado abateu 2.791.867 cabeças de suínos no primeiro trimestre de 2022, incremento de 9% em relação aos primeiros três meses do ano passado, com 2.562.477 cabeças.

Com 229,39 mil a mais, o Paraná liderou em números absolutos o desempenho entre as unidades federativas do País no período, o que ajudou o Brasil a alcançar o melhor primeiro trimestre para o setor desde o início da série histórica, em 1997. Entre janeiro e março de 2022 foram abatidas 13,64 milhões de suínos nacionalmente, aumento de 7,2% em relação a 2021 (12,72 milhões).

Ainda de acordo com o mapeamento, o volume exportado de carne suína de origem paranaense registrou aumento, passando de 34,3 mil toneladas no primeiro trimestre de 2021 para 35,5 mil nos três meses deste ano. Os principais destinos foram Hong-Kong, Argentina, Uruguai e Cingapura.

Esse crescimento próximo aos dois dígitos que fez com que o Paraná se aproximasse um pouco mais de Santa Catarina na liderança do ranking nacional. A diferença que era de 8,6 pontos percentuais no primeiro trimestre de 2021 (28,9% a 20,3%) caiu para 7,6 pontos percentuais (28,1% a 20,5%). O Rio Grande do Sul, com 17,4%, completa a lista como o terceiro principal produtor de carne suína.

“Somos vice-líder e temos espaço para crescer de 50% a 70% com novos investimentos. Nesse momento o setor também está lidando com dificuldades em relação aos preços dos insumos, o que estamos tentando reverter juntos”, ressaltou o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara. Ele lembrou que a cadeia da carne de porco estadual recebeu investimentos de aproximadamente R$ 3,5 bilhões nos últimos anos, em cidades como Assis Chateaubriand, Castro, Jesuítas e Paranavaí, entre outras.

Guarapuava não aparece nesse mapeamento, embora ofereça excelentes condições, considerando a disponibilidade de matéria-prima. A cooperativa de abate CooperAliança também não está, ainda, adaptada a receber suínos.

FRANGOS

O levantamento trimestral do IBGE apontou também que, apesar da pequena retração no comparativo com o primeiro trimestre de 2021, acompanhando a média nacional, o Paraná lidera amplamente o abate de frangos, com 33,5% da participação nacional. O Estado é seguido por Rio Grande do Sul (13,5%) e Santa Catarina (13,2%). O Estado fechou o período com 517,8 milhões de cabeça, ante 524,4 em 2021.

Responsável por um quarto da produção nacional, Paraná avança na colheita de feijão

Entre aquelas Unidades da Federação com participação acima de 1%, ocorreram quedas no Rio Grande do Sul (-9,97 milhões de cabeças), Santa Catarina (-4,66 milhões), Mato Grosso (-2,39 milhões), São Paulo ( 1,94 milhão) e Minas Gerais (-1,78 milhão). Já no Brasil foram abatidas 1,55 bilhão de cabeças de frangos no primeiro trimestre de 2022, queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2021.

BOVINOS 

Nono maior produtor de carne bovina do País, o Paraná apresentou estabilidade entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022, com diminuição de 0,4%, de 297.863 cabeças para 296.714. 

Em relação ao recorte nacional, nos meses iniciais 2022 foram abatidas 6,96 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária, 5,5% superior à obtida em igual período de 2021. No ranking das unidades federativas, Mato Grosso continua liderando o abate, com 16,1% de participação, seguido por Mato Grosso do Sul (11,3%) e São Paulo (11%).

OVOS 

Na contramão do País, o Paraná conquistou variação positiva, de 0,7%, na produção de ovos. O Estado produziu pouco mais de 90 milhões de dúzias entre janeiro e março, 595 mil dúzias a mais do que no mesmo período de 2021 (89.470). Em nível nacional a produção foi 19,6 milhões a menos entre os trimestres. As reduções mais significativas, quantitativamente, ocorreram em São Paulo (-7,07 milhões de dúzias), Espírito Santo (-5,77 milhões), Goiás (-3,84 milhões), Rio Grande do Sul (-2,95 milhões) e Amazonas (-2,46 milhões).

LEITE

Com 13,8%, o Paraná é também vice-líder nacional na produção de leite. Minas Gerais, segundo o IBGE, segue no topo do ranking, com 25,5% da captação. O Rio Grande do Sul (12,5%) é o terceiro colocado. No 1º trimestre de 2022, o Estado produziu 816.812 milhões de litros ante 889.871 

No País, a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos sob algum tipo de inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) foi de 5,90 bilhões de litros, com redução de 10,3% em relação ao primeiro trimestre de 2021.

 

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