Agrária impulsiona demanda e Porto de Paranaguá bate recorde com 50 mil toneladas de cevada
Investimentos em Guarapuava e nos Campos Gerais mais o aumento do calado elevam capacidade logística e reduzem custos
20/03/2026
A expansão do "complexo malte" no Paraná – com investimentos puxados pela Cooperativa Agrária em Guarapuava e Ponta Grossa – ajuda a explicar a pressão crescente sobre a logística de cevada no Paraná, que atingiu um novo patamar no Porto de Paranaguá. Nesta semana, o terminal registrou a maior operação da história do Estado para o produto: 50 mil toneladas descarregadas em um único navio.
A marca foi alcançada com a atracação do graneleiro Mercury Island, vindo da Argentina, no berço 202. A operação foi concluída na quarta-feira (18) e superou o recorde anterior, registrado em janeiro, quando o navio Akra movimentou 49.448 toneladas.
Segundo a Portos do Paraná, a sequência de recordes está diretamente ligada ao aumento do calado operacional – profundidade máxima que permite a navegação de embarcações maiores e mais carregadas. Em menos de um ano, o limite passou de 12,8 metros para 13,3 metros, após duas autorizações obtidas entre dezembro de 2024 e setembro de 2025.
Na prática, o ganho de 50 centímetros permitiu ampliar em cerca de 3,7 mil toneladas a carga transportada por navio. A medida reduz custos logísticos e aumenta a competitividade do corredor de exportação e importação do Estado, ao diluir despesas de frete por volume maior transportado.
Demanda industrial pressiona cadeia
O avanço da movimentação de cevada ocorre em paralelo à expansão da indústria cervejeira e de insumos no Paraná. No primeiro bimestre de 2026, o volume do cereal movimentado pelos portos do Estado cresceu 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 123,4 mil para 165,3 mil toneladas.
Embora o Paraná lidere a produção nacional de cevada, com plantio pioneiro nos campos de Guarapuava, a demanda interna segue elevada, impulsionada sobretudo pela indústria de malte e pela cadeia cervejeira. O Estado também utiliza o grão na alimentação humana e na produção de ração animal.
Esse cenário tende a se intensificar com o novo ciclo de investimentos no interior.
No fim de 2025, a Agrária firmou parceria com a Ireks do Brasil para aplicar R$ 1,1 bilhão na ampliação do complexo industrial do distrito de Entre Rios, sede da Cooperativa Agrária.
O projeto prevê a construção de duas novas plantas e a modernização da maltaria existente, permitindo a produção de maltes especiais — como os tipos caramelizados e torrados — em escala industrial. Hoje, esse insumo é majoritariamente importado.
Efeito cadeia: porto, indústria e interior
A combinação entre investimentos industriais e ganhos logísticos reposiciona o Paraná como um dos principais polos cervejeiros do país. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o Estado contava com 174 cervejarias registradas em 2024, alta de 3% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, o setor movimentou cerca de R$ 5 bilhões em investimentos, incluindo ampliação de fábricas, aquisição de insumos e modernização produtiva. Um dos principais aportes recentes foi da Heineken, que expandiu sua unidade em Ponta Grossa com investimento superior a R$ 1,5 bilhão.
Para a logística portuária, o efeito é direto: maior volume de insumos importados, como a cevada, e aumento no fluxo de produtos industrializados. A tendência, segundo operadores do setor, é de novas pressões por eficiência – o que inclui aprofundamento do calado, ampliação de berços e melhorias na integração ferroviária e rodoviária.
No curto prazo, o recorde de Paranaguá sinaliza esse novo ciclo. No médio, indica que a competitividade do agronegócio e da indústria de transformação no Paraná dependerá cada vez mais da capacidade de escoamento e abastecimento em larga escala.
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