Turismo como vetor econômico: Guarapuava aposta em modelo inteligente para crescer
“Virada de chave” busca transformar potencial em fluxo de visitantes
01/04/2026
A retomada do programa de Destino Turístico Inteligente (DTI) em Guarapuava marca mais do que um movimento institucional: sinaliza uma tentativa clara de transformar o turismo em ativo econômico relevante para o município. Em parceria com o Sebrae, a prefeitura reuniu nesta terça-feira (31) representantes do setor público, empresários e entidades do trade para dar início à construção do Plano Municipal de Turismo – peça-chave para organizar investimentos, atrair visitantes e gerar renda.
Realizada na sede do Sebrae local, a Oficina de Ações Estratégicas funcionou como ponto de partida para um reposicionamento do setor. Na prática, a proposta é alinhar interesses e estabelecer prioridades com foco em eficiência, inovação e sustentabilidade – conceitos que, no turismo contemporâneo, estão diretamente ligados à competitividade econômica.
A avaliação dentro da gestão municipal é de que o projeto, desenvolvido há cerca de quatro anos, entra agora em uma fase mais pragmática. A diretora de Turismo, Leila Pires, fala em “virada de chave”: a meta é transformar o potencial turístico em fluxo constante de visitantes, ampliando o impacto sobre serviços, comércio e geração de empregos.
O desenho do plano segue uma lógica já consolidada em destinos que conseguiram alavancar o turismo como indústria. Pela manhã, o encontro foi dedicado à leitura de cenário – diagnóstico de gargalos e oportunidades. À tarde, os participantes avançaram para a construção coletiva de propostas, envolvendo desde infraestrutura até qualificação da experiência do visitante.
Para o Sebrae, a iniciativa atende a uma demanda estrutural do município. A consultora Ana Paula Soliman destaca que a formalização de um plano é condição básica para dar previsibilidade ao setor e garantir que o empresariado tenha voz nas decisões estratégicas. Em termos econômicos, isso significa reduzir incertezas e criar um ambiente mais favorável a investimentos.
O engajamento do trade também aparece como peça central. Representando a Associação de Turismo de Entre Rios (Aster), Harry Reinerth aponta que a articulação entre entidades pode destravar projetos e consolidar uma governança mais eficiente – fator frequentemente apontado como diferencial em destinos que conseguem escalar sua atividade turística.
Ao apostar no modelo de destino inteligente, Guarapuava tenta seguir uma tendência global: usar dados, integração entre setores e planejamento de longo prazo para transformar turismo em cadeia produtiva estruturada. Se bem executada, a estratégia pode ir além da promoção de atrativos – impactando diretamente o PIB local, diversificando a economia e reduzindo a dependência de setores tradicionais.
O desafio, agora, será sair do papel.
Recomendado para você
▪ Veja também
- Governo zera tarifa de importação de 191 bens de capital e informática
- Porto de Paranaguá registra maior desembarque de veículos elétricos do Paraná
- Agrária impulsiona demanda e Porto de Paranaguá bate recorde com 50 mil toneladas de cevada
- Paraná bate recorde na produção de frangos, suínos, bovinos, leite e ovos em 2025
- BNDES defende novo Plano Brasil Soberano para ajudar exportadoras
Todo mundo fala
-
SEGURANÇATrês suspeitos morrem em confronto com a PM em Guarapuava -
TRÂNSITO Adolescente de 15 anos dirige SUV e provoca acidente com três veículos no centro de Guarapuava -
LUIZ FELIPE DE LIMAHistórias que o povo conta: o segredo da Lutcher S/A (Parte 2) -
VIVACULTEntre o mar e a memória, Milton Küster transforma a própria vida em literatura

