Geral > TEMPO

Temporal devasta municípios do Paraná, com ventos de até 121 km/h e milhares de pessoas afetadas

Mais de 400 mil imóveis ficaram sem luz; municípios do Centro-Sul e Sudoeste relatam danos estruturais, destelhamentos e colapso de serviços essenciais

22/09/2025
Na Região de Guarapuava, município de Santa Maria do Oeste foi o mais atingido: cerca de 1 mil pessoas Na Região de Guarapuava, município de Santa Maria do Oeste foi o mais atingido: cerca de 1 mil pessoas

Em meio ao cenário de destruição deixado por uma série de tempestades que atingiram o Estado do Paraná nas últimas 24 horas, pequenos municípios como Santa Maria do Oeste e Dois Vizinhos se tornaram epicentros de uma crise climática que mobiliza Defesa Civil, bombeiros e concessionárias de serviços essenciais em uma corrida contra o tempo.

Santa Maria do Oeste, com cerca de 10 mil habitantes, foi duramente atingida. Estima-se que até mil moradores sofreram os impactos diretos do temporal que destruiu barracões, destelhou casas e interrompeu o funcionamento de estabelecimentos comerciais. A cidade, localizada a 97 quilômetros de Guarapuava, foi uma das mais afetadas na região central do Estado.

Recomendado para você

"Perdemos tudo o que estava no depósito. O telhado voou, e a água levou a mercadoria", contou Luiz Mendes, comerciante local, enquanto voluntários ajudavam a remover os escombros do que restou de seu armazém. Na cidade vizinha de Pitanga, os estragos também foram significativos, embora os números ainda não tenham sido oficialmente divulgados.

Mais ao sul, no município de Dois Vizinhos, a devastação foi ainda mais severa. Segundo a Defesa Civil, cerca de 1.200 pessoas foram afetadas por um vendaval que danificou aproximadamente 400 residências. A cidade foi a mais impactada do estado, em meio a um evento climático que causou transtornos em ao menos sete municípios até as primeiras horas desta segunda-feira.

“Foi uma noite de terror. O vento parecia arrancar a casa do chão”, relatou Rosana Ferreira, moradora da zona rural de Dois Vizinhos. “Quando o dia amanheceu, só restava lama e silêncio.”

Os ventos, que em Ubiratã chegaram a impressionantes 121 km/h, transformaram a madrugada de domingo em um campo de batalha climático. Altônia também registrou rajadas acima dos 100 km/h, enquanto cidades como Ponta Grossa, Umuarama, Cascavel e Campo Mourão enfrentaram ventos entre 70 e 85 km/h. Em Curitiba, a velocidade máxima registrada foi de 58,7 km/h, o suficiente para causar quedas de árvores e destelhamentos pontuais.

O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) reportou que os maiores volumes de chuva foram registrados em cidades como Ouro Verde do Oeste (102,2 mm), Toledo (93,6 mm) e Ubiratã (92,6 mm). Em Guarapuava, onde a chuva chegou a 77,6 mm, oito casas foram danificadas, afetando ao menos 25 pessoas.

Infraestrutura colapsada

O impacto do temporal extrapolou os limites das residências. Em Curitiba e região metropolitana, o destelhamento da Estação de Tratamento de Água Iguaçu — uma das principais do sistema da Sanepar — comprometeu o abastecimento para mais de meio milhão de pessoas. A companhia opera com apenas parte de sua capacidade, utilizando guindastes para remoção das telhas danificadas.

A Copel (Companhia Paranaense de Energia) informou que, até o início da manhã, cerca de 405 mil domicílios estavam sem energia elétrica. Quedas de torres de alta tensão em Bandeirantes, no Norte do estado, forçaram a ativação de linhas alternativas para manter o fornecimento em regiões críticas.

"Estamos com equipes espalhadas por todo o estado. A prioridade é restabelecer a energia e garantir segurança à população", declarou um porta-voz da Copel.

Resposta emergencial

Com uma rede de atendimento montada em tempo real, a Defesa Civil intensificou o suporte por meio dos Núcleos de Atuação Regional (NARs). A distribuição de lonas, remoção de árvores e inspeção de imóveis danificados está sendo feita em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, que também interditou uma escola em Ponta Grossa após o destelhamento de sua estrutura.

“É uma situação delicada. Estamos lidando com múltiplas ocorrências em diferentes regiões, e cada minuto conta”, afirmou o tenente-coronel Paulo Andrade, da Defesa Civil.

A população é orientada a reportar quedas de energia e outras emergências via os canais oficiais da Copel e a manter distância de postes ou fios caídos. A previsão é de que os trabalhos de reconstrução e normalização do sistema de energia e abastecimento se estendam até o final da semana.

Clima extremo em ascensão

Este episódio é mais um reflexo da crescente frequência de eventos climáticos extremos no sul do Brasil. O aumento na intensidade das tempestades e vendavais tem pressionado a capacidade de resposta de estruturas públicas e privadas, reacendendo debates sobre preparação urbana, mudanças climáticas e resiliência das comunidades rurais.

Enquanto os ventos cessam e a chuva dá trégua, o Paraná contabiliza os prejuízos. Para muitos, o temporal levou mais do que telhados: arrancou também a sensação de segurança.

“Agora é recomeçar”, disse Maria das Dores, enquanto organizava os poucos móveis resgatados de sua casa. “Mas toda vez que o céu escurece, a gente vai lembrar.”

Últimas Notícias

Nubank