Santa Tereza admite nova crise e busca apoio do governo estadual
Secretaria pede planilha com detalhes de receita e despesas
16/06/2025
Após um período de aparente estabilidade e de reestruturação administrativa, o Novo Hospital Santa Tereza, uma das principais unidades hospitalares de Guarapuava, volta a registrar dificuldades financeiras. Sem divulgar números publicamente, a diretoria admitiu, em reunião com a Secretaria de Estado da Saúde nesta segunda-feira (16), que a instituição enfrenta problemas para manter o pagamento de fornecedores e salários de funcionários.
O encontro, realizado em Curitiba, foi intermediado pelo deputado estadual Artagão Júnior (PSD), que vem atuando como articulador político da atual gestão do hospital. A reunião teve a presença do diretor-executivo Marlon Mallassa, do diretor jurídico Renan Neves, do controlador interno Anderson Cardoso, do provedor André Kloster e de um representante da instituição conhecido como Pimpão. Pela Secretaria, participou o chefe de gabinete Ian Sonda.
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A diretoria do hospital atribui a situação a um desequilíbrio entre receita e despesa, agravado por contratos de governo considerados defasados e uma demanda crescente por atendimentos. Já é público que o hospital acumula déficits mensais que ameaçam a continuidade dos serviços, mas as recentes informações, a partir da posse da nova direção, sinalizavam para uma temporada de restauração da imagem e das finanças.
A realidade enfrentada pelo Santa Tereza não é diferente da grande maioria dos hospitais brasileiros. A diferença, no caso da instituição de Guarapuava, eram sucessivas má administrações e uma sucessão de escândalos, que ganharam nova perspectiva, positiva, com os novos gestores.

Reunião geral dos gestores do Santa Tereza com gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, intermediada pelo deputado estadual Artagão Junior
Como encaminhamento imediato, ficou definido que o hospital irá apresentar um “Perfil Assistencial Contratual” — relatório que detalhará receitas, despesas e o volume de atendimentos — para subsidiar uma possível intervenção do governo estadual, seja por meio de repasses emergenciais ou renegociação contratual com o SUS.
“É preciso ter clareza sobre os números para que o Estado possa ajudar o hospital da melhor forma possível”, afirmou o deputado Artagão, que se comprometeu a seguir acompanhando o caso junto ao governo.
Mesmo com avanços pontuais, como a regularização de certidões e a retomada de repasses, o hospital ainda lida com um legado de endividamento e a dificuldade crônica de financiamento da saúde pública no interior.
Atualmente, o Santa Tereza é responsável por grande parte dos atendimentos de média e alta complexidade na região, o que o torna estratégico para o sistema estadual de saúde. A expectativa da nova diretoria é de que, com o apoio do governo, seja possível estabilizar as contas e evitar um novo colapso na assistência.
Próximos passos
Segundo interlocutores do hospital, o dossiê solicitado pela Secretaria deverá ser entregue nos próximos dias. Só após a análise técnica é que o Estado definirá as medidas que poderá adotar.
Em paralelo, a diretoria pretende intensificar o diálogo com outras esferas do poder público e buscar apoio institucional para evitar que a crise financeira evolua para um novo colapso operacional.
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