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Com 79% de aprovação, desafio do governo Ratinho Júnior é mostrar engenharia de votos

Quaest mostra que 65% dos paranaenses dizem que governador merece eleger um sucessor; transferência de apoio será decisiva para Sandro Alex, que aparece em 3º na Quaest

24/08/2026
O governador concentra o principal capital político do PSD no Paraná. O desafio da campanha será associar esse prestígio ao nome escolhido para a sucessãoO governador concentra o principal capital político do PSD no Paraná. O desafio da campanha será associar esse prestígio ao nome escolhido para a sucessão

A pesquisa Quaest (RPC/Globo) divulgada nesta segunda-feira (24) coloca Ratinho Junior (PSD) no centro da eleição paranaense. O governador é aprovado por 79% dos eleitores e desaprovado por 14%, o resultado positivo mais expressivo entre todos os indicadores pessoais medidos pelo levantamento. A dimensão de seu capital político fica ainda mais clara quando 65% afirmam que ele merece eleger um sucessor.

O índice, porém, ainda não se transformou automaticamente em votos para Sandro Alex (PSD). Na Quaest, o candidato apoiado por Ratinho aparece com 15% na disputa pelo Palácio Iguaçu, atrás de Sergio Moro (PL), com 37%, e Requião Filho (PDT), com 21%. A distância de 50 pontos entre os que defendem a eleição de um sucessor do governador e os que hoje escolhem Sandro delimita o principal desafio da campanha governista.

Palácio Iguaçu, sede administrativa do governo do Paraná, em disputa no dia 4 de outubro: eleitor decide quem ficará no lugar de Ratinho Júnior

O desempenho administrativo e eleitoral do governo Ratinho Júnior

A comparação exige uma ressalva técnica: aprovação administrativa, preferência eleitoral e potencial de voto são perguntas diferentes. Ainda assim, o contraste é politicamente relevante. Ratinho possui uma base de avaliação positiva muito maior do que a votação atualmente atribuída ao nome escolhido para representar a continuidade de seu governo.

A avaliação detalhada confirma essa força. Para 68%, a gestão é positiva; 23% a consideram regular; e apenas 6%, negativa. Ao mesmo tempo, 30% defendem a continuidade do trabalho como está, enquanto 49% querem mudar somente o que não funciona. Somados, 79% apoiam a preservação integral ou parcial da atual direção administrativa. Apenas 18% desejam uma mudança completa.

Esse ambiente favorece uma candidatura de continuidade. Sandro Alex ainda é desconhecido por 62% dos paranaenses, o maior obstáculo entre os três principais concorrentes. Seu potencial de voto está em 22%, e a rejeição, em 16%. Os números mostram um candidato com baixa resistência, mas que precisa se tornar conhecido e estabelecer uma associação direta com Ratinho.

Este é um diferencial que começa a ser colocado na tela e ouvidos do eleitor paranaense a partir do dia 28, quando se inicia o horário eleitoral gratuito no rádio e tv. A propaganda de Sandro Alex deverá ser massiva para mostrar quem é Sandro Alex e por que ele representa a continuidade de Ratinho Júnior. Ao mesmo tempo, as inserções durante a programação diária, mais os espaços na internet, serão um combate sem tréguas para construir candidaturas de um lado e destruir do outro. 

A capacidade de Ratinho transferir votos dependerá de apresentar Sandro como herdeiro político de uma gestão amplamente aprovada.

O governador dispõe de três ativos: 79% de aprovação, avaliação positiva de 68% e o entendimento, compartilhado por 65%, de que merece fazer o sucessor.

O candidato, por outro lado, precisa reduzir rapidamente o desconhecimento de 62%.

Rejeição limita Moro e Requião Filho

Os dois líderes da corrida apresentam vantagens eleitorais, mas carregam índices de rejeição superiores aos de Sandro. Moro possui o maior potencial de voto, de 54%, e lidera com 37%, porém 33% afirmam que não votariam nele de maneira alguma. O ex-juiz é conhecido pela maioria do eleitorado, o que amplia sua base, mas também torna mais difícil reduzir resistências já consolidadas.

Requião Filho tem potencial de 38% e a maior rejeição entre os três, de 44%. Embora ocupe a segunda posição, o pedetista enfrenta um teto eleitoral mais visível. Em eventual segundo turno contra Moro, aparece com 27%, ante 51% do candidato do PL.

Sandro tem o menor potencial imediato, de 22%, mas também a menor rejeição, de 16%. Sua situação combina risco e oportunidade: o desconhecimento impede um desempenho mais forte agora, mas oferece espaço para crescimento. Moro e Requião precisam convencer quem já os conhece e rejeita; Sandro precisa, antes, apresentar-se ao eleitor.

A simulação sem Moro ajuda a medir esse desafio. Requião Filho venceria Sandro por 37% a 24%, com 23% de indecisos. O candidato governista ainda não incorpora toda a força de Ratinho nem mesmo em um confronto direto com a oposição estadual.

Saúde e violência pressionam continuidade

A aprovação elevada não elimina cobranças. Para 28%, a saúde é o principal problema do Paraná; a violência aparece com 15%. Educação, infraestrutura e economia são citadas por 8% cada. Esses temas definem onde a oposição poderá atacar e onde Sandro terá de propor correções sem romper com o legado que pretende representar.

Os números da Quaest desenham, portanto, uma eleição com duas forças distintas. Moro começa na liderança apoiado em elevado potencial de voto, enquanto Ratinho possui o maior capital político individual da disputa. O resultado dependerá de saber se o governador conseguirá transformar aprovação administrativa em apoio eleitoral antes que as escolhas se consolidem.

A pesquisa Quaest ouviu presencialmente 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento, encomendado pela RPC, foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-05388/2026.

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